segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

a cor dos seus olhos é a cor que eu vejo quando fecho os meus. é a cor da minha dor de cabeça.

sábado, 22 de dezembro de 2012

pra meu azar

é chato e repetitivo essa coisa minha de sempre perceber coisas chatas e repetitivas e clichês. mas, infelizmente, são algumas dessas coisas que me tiram o ar e me fazem querer escrever... e tentar me esclarecer pra mim mesma mais uma vez. eu nem sei mais porque escrevo, acho que é pra não perder essa conexão que eu tenho comigo, uma das poucas que ainda me resta. essa coisa que me faz gostar de mim e ao mesmo tempo me achar medíocre por não conseguir dizer as coisas do jeito que eu queria dizer ou tinha planejado... e já que eu passo tanto tempo comigo, me serve demais.
provavelmente esse vai ser um daqueles textos gigantescos que só eu leio (afinal, esse era o propósito inicial) e releio afim de entender o que acontece comigo e como eu estou me sentindo... porque dizer nunca é o suficiente. dizer é muito mais um desabafo urgente que sai mais rápido do que eu queria e mais lento do que eu esperava.
tudo isso foi um prólogo extremamente necessário para que eu peça desculpas a mim mesma por tocar nesse assunto outra vez: como o tempo passa rápido. como eu ainda não consigo me acostumar com isso, como as músicas me fazem lembrar o quanto passou e o quanto ainda está por vir... como as mudanças acontecem comigo e eu só me dou conta depois, por causa desse processo retardado da minha mente em entender o que está acontecendo.
365 dias passam muito rápido, e eu sempre tenho essa mania de fingir que não. as minhas escolhas provisórias me fazem mudar muito mais do que eu imaginava, porque eu finjo que elas são permanentes... até que tudo chega a um ponto em que eu não reconheço mais o que eu quero e pretendo fazer, como agora. o que é que eu quero agora, meu deus!? e eu sei que eu já escrevi antes que essa não é a pergunta certa, mas digo no sentido de estar certa de alguma coisa. até o pequeno "clac" tá ausente e eu não sei o que está fazendo com que eu me mova, além das correntes das minhas pseudo escolhas: feitas rápido demais, superficiais demais, bobas demais... minha pressa é uma amiga falsa que eu mesma adotei, só por preguiça.
é um mundo novo vindo, e eu não sei se estou acompanhada das pessoas certas pra que isso comece, se eu estou pronta, se quero que ele venha desse jeito... mesmo tendo escolhido cada pedaço dele. é como ter que fazer as malas pra uma viagem que eu quis fazer, mas não entendo nada direito e não conheço bem quem vai comigo... porque não conheço bem a mim, o tempo todo.
sinto falta de respirar fundo e me sentir certa e bem, feliz. odeio descer as escadas da insegurança de novo, quando eu estive tão perto de chegar ao topo. odeio essa sensação de que meu coração não bate como batia, e meus olhos não te reconhecem mais, e toda aquela coisa que me fazia chorar na letra do The Killers quando eu era só uma menina boba e assustada. me faz pensar que  vou ser boba e assustada o tempo todo, e isso me deixa sufocada, asfixiada de mim.
as vezes começo a pensar que entrei demais em um universo que não é meu, não é onde devia estar, mas a areia já chegou até o pescoço e não sei como sair. uma necessidade enorme de sumir e não ser encontrada, de estar completamente só, eu e o nada, sem nem mesmo você.... as vezes eu acho que você é bobo demais.
essas coisas são difíceis de confessar e esse é outro ponto que me enerva. quando é que ficou assim? quando a gente deixou de poder dizer coisas um pro outro? eu não tenho medo da rotina, mas dos vícios dela. desses tratos que ninguém faz mas de repente estão lá: não faça isso ou não diga aquilo, sem mais nem menos. quando é que começou a magoar?
acho que tudo foi longe demais, alem do que eu queria e esperava pra mim. e, pra meu azar, o mundo não vai acabar.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

"Assovia o vento dentro de mim.
Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha cara."
- Eduardo Galeano

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

estrela, estrela

A verdade é que não importa quanto tempo passe, isso nunca vai sair... Já foram três anos, e serão treze, trinta, sem que eu consiga aceitar. Sem que eu consiga entender por que as coisas tiveram que ser assim, apesar de já ter me torturado muito pensando em uma resposta.
Às vezes, quando eu sonho, você vem e me diz que está tudo bem e que você está feliz, mas isso é só meio consolo (por mais egoísta que pareça, assim de primeira.) É claro que as coisas chegaram a um ponto onde essa foi a melhor solução, mas por que tiveram que chegar lá?
Há dezessete anos e alguns meses que eu vivo nesse planeta e conheci todo tipo de gente, mas você foi a melhor pessoa com quem eu já estive. Não é um exagero e você sabe disso. Minha família sabe disso, quem te conhece, quem te viveu... E às vezes, nas noites perturbadas, eu penso nisso e chego à algumas soluções cruéis. Coisas como pensar que você era boa demais pra esse planeta e pra quem habita ele... Tanto que teve que ir queimar por anos no céu, só nos transmitindo luz.
Uma parte de mim acredita nisso, assim como acredita que é tudo um jogo em que todo mundo está tentando ganhar sabendo que vai perder no final. Um jogo triste, que você não precisava mais jogar. Que você nunca esperou ganhar nem perder, só se divertir e tirar algumas lições disso.
Talvez quem leia isso veja uma super idealização de uma figura celestial, mas você sabe que não é. Os defeitos são uma coisa ridícula depois da morte, eles chegam a virar piada. Minúsculas picuinhas estupidas que as pessoas acabam buscando insaciavelmente nas outras... E que eu nunca notei em você, até que eles viessem encher meus ouvidos.
Mas se fosse pra idealizar, eu pediria agora, olhando pro céu e ouvindo essa musica que você lesse tudo isso. Que voltasse, uma tarde. Ou por 15 minutos. Só queria que desse pra você me ouvir agora, porque é sufocante saber que não dá. Quanto mais eu cresço mais eu quero que você esteja aqui, porque menos me conheço. Eu só queria um pouco daqueles momentos deitadas na cama, brincando da língua do T, de dar massagem nos pés e de dar tapa... Você sabe que eu não pediria se eu realmente não precisasse.
Por favor, eu só queria que um desses dias que eu to andando na rua imaginando como seria se você simplesmente passasse andando, isso acontecesse. Só uma última vez. Eu juro que não iria dizer nada, iria deixar você passar e sorrir de volta. Mas é que eu preciso saber que você ainda tá aqui. Não no mundo, mas dentro de mim e das manhãs, e dessa casa, e do meu sorriso... Só isso....

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

as vezes
só as vezes, e bem rápido
se deixa de a cre di tar
de a creditar
de acre ditar
de acre di tar
dia creditar

e ness as vezes
só resta eu
eu e voce
voce e u
voceu

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O que você quer fazer?

Essa não é a pergunta certa. Claro, a gente quer fazer muita coisa; a vontade é tão rápida quanto a velocidade da luz, mas de vontades à ações existem milhões de caminhos que poderiam mudar o mundo.
A pergunta também não é "o que você consegue fazer?" porque um corpo teoricamente saudável tem capacidades mil, uma imensa quantidade de possibilidades em si, esperando pra serem movidas; sinapses e mais sinapses que desenvolveriam a maioria das coisas que lhe pedissem, com  o esforço devido.
O tamanho da vontade - assim como o da capacidade - nunca foram os reais requisitos para que uma ação seja tomada. Veja bem, o segredo está em encontrar o encaixe sublime que existe dentro de alguma parte do seu ser, aquele singelo "clac" de uma cordinha sendo solta que faz com que, involuntariamente, seu corpo movimente-se para aquilo, como se fosse a única coisa a se fazer no momento: uma obrigação que não foi ordenada por ninguém, mas entendida por todo o seu individuo como algo que você é e faz.
Não, é claro que não se pode viver assim a cada segundo, e eu infelizmente aprendi isso da pior maneira possível. Mas agora que você quer saber o que eu vou fazer com a minha vida, eu me nego a responder de qualquer outra forma. Não é mais uma questão de não querer outras coisas, mas de querer algo com tudo o que eu entendo como eu - e o que eu não entendo também.
E é óbvio que uma escolha é tanto as opções que ela possui quanto as que não possui, mas entenda que assim somos todos nós: um milhão de "seres e não seres", um monte de escolhas e a falta delas. Então, finalmente, por mais clichê que isso possa parecer, deixa. Me deixa escolher ser eu.
"clac"

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

sobre criticas

Normalmente, um pedido de desculpas a mim mesma seria suficiente. Claro, porque eu estou errada outra vez... As vezes me pergunto quando é que vou estar certa.
Mas o ponto não é mais esse, outra vez. E nessa confusão que é a minha mente precipitada, eu sei que deveria estar me redimindo, pintando as unhas e conversando com o espelho. Devia estar dizendo a ele que gosto do que vejo, devia mentir pra ver se eu acredito.
Acontece que só dessa vez, eu não queria mentir. Alguma vez você já pressionou a lanterna sob seu dedo? Já viu como transparece a pele e pulsa o vermelho que você é? É isso o que eu quero. Quero que minha mente e meu corpo se tornem transparentes sob o efeito de uma lanterna gigante, pra que a pele pare me importunar com limites (não há limite que se imponha à luz, já dizia a minha avó).
As meias-verdades são um pé no saco, quando você começa a dize-las pra si mesma. E como se não bastasse, são pura poeira que pode ser soprada por qualquer um. Um livro de auto ajuda de um e noventa e nove pode te encher de motivações, mas de que adianta se nenhuma delas é real?
Eu quero ser transparente pra mim.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Tudo o que eu quis dizer (a resposta é não)

Se eu te contasse onde eu quero ir
Você certamente iria embora
Então de que adianta me fazer sorrir
Se a minha consciência chora?

Eu já vi esse filme mais de uma vez
Eu não pedi bis
Eu lembro o que você fez
Eu conheço o que você diz

O ticket pro inferno era o seu nome
Ouvir sua voz no telefone
Você sabia o quanto o seu olhar dava fome
Sabe o que acontece quando você some

Uma cidade de plástico
E você conseguiu se encaixar muito bem
Fez de si mesmo um elástico
Que não prende mais ninguém

"Mas me dê a mão,
Uma última chance"
Pra de novo jogar no chão
O nosso indigno romance

O ticket pro paraíso foi um ingresso de cinema
Os atores na tela, e você fazendo a cena
Você sabe que seu olhar envenena
Faz a mocinha ser digna de pena

E a minha resposta cruel
É só um bônus do seu presente
Eu já quis te levar pro céu
Foi você quem quis diferente

... E tudo isso, você deve a você.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

entrelinhas 2

- Não espera que acreditemos nisso. - cuspiu a contorcionista.
Tina não tinha pensado naquela resposta. Toda a sua vida imaginara que, uma vez que houvesse conseguido escapar, tudo estaria resolvido e ela alcançaria seus sonhos. Quando os integrantes do grupo mostraram-se resistentes a acreditar nela, não conseguia deixar de sentir-se uma garotinha boba e incapaz.
- Eu não sei o que fazer para que acreditem... Eu... Não achava que seria desse jeito.
(...)
E então ele apareceu: Berry, o apresentador. Vestia um sobretudo tão negro quanto seu chapéu, e tinha nas mãos os chicotes que usava para guiar a carruagem. Tina sentiu seu rosto corar. Era ele, o motivo pelo qual ela começara tudo aquilo, o homem sorridente e forte que ocupava seus sonhos. Sentia que ele não lhe faria mal, sentia que era só ela falar, e ele a entenderia, e poderiam ficar juntos e satisfeitos.
Mas o olhar que ele lhe deu não era o olhar caloroso das apresentações. Quando ele analisou-a, sentiu-se nua e fraca, estúpida. E quando a voz dele reverberou pela carruagem, sabia que aquele havia sido outro engano:
- Deixe-me adivinhar. Você tinha esperança. Esperança de que fosse mais do que as pessoas ao seu redor. Você achava que era especial, assim como nós. Você planejou por anos conseguir escapar para cá e se sentir em "casa", mas nem sabe o que isso significa. Nem sabe de onde queria escapar, se lhe perguntarem. Você achava que nós te levaríamos a um mundo mágico, onde suas aventuras começariam, e causaria inveja nas pessoas fúteis da sua cidade. E agora que está aqui, você nem sabe o que dizer.
"Sabe o que é o circo, menina? Sabe alguma coisa sobre a vida? Sonhos e esperanças são como amigos traiçoeiros. Eles não te levarão para nenhum lugar além da decepção. O circo é exatamente igual: nós enganamos vocês. Nós mentimos, alimentamos desejos e aspirações para depois irmos embora e abandoná-los na mesmice de suas vidas. Fazemos com que acreditem que existe purpurina no mundo e que está em vocês, enquanto vemos o quão idiotas são.
"Pegue os seus sonhos e vá embora, garota. Esse é o melhor presente que posso lhe dar. Aqui não é um lugar pra você. Não existe "lugar" pra você, enquanto estiver escapando do que tem para viver. Pare de fugir da vida e aceite quem você é, e da próxima vez que aparecermos na sua cidade, entenderá mais quem é o palhaço do que qualquer outra criança no pátio.

Acho que eu entendi. E agora?

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Feche os olhos. Não é hora de contar até dez, mas você pode fugir daqui comigo. É só imaginar, vamos lá: pra o lugar que só a gente conhece, no ritmo que a gente quiser. Eu sei que a gente consegue se dopar sem precisar de substância nenhuma. A alegria em si já é dopante o suficiente. De novo, feche os olhos. Não precisa abrir tão rápido... Vamos pra onde nós podemos ficar por horas sem fazer nada além do bem pra nós mesmas. Eu quero mergulhar nisso tudo. De cabeça, se for necessário.
Existe uma passagem, sabe. Um ticket pro trem que nos levaria pra lá. Eu não sei onde se compra, mas sei que os bilhetes estão se esgotando. Vamos?

será?


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Se o mundo parar

Você tem a minha permissão pra me tirar daqui
Me arrasta pra fora desse cansaço quase mórbido e me lembra como se faz pra sorrir
O mundo do lado de lá é enorme e teoricamente somos só nós dois agora
Eu não quero mais ficar pra trás, se "com o amor não tem demora"

Vem, me faz sentir o cheiro de tudo o que a gente sente
Pra que ficar parado, se a gente pode fazer diferente?
Se o menu é tão vasto, por que comer o mesmo prato todo dia?
Eu não quero ficar só na fotografia

Eu nunca achei que eu seria uma estátua de gelo
Eu não quero que o fogo fique só no meu cabelo
Eu nunca achei que meu coração seria frio e preto
Mas se você der os passos certos, eu sei que eu derreto

Você tem a minha permissão pra me tirar de mim
Me lembra como é doce o som do "sim"
Me limpa desse negativismo e me ensina a dançar
Eu também quero sair voando se o mundo parar

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

sobre não se levar a sério

Ele não sabe responder a pergunta do professor. Não se imagina fazendo nada do que lhe é pedido no futuro. Já não sabe mais porque estar aqui, quando "aqui" pode ser qualquer lugar. O suor frio surge tão rápido quanto os olhares irrequietos da sala, mas seu físico não faz muita diferença no momento.
Em instantes como esses, nada é real. O mundo torna-se apenas um espaço ignorável, enquanto sua imaginação corre para outras cenas. Imediatamente, ele consegue ver-se no dorso de um dragão vermelho, queimando os poemas velhos que ela tinha lhe escrito. Consegue vê-la ali, ajoelhando-se por perdão, arrependendo-se, amando-o fervorosamente. Quanto mais queima e crepita o fogo, mais ela morre dentro de si, e o suor frio transforma-se em transpiração pelo calor. O universo é todo laranja e vermelho, e ele quase consegue sorrir. Quantas pessoas se importariam com isso agora?
Ele não quer responder. Ele não quer sair de seu mundo rubro, não quer abandonar o seu dragão imponente, não quer se dar conta de que vai ouvir a risada dela quando ele disser que não sabe. Não quer lembrar de quando riram juntos de alguém com ele.



- 1960. Ou mitocôndrias, e respiração celular. Ou raiz quadrada de dois. Não faz muita diferença, né? É só eu empinar o nariz e mostrar que eu tentei, que não estou desperdiçando o seu tempo ou o meu. Isso não é mais um discurso sobre como tudo é inútil, é um discurso sobre mim. Eu não vou responder nada enquanto você souber a resposta. Não é medo de errar e eu não estou falando com o professor, apesar do meu olhar estar na direção dele. Mas agora que ficou claro, o que você acha de dragões? O que você acha do fogo, da lava, e da bílis do mundo? Ele pode ser desprezivelmente pequeno quando você está sozinha no seu quarto, não é?  Eu não vou responder enquanto você souber a resposta. Eu não sou só uma imagem, apesar de mil e uma estarem passando pela minha cabeça agora. Mas nada disso importa. Eu tinha que responder alguma coisa estúpida agora, e você tinha que ter rido. Então vamos, repita a pergunta e façamos os nosso papéis. Ninguém tem tempo, né? Ninguém tem tempo pra ser de verdade. Compre outro copo de plástico e encha de mentiras, sem medo de que caia no chão e quebre. Beba tudo e jogue fora depois. E quando jogar, não esqueça de fingir que se importa.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

"São cores, são flashes de luz; Pessoas que não fazem parte de mim... Seus olhos querendo partir, meus olhos que já falavam por mim: eu quero ser mais que um simples problema, dilema. Vamos deixar tudo o que não nos faz falta... Sem pressa."

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

organismos heterótrofos: não são capazes de obter seus próprios alimentos a partir de substâncias inorgânicas simples. os heterótrofos utilizam a matéria orgânica contida no corpo de outros organismos para obter matéria-prima para seu crescimento, reprodução e reparação de perdas e a energia necessária para realização de seus processos vitais.

eu não consigo sozinha. será que é demais precisar da matéria orgânica presente no seu corpo?

terça-feira, 14 de agosto de 2012

- Todos os homens têm de morrer, Jon Snow. Mas, primeiro, vivemos.

Ygritte, em A TORMENTA DAS ESPADAS
Às vezes, por uns milésimos de segundo, todo o meu ceticismo se esvai pelos ouvidos e eu chego a acreditar com todo o fervor em destino. E acredito que a única aula de espanhol do ano que eu queria assistir, eu tive que faltar. E acredito que eu mereço engolir o meu pedido sujo de desculpas, porque simplesmente, não é pra ser ou não está na hora. E que justamente quando eu queria sentar na janela de frente ao mar pra acreditar que eu sou o videoclipe de um dos meus cds favoritos, o ônibus tem que estar lotado, pra que eu me sinta uma sardinha.
Mas se for pra ser, então que fique registrado aqui: me desculpe. Por tudo. Eu errei, eu fui idiota, inconsequente, e talvez seja isso também uma prega do destino. Me desculpe por quebrar promessas e corações. Me desculpe por não ter resolvido tudo, como eu sempre faço. Me desculpe por mim, e por ser uma sardinha. Me desculpe por não ser a protagonista da sua história, mas por favor, por favor, não lembre de mim como a vilã.

terça-feira, 7 de agosto de 2012


 Estrela, estrela
Como ser assim
Tão só, tão só
E nunca sofrer

Brilhar, brilhar
Quase sem querer
 Deixar, deixar
Ser o que se é

No corpo nu
Da constelação
Estás, estás
Sobre uma das mãos

E vais e vens
Como um lampião
Ao vento frio
De um lugar qualquer

É bom saber
Que és parte de mim
Assim como és
Parte das manhãs

Melhor, melhor
É poder gozar
Da paz, da paz
Que trazes aqui

Eu canto, eu canto
Pra poder te ver
No céu, no céu
Como um balão

Eu canto e sei
Que também me vês
Aqui, aqui
Com essa canção

*
- Talvez seja um monte de sentimentalismo barato, mesmo. Esse negócio de se jogar do abismo ou descer de rapel. Talvez nem tenha abismo nenhum, talvez o abismo seja eu... Mas uma coisa é certa: ninguém está pronto pra enfrentar, nunca. Você só tem que ir... e dar o seu melhor.
- Isso é certo, eu e você sabemos. Mas o chão, um dia, chega. Não dá pra negar. E quando chegar? O que você vai fazer?



O chão sou eu que delimito.
Cansei, e dessa vez é de verdade. Há um milhão de certezas para serem seguidas durante a vida mas - talvez seja um pouco de audácia - eu não fui feita pra elas. Um caminho turvo e desengonçado pode ser desconfortável para alguns, mas ninguém melhor do que uma turva e desengonçada para segui-lo, né não?
Talvez um dia você apareça com todos os seus sonhos realizados, feliz e radiante, e eu ainda esteja suando, opaca... O que se pode fazer? Tem gente que não nasceu pra brilhar, ou que não compreende o brilho em si, e vê na escuridão o medo do desconhecido.
Eu nunca fui assim, não é da minha natureza ser. Meu corpo inteiro vibra quando chego na ponta do precipício, e minha alma repete como numa música:
- Se jogue...

... quantas vezes for necessário.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Ela se esgueirou mais, afim de atingir tudo o que era possível.
Diferente do que se pensa, não começa na mente: começa no estômago. Embrulha-se de uma forma indigesta, causando uma náusea que te faz querer vomitar a si mesmo. Um mal-estar que provoca ondas geladas de temor por todo o corpo. Uma rã irriquieta alojada na garganta, que se contorce e tenta saltar pra fora. E dói.
Depois corre até os olhos da alma, repetindo mil vezes todas aquelas imagens que você não quer ver ou acreditar, até fazer com que o suor frio fuja do seu corpo, como se não aguentasse ali dentro. E ela continua.
E então você abre os reais olhos, e ela te faz ver tudo o que "estava ali" e que você não via, tudo o que ela quer que você veja. E você briga consigo mesmo, justifica, recusa, nega, implora... Mas já é tarde demais. A essa altura, todo o seu corpo diz:
- Você sabe que ela está certa.

Resta saber se "ela" é a dúvida ou a verdade.
O mundo pulsa, assim como pulsa o meu sangue, e pulsam os choques elétricos pelo meu corpo quando alguns olhares se cruzam.
Há algo que se encaixa muito bem em tudo o que sua boca diz, mas eu temo, me afogo em dúvidas e ideias passadas e confusas, um turbilhão de coisas que acontecem no tempo errado.
Pulso e repulso o que você diz, me sinto presa e imatura, talvez caótica demais.
Há algo no surreal que me atrai, há algo no impossível que me ilude, me ludibria facilmente. Me afogo no cheiro doce do seu perfume e me pergunto se há, agora, alguma ideia do que está certo ou errado. É tudo muito novo, eu nado na surpresa.
Um grande talvez me abraça e me pede pra ficar tranquila, mas eu não consigo. Eu pulso. Você pulsa. Pulsamos eu e você, em um ritmo despreocupado ao resto do universo.
E acima de nós dois pulsa uma estrela azul, que me pergunta: será que ele me viu nos seus olhos?

quinta-feira, 12 de julho de 2012

entrelinhas

Tina trancou a porta e encostou-se sobre o carvalho solene. Aquela não era a primeira vez que precisara fugir para o seu pequeno conforto privado, e temia que não fosse a última, mas dessa vez era diferente. Ela precisava se concentrar e fazer o que tinha de ser feito.
Ajoelhou-se sobre o tapete e buscou a irregularidade, pressionando o chão com as pontas dos dedos, até ouvir o pequeno e familiar estalido. Tampouco era a primeira vez que ela abria aquele pequeno alçapão - e isso não a fazia nem um pouco mais feliz.
- Maldito seja, vamos, levante!
A madeira pesada resistia, e algumas farpas entraram em suas unhas. Por um instante pensou que teria que inventar uma desculpa para o estado de suas mãos de moça, mas logo esqueceu do assunto. Não tinha tempo. Eles estavam chegando, e dessa vez ela iria acompanhá-los.
Finalmente abriu o esconderijo escuro: estava tudo lá, como da última vez que o abrira. A pequena caixa marrom, a grande caixa verde, o cinto de couro gasto, o medalhão e o punhal.
Quantas vezes tinha se deparado com aqueles itens? Quando aquilo tinha começado? Ela não sabia. Sabia que o tempo passava, e tratou de fazer tudo o mais rápido possível. Apanhou as caixas e os objetos e começou a aprontar-se.
Primeiro despiu-se daquelas vestes pesadas, levando um tempo a mais para abrir o corpete. Era um de seus momentos preferidos: desamarrar aqueles cordões infernais e respirar fundo, sentindo suas costelas se expandirem o quanto realmente deveriam. Suspirou mais uma vez. Guardou tudo na caixa verde e abriu a marrom.
Lá só se encontravam um par de calças e uma grande bata - grande demais para ela -, ambos negros e leves. Caíam-lhe como seda pura, deslizando sobre sua pele. Prendeu o cinto à sua cintura, com o punhal amarrado á esquerda deste. Atou os cabelos louros em um rabo-de-cavalo alto e mirou-se no espelho. Aquela era ela. Sem vestidos, veludos e - principalmente - corpetes. Podia ver seus olhos brilharem enquanto prometia a si mesma que dessa vez conseguiria.
Por último, ajoelhou-se para mirar o medalhão mais uma vez. Era de ouro puro, e tinha a forma de uma contorcionista com os pés na cabeça. Tina apertou-o contra o peito e prendeu em sua corrente também dourada.
- Isto é por você.
Fechou as duas caixas e guardou-as onde estavam, junto com uma carta pra Linda. Sua irmã era astuta, sabia que Tina lhe deixaria algo, e iria procurar por todos os cantos até encontrar o que quer que fosse.
Era hora de ir, podia ouvir o alvoroço das ruas. Calçou as botas e olhou pela janela: lá estavam eles, rindo, fazendo acrobacias, jogos e fazendo piadas para dez crianças, que assistiam com os olhos brilhando.
Olhou para o resto da cidade. Sim, aquele fora por muito tempo o seu lugar. Por mais que negasse, ela já pertencera aquilo, já fora como um deles e sabia que um dia sentiria falta. Mas agora já não havia mais volta. Depois de cinco anos tentando e arquitetando aquilo, não poderia voltar atrás. E - para a tristeza de seus amigos e sua família - tampouco queria.
- Me desculpem.
E era tudo o que ela poderia dizer. Com um último suspiro, desceu os vários níveis de escadas na ponta dos pés, com a maior agilidade que poderia ter. Passou por todo o lugar que morava com os olhos semi-cerrados. Não queria despedidas, os deuses sabiam que já tivera o suficiente nesta vida. Esgueirou-se pelos arbustos e entrou na carruagem azul e vermelha, escondendo-se ao lado do banco de veludo.
Respirou fundo mais uma vez, mas de outra forma. Agora ela sabia o que estava fazendo, sabia para onde estava indo. Ela estava indo para o futuro, e não havia mais nada que pudesse impedir isso.

Me desculpem, mas eu quero fugir com o circo.
Não estar pronto é só o mínimo que se pode dizer.
Eu ainda não vesti a minha farda, ainda não preparei a mochila e ainda não roí as duas unhas que quebraram, mas o que me preocupa não é isso. Não é que não tomei café ou escovei os dentes, não é que esqueci de pegar o dinheiro pro ônibus.
É que eu ainda não levantei da cama.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Talvez eu só tenha começado errado. Talvez eu ainda não comecei. Talvez já tenha passado da hora... Mas pra mim é perda de tempo pensar no talvez. É diferente do "e se", sabe? Possibilidades são sempre válidas. Mas essa coisa do talvez é uma incerteza, é estar em cima do muro e ao mesmo tempo cair para os dois lados...
E eu descobri que não gosto de cair. Descobri que também não gosto de ficar parada. É uma pena, queridos, mas eu gosto de voar.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

"Não vai doer", ele disse "se você imaginar que é uma flor."
Quando imagino que isso é uma flor, continua sendo uma faca. Muda apenas o nome. Dá pra me entender?

domingo, 24 de junho de 2012

"Insetos não me agradam", Alice explicou, "porque tenho bastante medo deles... pelo menos dos grandes. Mas posso lhe dizer o nome de alguns."
"Claro que eles atendem pelo nome, não é?" o Mosquito comentou irrefletidamente.
"Nunca soube que o fizessem."
"De que serve terem nomes", disse o Mosquito, "se não atendem por eles?"
"Não serve de nada pra eles", disse Alice, "mas é útil para as pessoas que lhe dão nomes, suponho. Senão, para que afinal as coisas têm nome?"
(...)
"Tenho certeza de que a minha memória só funciona em um sentido", Alice observou. "Não posso lembrar das coisas antes que elas aconteçam."
"É uma mísera memória, essa sua, que só funciona pra trás.", a Rainha observou.
(...)
"Oh, não fique assim!" exclamou a pobre Rainha, torcendo as mãos em desespero. "Considere a menina grande que você é. Considere a longa distância que percorreu hoje. Considere que horas são. Considere qualquer coisa, mas não chore!"
Alice não pode deixar de rir disso, mesmo em meio às suas lágrimas. "Você consegue parar de chorar fazendo considerações?" perguntou.
"É assim que se faz", disse a Rainha com muita decisão; "ninguém pode fazer duas coisas ao mesmo tempo, não é? Para começar, vamos considerar a sua idade... quantos anos tem?"
"Exatamente sete anos e meio."
"Não precisa dizer 'exatualmente'", a Rainha observou. "Posso acreditar sem isso. Agora vou lhe dar uma coisa em que acreditar. Tenho precisamente cento e um anos, cinco meses e um dia."
"Não posso acreditar nisso!" disse Alice.
"Não?" disse a Rainha, com muita pena. "Tente de novo: respire fundo e feche os olhos."
Alice riu. "Não adianta tentar", disse, "não se pode acreditar em coisas impossíveis."
"Com certeza não tem muita prática", disse a Rainha. "Quando eu era da sua idade, sempre praticava meia hora por dia. Ora, algumas vezes cheguei a acreditar em até seis coisas impossíveis antes do café da manhã."
(...)
"Espero que o barco não vire!" disse para si mesma. "Oh, que lindo é aquele. Só que não consegui alcançá-lo." E certamente parecia um pouco enervante ("quase como se fosse de propósito", ela pensou) que, embora conseguisse colher quantidade de lindos juncos à medida que o bote deslizava, houvesse sempre um mais lindo que não podia alcançar.


ATRAVÉS DO ESPELHO E O QUE ALICE ENCONTROU POR LÁ - Lewis Carrol

sábado, 23 de junho de 2012

dont jump

Sentei no chão gelado e tentei lembrar do que você me disse. Sim, eu sei que existem coisas no ar para serem aprendidas a cada momento, e eu sei que hoje não era dia pra limonada, mas eu não posso evitar ter acordado azeda. Ter ido dormir azeda... E azedar madrugada adentro.
Infelizmente, o contorno do seu discurso me amedronta. Infelizmente, existe aquela coisa frágil, que faz crac! quando eu ouço aquelas coisas... Aquele arranhãozinho no fundo da alma que você chama de desconfiança... e talvez seja.
Ou talvez esteja tudo errado, sabe. Duas pessoas podem estar na frente do mesmo carro, no mesmo momento, e serem acertadas de maneiras diferentes; é tudo muito claro pra mim, mas acho que você prefere se perder no escuro... E isso é injusto de tantas formas que eu nem consigo dizer, que eu nem consigo deixar de me sentir uma idiota.
Eu não consigo deixar de me olhar no espelho e me perguntar até onde isso vai, até onde eu quero que vá.
Quando estiver em cima daquele muro, pensando no que você me disse pensar, lembre que eu te liguei. Uma, duas, três mil vezes. Lembre que eu chorei duas vezes antes de dormir, e amaldiçoei o meu celular quatro. Lembre que o dinossauro de plástico estava mais gelado do que nunca.
"O ciúme é só vaidade..."

quarta-feira, 6 de junho de 2012

o cigarro, o banho e a máscara

Eu não sei. Não sei o que esperar do futuro. Não sei o que eu quero. Não sei nem mais o que eu NÃO quero, na verdade. Acho que não quero nada. Tudo parece desinteressante, opaco. Poucas coisas salvam o meu dia, e normalmente são coisas que eu não posso fazer.
Preciso levantar da cama. Preciso ser mais forte que eu e esse corpo idiota. Dar um pulo, sacudir os ossos e tomar um banho. Lavar as horas que passei rolando na cama, meio acordada e meio adormecida, tentando sonhar. E passar shampoo pra tirar da minha cabeça as horas que eu ainda preciso dormir, que eu não sei pra onde vão. Descem pelo meu corpo, tentando se agarrar aos meus pés, que por sua vez, se fixam no chão na esperança de não mais se mexerem. Finalmente, vejo a minha sujeira descendo pelo ralo. Junto com ela, tudo o que eu sou e que quero ser, que tem que ser descartado antes que eu saia pelas ruas, e como qualquer uma, suba no ônibus, entre na sala de aula, ouça, coma, pense, pratique, risque, apague, respire, fundo.
Acendo um cigarro, na tentativa de não sei mais o quê. Acho que pra me sentir suja e podre por dentro, me sentir mais eu. Acho que é pra relaxar. Já deixou de ser uma coisa racional. Agora os meus dedos se movem sozinhos até o bolso, e depois à boca, e depois ao rosto. Com vergonha, porque eu não consegui cumprir o trato. Eu desapontei todo mundo de novo.
O pior de tudo é que eu não quero parar. Não é o cigarro que vai me dar câncer, é todo o resto.
A culpa não é totalmente minha. Eu estou atrás desse rosto que só diz o que eu não quero dizer, que mal aprendeu a cuspir, que tem um brilho falso nos olhos. Eu não sou só isso. Tem um cigarro preso na minha boca, mas você não precisa olhar agora. Não precisa assistir, só saber que ele está ali. E não é porque eu quero chocar, não é porque eu acho bacana. É porque eu simplesmente não me importo.
E é uma pena que não dê pra ver isso na minha cara. É uma pena que pareça que eu estou escondendo. É de se lamentar que por mais que eu puxe, contorça, rasgue e fure essa jaula angelical, ela não vai abrir. É uma máscara que eu não escolhi.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Eu não sei qual é o jogo
Mas eu não estou caindo
Cansei de brincar com fogo
Mas você está pedindo

Tire sua máscara
E dance comigo
Odeio ser a carrasca
Mas se quiser, eu consigo

Dois pra frente, dois pra trás
Escorregue a mão no meu vestido
Mostre como você bem faz
O papel de bom partido
Depois me espera no altar
Sozinho com uma flor
Porque eu não vou mais voltar
Eu não quero o seu amor

terça-feira, 22 de maio de 2012

S: Eu não gosto.
X: De que?
S: De silêncio. Eu fico desconfortável
X: Ouça o barulho do mar.
S: Não é desse silêncio que eu tô falando.
X: Esse é o ponto.


S: Você sente falta dela?
X: Todos os dias.
S: Eu também.

S: O que você vai fazer?
X: Eu ainda não sei... Acho que já fiz muitas coisas.
S: Acho que você já fez tudo o que podia.
X: É impossível fazer tudo o que se pode fazer. Uma coisa impede a outra... É complicado.

X: Mesmo assim... Eu acho que vou continuar tentando, sabe?
S: Nunca se sabe...
X: Mas acho que um dia eu vou saber. Existe algo nas estrelas... Esperando por mim. Eu sinto isso. Eu sempre fui muito cética, mas isso arde em mim de uma forma que meu cérebro não consegue controlar. Eu quero ir logo, mas algo me diz que eu ainda tenho que esperar, ainda não explodi, ainda não queimei o suficiente. Acho que uma explosão mudaria tudo. Acho que queimaria essa coisa preta que tem dentro de mim. Ou talvez isso que explodisse e queimasse tudo ao redor, deixando meus cabelos por último. Nunca se sabe, é...
S: ...
X: Eu sou uma incógnita, nada mais que isso. Todo mundo quer descobrir o que eu sou, mas está mais na cara do que parece: eu sou uma incógnita, e só. O não ser ou desconhecer nunca vai ser compreendido por quem nunca foi uma estrela.


S: O que você tá fazendo aqui?
X: Olhando.
S: O que?
X: Tudo o que se tem pra olhar.
S: É impossível olhar tudo o que se tem pra olhar.
X: Esse é o ponto.
As vezes eu tenho vontade de acordar cedo. Colocar as minhas botas de frio, o meu sobretudo e andar na chuva gelada. Dissecar um coelho, e encontrar sua jaqueta preta lá dentro, mastigada e digerida. Eu tenho vontade de gravar em uma super-8 todas as vezes que o meu celular pisca com uma nova mensagem que eu sei que é sua, e todas as vezes que você sorri espontaneamente quando eu digo algo que ninguém mais diz. Tenho vontade de rever mil vezes nosso beijo na chuva, e captar o quanto nós não ligamos pra mais nada quando estamos juntos.
Eu estou imersa em um universo que não é o meu, não é a realidade, mas não consigo acreditar em nada além disso. Cada vez que eu aperto o número 3 no elevador de um apartamento do Canela, eu sinto como se estivesse ligando uma aeronave para ir pra uma outra dimensão, onde tudo se encaixa perfeitamente e as coisas são felizes.
Eu não quero nada além disso, e eu sei que é preocupante, mas o que eu posso fazer? Existe uma magia no extraordinário que te vicia, te prende, e nada mais é suficiente. Acho que isso faz parte da minha natureza, ou da natureza humana em geral, eu não sei.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

and when love comes again... hello

Eu sou uma pessoa inquieta, desregular, insegura e instável.
Mas eu consigo me encontrar agora. Eu consigo me encontrar no amor. E é isso: eu te amo, menino.
Eu sei o que é ser feliz quando você me abraça, quando leio as suas mensagens e vejo os horários repetidos, e penso em você.
Eu amo os clichês, porque ao menos eu me identifico neles. Eles me fazem sorrir, eles me entendem e eu me aceito, porque o amor não é nada mais do que isso: um clichê idiota e enjoativo, mas que te faz fechar os olhos e sorrir, sabendo que alguma coisa ainda está viva dentro desse emaranhado de merdas que vão acontecendo diariamente.
É uma coisa que me preenche, uma espécie de dor bonita que percorre todo o meu corpo quando eu respiro fundo ouvindo uma música boba. Eu amo isso. Eu amo amar.
Talvez seja por isso que eu tenha estado tão perdida todo esse tempo: eu sou uma amante. Insaciável. E o que eu mais quero, meu amor, é que eu esteja satisfeita com você eternamente. Por favor, eu só quero que isso fique. Eu tenho muito medo de que isso vá embora, não quero me perder outra vez.
O que eu mais quero, menino, é que a marca da sua mordida não saia nunca. Mesmo que doa, machuque, sangre, ou arranque um pedaço de mim.

"And when love comes again
and when love comes
hello...
rises from their throats like singing
catches in their hearts like wind
the good things
strangers in their arms are bringing
makes life all right again.

They turn their faces to the light
no longer hiding in the night
so unashamed and unafraid
that they can face each other's faults
and though the waltz will have its ending
there is no harm in just pretending
that they are special and apart
the lovers, the lovers of the heart... the lovers."

terça-feira, 8 de maio de 2012

"Era isso o que a morte fazia, ela tratava você feito uma criança, como se tudo aquilo que você tivesse pensado, feito e amado na vida não passasse de uma brincadeira de criança, algo que podia ser amassado e jogado fora quando tudo chegava ao fim. Como se nada importasse. A morte não respeitava ninguém. A morte achava você um idiota, e queria que você soubesse disso."

sexta-feira, 4 de maio de 2012

As coisas não são mais como antes. Os dias vão passando e as certezas vão diminuindo, tudo parece possível na mesma medida que impossível, os dias se tornam insuportáveis, com alguns segundos pra respirar, quando você se senta e sente seu pulmão apodrecendo com oxigênio e toxinas.
Se fosse só isso...
Todo mundo tem problemas, garotinha. Todo mundo é fodido, não me venha com essa conversa. Mas é assim: é como se afogar, é como procurar pela carta de Hogwarts que você sabe que nunca vem, mas até lá você vai arranjando coisas pra passar o tempo, nada muito fixo, sabe, só pra não ficar inerte enquanto o tempo passa.
Bom, eu não quero mais isso. Eu não estou bem. Eu não estou bem e isso não é certo.
Às vezes eu acho que é tudo uma corrida absurda atrás de pequenas doses de alegria, coisas que te façam esquecer o que está realmente acontecendo, coisas irreais e doces demais, que você engole pra enganar o seu estômago. Só pra aumentar o nível de açúcar no sangue e fingir que seu estômago está satisfeito, como diz o meu pai.
Eu não estou satisfeita. Eu tenho fome, uma fome voraz e insuportável, insaciável, uma coisa que me devora e que me faz vomitar todas essas mentiras que às vezes eu finjo acreditar. Eu tenho tanta fome, que me sinto enjoada. Enojada.
E então, o que vocês tem a me oferecer? Eu estou esperando. Aliás, não estou só esperando, eu estou indo atrás com tudo o que eu tenho. Eu vou gastar cada gota de suor que esse meu corpo fraco tem a oferecer, se for preciso. Eu vomito quantas vezes quiserem, eu faço da bile a minha amiga mais íntima. Eu só quero saber o que é que tem, afinal de contas, de tão bom no menu.
Porque não pode ser que seja só isso. Não pode ser que seja tudo tão pequeno. Não pode ser que eu vá perder todo mundo, um por um, até me perder e me afogar nesse mar incerto que é a morte. Eu estou morrendo, a cada dia, cada vez mais um passo pro oceano, o oceano que - supostamente - espera a todos nós.
Não quero mais esperar. Por nada. Nem por Hogwarts, nem pelo oceano, nem pelo fim do túnel. Eu quero viver.

"We're all just waiting to die."
eu amo a gente
amo mesmo
porque é a única coisa que eu sei que sempre vai ficar bem

segunda-feira, 30 de abril de 2012



Up from the pastures of boredom
out from the sea of discontent
they come in packs like hungry hounds
the seekers of the dark enchantment.

They haunt the boulevards and bars
they pray to wishing wells and stars
they ride the hurricane of hope
not looking back but on they go
toward the distance and deceiving
and all the while they keep believing
they are special and apart
the lovers, the lovers of the heart... the lovers.

And when they pair off two by two
they feel they are the chosen few
and though their beds are made of straw
they feel like velvet in the night
and so the night is never ending
it's made of distance and pretending
coz they're special and apart
the lovers, the lovers of the heart... the lovers.

And when love goes away
and when love goes...
goodbye...
catches in their throats like cotton
rises in their hearts like rain
the good times suddenly are all forgotten
the hunt begins again.

They search the subways and the streets
their faces tired, like their feet
their bodies aching to be warm
and so they hide behind the moon
their loneliness inside them growing
but they take comfort in just knowing
that they are special and apart
the lovers, the lovers of the heart... the lovers

And when love comes again
and when love comes
hello...
rises from their throats like singing
catches in their hearts like wind
the good things
strangers in their arms are bringing
makes life all right again.

They turn their faces to the light
no longer hiding in the night
so unashamed and unafraid
that they can face each other's faults
and though the waltz will have its ending
there is no harm in just pretending
that they are special and apart
the lovers, the lovers of the heart... the lovers.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

fake king

City streets don't look so good
When your shoes are too tight
And you're feeling out of tune
But they say "let's just enjoy the night"

Everything seems so meaningless
Why are those girls dressed like queens?
I mean, it's a beautifull dress
But don't you prefer a pair of jeans?

Well, now you saw something new at the bar
Something that shouldn't be there
Her eyes seem to be so far
You couldn't say its even fair

"Are you going home alone?"
"As alone as I should"
"Should I allready be gone?"
"Don't know bout you, but I would"

And the party goes down
While the queens take off their heels
Well don't know much, but you feel
Like she deserves the crown

And she said
"You think you're special, cool
Coming to the club and judging everyone
Guess what, you're nothing but a fool
So, yes, you shoul allready be gone"

The queen is a killing machine (3x)

Half-Shaped Jay Gay

Hold your breath
Cause here he comes
He's right on left
and he's got shivered bones

You don't know who he is
But you feel your hands to shake
You say "don't do it, please"
But at this point you don't even know whats fake

Cause he's a half-shaped man
And you don't know what it means
You try to think of a plan
But now you're trapped in his
And when you're half-broke
Don't lose yourself, silly girl
He's just another one
To greet you with pearls

And you hate it, don't you?
How easy it can be
But it's not a game that you lose
Silly girl, he'll never be free

Cause he's a half-shaped man
And now you know what it means
Your forgot about your plan
Because you're trapped in his
And now that you're half-broke
Don't lose yourself, silly girl
He won't be the last one
To lie to you with pearls

You could make him shrink
Losing his half-head
Instead, just have another drink
Silly girl, this could be just half-bad

segunda-feira, 16 de abril de 2012

It's not fair

There's always time
I don't know where I want to be
You held me to tight
It gets harder for me to breath

I'm always changing my mind
You saw it yesterday
I've seen it so many times
It gets harder for me to stay

And she's saying that I don't love you
With her hands messing your hair
I don't love you, well, you know
I don't love cause it's not fair

I can be just what you want
'Cause I've lost myself anyway
I've got castles made of sand
The sea will always take me away

I used to eat cereal every morning
Watch the kids on the TV
Now everything is so boring
As boring as you and me

And she's saying that I don't love you
With her feet under your shirt
Well, how could I ever love you
When I don't love myself at first

Mirror (Something Only You Would Know)

So we're finally in the dark
And you're looking in my eyes
In my back, you touch your mark
"There's no reason for goodbyes"

And you whisper...
"Just don't care
We'll still be here tomorrow
Just don't care
You can't be built of sorrow"

And my secret is reveled
You couldn't be more right
I forgot how to learn
'Cause my buckle was too tight

Well, right now I'm all alone
And all my dreams seem to fall
I can feel it in my bones
I shouldn't care at all

Mama we're all unsure
Do we really have to crowl?
I think my heart is not pure
But mama, I don't care at all

So give me your hand
And let your mind blow
We got some love to land
Something only you would know

quarta-feira, 11 de abril de 2012

My pillow was right

I shouldn't have left my bed today
My pillow was right
My blankets make more sense, anyway
Then everything the world can hide

Love, chocolat and illusions
And all the rules I must obay
It just makes me get to the conclusion
That I shouldn't have left bed today

I know I should get up
Force my body to move
But my eyes just kept shut
I just can't follow the groove

I couldn't be more selfish
I blame myself everyday
But even when I'm punished
My bed still makes me stay

It's not that I hate Mondays
Even saturday could disappear
Everyday the sky is just gray
But everybody say is clear

I shouldn't have left my bed today
Or anyday at all
I know that I have to stay
But I'm just done with the crowl

(end)

I know I have to pay
For those things I did when I was not may
Well, all I'm just trying to say
Is that you're the reason I left bed today

terça-feira, 6 de março de 2012

So cheap

Don't get too close to the flame
Yeah, he's trying to play with you
He always 'been good at this game
But he's trapped in the tracks you do

Always make him beg for his soul
You're used to it, anyway
And it's not quite simple, you know
You know you'll run away

CHORUS
But don't lose yourself
Yeah, don't lose yourself
Just don't lose myself
Again

'Said you'd never do these things
But the world spins just round and round
And you're trying to save a kiss
Yet there's no more feelings found

Try to close your eyes
Feel your heart to beat
There's no more life, just lies
You sold it out and it was so cheap

CHORUS

Guess you'll lose yourself
Guess I'll lose myself
Again

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

o fim e o começo

Um pouquinho de tudo se esconde no canto de um sorriso que ninguém sorri mais. Um pedaço de nada que não é nem visto, que não tem nem graça nem ritmo, uma quina de coisa que nenhuma luz pode iluminar ou ofuscar, que não faz parte e não se entende como nada. Um pouco de toco bruto, seco, sem eco e sem cura, no ultimo centímetro da nossa loucura, e é tudo tão desconhecido, é tudo tão cansativo, sem graça, sem vontade, sem peso, sem fome, sem beijo, sem suspiro, sem frio, calafrio, nem metade de um arrepio eu consigo levantar.
Um pouquinho do nosso amor eu escondi em um grafite que vi em algum lugar, um desenho colorido que nem aquele sorriso amarelo e rosa e vermelho e quente, eu sentia arder cada suspiro que eu dava longe de você, como se um dos meus pulmões só funcionasse com seu perfume, como se as minhas veias só fossem esverdeadas quando seu cilho roçava nas minhas bochechas, rubro e macio, e suave.
O meu nariz escorria um banho rápido e tenso, e tão puro, tudo tão puro, eu enlouqueci e me perdi, e me encontrava cada vez que meus joelhos falhavam quando tocavam nos seus, e o tempo parava pra eu entender que aquilo era nada e tudo era tão pouco, era tanto, eu e você, era tudo e era tão pouco. Eu sinto forte como se os girassóis tivessem fugido de mim junto com as duas rosas brancas que representavam o começo de algo tão bom, cada dia mais próximas do fim, cada dia mais próximo do fim, e cinco sempre foi o meu numero da sorte, né não?
As intensidades variam junto com a minha respiração, eu sentia que nada podia ir embora, mas eu fui, eu fiz a mala e fui, meu amor, e ainda não completei os selos do meu álbum, e mesmo quando completo me sinto cada vez mais vazia, cada figurinha retirada de mim e de você, e isso dói e rasga, rasga fundo o nosso álbum colorido, meu pedacinho de coisa, meu pedacinho de mim, e de você, e de nós, e era tanto, e foi pouco pra mim, eu não sei porque.
Eu não sei, eu não tenho as respostas; eu nem sou nem faço, eu não me responsabilizo, não vejo, não quero, não sinto, respiro, piro, um, dois, três, quatro, cinco. Cinco, meu amor. E Marte e Vênus e Mercúrio gritam pra que nós nos entendamos, mas as rosas murcham, e no lugar delas vêm micróbios e lagartos, e elas se decompõem sobre o nosso chão, sob nossos olhos, para que novas rosas venham e cresçam e morram ou – quem sabe? – alimentem algum herbívoro inferior, né meu amor? A gente sabe disso há tanto tempo... A gente sabe, não sabe? Me diga que você sabe.
É tudo tão fútil, meu amor, eu e você é só um pedaço bruto e tosco de madeira velha, e os cupins vem aí, eles sempre vem, eu e você e os cupins, meu amor. Os cupins vêm aí, e não adianta fugir. Estamos em uma floresta, e não sabemos mais sorrir. Porque não somos mais nada, somos adubo pra novas rosas e já passou da hora de entender isso. Esperemos, amor, que as rosas cresçam de novo.
Raios de dor, vermelhos e roxos e pretos, mordem meu coração quando eu digo isso, mas é que não posso forçar as rosas a crescerem. Se é que elas ainda crescem. Eu quero que cresçam, mas e se crescerem margaridas? Você está pronto pra isso? Você está pronto pra não ter o cheiro do capão? Eu lhe dei o meu coração, mas ele não existe mais, e agora são só cupins, tudo é tão pouco, tudo é só cupim, meu amor, então vamos aproveitar que eles vivem e mordem, e devoram tudo com tanta voracidade, com tanta! Amor, mo, mozinho, mordida de bolo de chocolate minha, tudo é só cupim. Dói e corrói, é tudo cupim. Nada faz sentido, eu muito menos. É um fim, e um fim é só mais um começo. É tudo um fim e um começo. É tudo tão lindo.
...Fim.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

se cada pedaço de mim fosse eu no seu pedaço de flor, se cada cor que eu grito chegasse no seu tom de azul, o céu seria mais bonito. se as estrelas que eu engulo tivessem o gosto do seu cereal, e se a metade um dia não tivesse metade, eu estaria infinita no canto do seu olho.
queria que os meus "e ses" tivessem o gosto do seu primeiro bocejo, e que amanhecessem com seus olhos cansados. queria que eu pudesse caber na canção que seus dedos cantam quando se escondem de mim, ah, queria que o dia surgisse do meu sorriso, e o sol clareasse tudo e todos, sugando o suor que nós tanto salgamos. eu queria que o pedaço da minha pele se perdesse na sua pele, e que selassemos nossos passos no silêncio, sem medo. eu queria que o tempo me abraçasse como abraça a todos, mas me sufoca, e eu sou só um pedaço de qualquer coisa, eu sou só um só.
se um dia um pedaço de mim for o suficiente, me mande uma carta. meu coração não bate como antes, meus olhos não me reconhecem, e eu peço desculpas por me apoiar em outras palavras pra me explicar.
as minhas unhas crescem e se assustam com o mundo. e, como eu, se partem e se encolhem, descascando diante do que é que pode ser.
eu me pinto, me corto e descorto, me transformo já não sei pra que, por onde, não sei onde está o que eu costumava afirmar, não sei onde estão os fins de semana, a flor amarela, o feijão do dente e os mergulhos de mar que eu sempre amei, que eu sempre fui.
eu cresci. eu tenho medo do mar. eu tenho frio. saudade de tanta coisa que o salgado só é lágrima. quente. eu tenho medo do mar.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Lana

Close your eyes and feel the wind, baby
You were born like this, weren't you?
We all have something to carry on, when we're lazy
There's no reason to feel blue

Come here, I'll sing you a song
I'll count the stars and give you a smile
You know you shine like the sun
Even though the night stays for a while

Calm down, little lion, just le it be
These fleas are just another sparkle
And when you feel like you are sick
I'll be here to relax the buckle

<3 love you, lans.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

o porão sem graça

Ela caminhou até o seu destino nas pontas dos pés, tentando fazer com que o assoalho não rangesse como sempre, ou que o som do seu tênis batendo na madeira não se escutasse. Tinha apenas um celular na mão pra iluminar o caminho, e a chuva não ajudava com a localização. Quando finalmente chegou no fim do corredor, conseguiu visualizar melhor o cenário que lhe era tão familiar na infância: o sofá verde mofado, a cortina roxa agora com machas cinzas, e o caçador de pesadelos que um dia era algo mais do que um circulo com alguns fiapos coloridos pendurados, presos sabe-se lá como ou porquê. E, no canto direito, ao lado da mesinha torta, a caixa. Dentre todas as coisas ali, era a que se encontrava mais fiel à suas memórias: mantinha a tampa cor de madeira e o resto coberto de fotos coloridas de revistas diversas que ela mesmo colara em uma tarde de chuva como aquela. Tocou com as pontas dos dedos pra ver se sentia algum arrepio, mas não... Suspirou e carregou-a até o sofá.
Acomodou-se da melhor maneira que pôde, empenhando-se em não forçar as molas, fazendo-as rangerem como sempre rangeram desde que se entendia por viva. Esticou as pernas suavemente e debruçou-se sobre a caixa grande, como se fosse um mapa a ser desvendado. Sentindo o mofo penetrar no seu nariz e temendo pela alergia que lhe causaria depois - como sempre -, procurou assoprar a poeira por cima da tampa e levantá-la sem sujar mais os dedos. Não existia uma razão específica ainda em sua cabeça para estar fazendo aquilo. Não era a velha vontade de sensação de nostalgia, ou o desejo de não esquecer do que um dia foi importante: era algo mais. Ela queria sentir, dentro da sua espinha, que estava viva. Queria estar segura de que a onomatopeia contínua em seu pulso e o movimento de suas veias verdes - claramente visíveis - não eram a única prova disso. É óbvio que ela ouvia seu coração bater em compasso - mais forte agora que estava em um lugar escuro e assustador - mas aquilo não era o suficiente: o seu desejo por estar em qualquer lugar fora excluído de seu corpo, sentia-se um peso que vivia acomodado, procurando pequenas coisas que poderiam ser divertidas, mas que não lhe custassem muito esforço; um livro, horas no computador vendo imagens e vídeos inspiradores e deixando-os do outro lado da tela sentindo que nada do que lhe interessava existia na realidade.
Queria sentir vontade, LUZ! E a última coisa que lhe ocorrera fora a sua caixa de recordações, que preparara alguns anos atrás - talvez pressentindo que dias como esse chegariam.
Tentou não respirar fundo pra não tossir, e abriu vagarosamente, tirando a poeira grossa que cobria a parte exterior - por que aquele porão era tão sujo? - e mantendo a cautela pra não acordar ninguém na casa ou, ainda pior, qualquer bicho que poderia viver por ali em baixo.
Começou com as cartinhas: papéis coloridos, canetas brilhantes, letras tortas, grafia errada... As declarações que juravam ser pra sempre, e o beijinho de batom no canto da página. Frases de alguma Clarice Lispector, histórias engraçadas, piadas internas que não lembrava mais. Um mundo de coisas que achava que eram reais e foram caindo diante dos seus olhos... E só conseguira perceber agora. Quanta coisa mais não fora assim?
Continuou com os papéis de bombons de pessoas que jurava amar, o botão de uma camiseta que não era mais sua, um chaveiro que não significava mais o mesmo... dois, três, quatro! Vasculhou pra encontrar lacinhos, óculos quebrados, pedaços de caneta, papel crepom em forma de rosa, ingressos de cinema falhos e um cartãozinho vermelho que um dia já lhe custara muito caro... E hoje em dia era só papel com cheiro de mofo.
Parou quando percebeu que o que mais temia estava acontecendo: tudo aquilo, que já foi o mundo, hoje em dia era tão sem sentido que pensou em jogar fora. E mesmo dando-se conta disso, nem uma lágrima surgiu para consolá-la e mostrar que arrependia-se desse pensamento. Como é que os ponteiros se atrevem a transformar todo esse mar de sentimentos e cheiros em nada?
Fechou a caixa, suspirou, espirrou sete vezes e voltou encolhida para a cama, calculando quantas horas de sono poderia ter até ter que acordar para a aula mais uma vez. Até quando?

Talvez só aconteça comigo, mas agora só sinto medo. Medo de que o que tenho agora se torne nada mais uma vez, e que um dia eu chegue a só sentir o vazio dentro de mim. Sinto como se cada dia ficasse mais opaca, como se o buraco negro se expandisse mais e mais, sugando toda a explosão que eu sentia quando respirava fundo.
Quando sentei na minha cama e vi que começara a chover sem que eu me dera conta, tentei procurar dentro de mim a felicidade por ver as gotas descendo pela janela e só consegui sentir indiferenças. Como isso pôde acontecer?
Eu quero voltar a acordar sorrindo, estremecendo com a conversa que tive ontem a noite e me sentindo insegura sobre como eu vou agir a partir de então. Estou em um dos anos mais importantes da minha vida até agora e só o que eu sinto é que está tudo igual - ou mais sem graça. Onde está a luz que eu sentia e emanava?
E quando as estrelas não me causarem mais arrepios? Pra onde é que eu vou? Como é que eu vou sem você?
E se meus castelos não forem mais de areia? E se não existirem mais castelos?

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

@bsolutamente c a m i l a


And she walked away, well her shoes were untied
And the eyes were all red,
You could see that we'd cried, and I watched, and I waited
‘till she was inside, forcing a smile, and waiving goodbye
Curiosity becomes a heavy load,
Too heavy to hold, too heavy to hold
Curiosity becomes a heavy load,
Too heavy to hold,
We’ll force you to be cold

E se o mundo acabar esse ano? É isso o que fica? Eu tenho medo, uma dor aguda nas costas quando penso no que vem. Senti hoje como se mais um pedaço do meu coração estivesse se preparando e congelando, pra só voltar a bater de verdade em 2013. Mas o ponto não é esse. Eu preciso de um texto pra lavar essa poeira inquieta que coça a garganta, pra dizer o que eu não consegui quando solucei no nosso abraço. Eu tinha tanto, tanto pra dizer!
Eu lembro de como tudo começou, com uma menininha loira e uma velha de voz rouca que tinham muita coisa em comum. As "amigas feias" que tinham tanto a mostrar e eram ofuscadas por uma Vênus em leão irritante. A diferença de idade enorme mas ao mesmo tempo inexistente, a mesma posição desconfortável na história, esperando por alguém pra se reconhecer. Foi mágico, rápido, leite instantâneo... Lembro quando escrevi algo sobre não precisarmos de palavras pra conversar e rir por horas do quão ridículas eram as coisas em geral. As suas lentes de velha - que nada tinham a ver com o Harry Potter - me ensinaram um milhão de livros que eu não sei por onde começar, de tão incorporados a mim que já estão.
Existem coisas que ninguém mais entenderia, pedaços de mim e do mundo que só você vê e entende, ou sabe falar sobre. Eu fiquei surpresa como não conseguia enxergar coisas que estavam bem no meu nariz e percebi - com muita resistência e teimosia de canceriana - que também precisava de um óculos de grau (que, fisicamente falando, nunca chegou).
As nossas lentes se adaptaram, nós conversamos sobre as estrelas, sobre como o mundo é pateticamente engraçado, e nos divertimos sem culpa nem medo. Nos escondemos nas histórias de Kelly Link pra descobrir todas as vertentes do que tínhamos conhecimento. Eu reconheci uma parte de mim com você que não consigo mostrar pra mais ninguém.
É claro que você não vai embora pra sempre. É o que eu disse: é só um ano. Um ano é tão pouco e tanto! Mas senti arder o arrepio de te ver entrando na sala de embarque, sem óculos, com os olhos borrados e vermelhos: jovem. Com toda a sabedoria e mágica que existe em rejuvenescer, esperando o que a vida tem na bandeja, com o seu jeito excêntrico de sempre. Vi seus olhos jorrando juventude, e sorri. Nada me faz mais feliz.
Ficar encontrando metáforas pra descrever o que eu sinto é a minha sina, mas não tenho como dizer nada mais limpo: eu te amo muito, muito, muito. Que se foda se é só uma amizade de adolescência e que se foda se não for também. Eu vou sentir falta de tudo: dos episódios de House, das nossas receitas, nossas risadas sem ar e do seu quarto florido. Vou sentir falta da Camila que você é comigo e da Sophia que eu sou com você. Das roupas confortáveis, dos filmes bons, da pizza congelada e das horas rindo dos posts no 9gag. De rir da sua voz rouca e sua instabilidade pra fazer o corte de cabelo que tanto queria. Do calor, da dor, dos abraços desengonçados e das turvas de crescer e descrescer ao seu lado.
Estou aqui, sempre. Não é um fim, mas é uma vírgula dolorosa.

sábado, 21 de janeiro de 2012



Lately I've been wishing I had one desire
Something that would make me never want another
Something that would make it so that nothing matters
All would be clear then
But I guess I'll have to settle for a for a few brief moments
And watch it all dissolve into a single second
And try to write it down into a perfect sonnet
Or one foolish line
Cause that's all that you'll get
So you'll have to accept
You are here and then you're gone
But I believe that lovers should be tied together
Thrown into the ocean in the worst of weather
Left there to drown
Left there to drown in their innocence
But as for me I'm coming to the final chapter
I read all of the pages and there's still no answer
Only all that was before I know must soon come after
That's the only way it can be
So I stand in the sun
And I breathe with my lungs
Trying to spare me the weight of the truth
Saying everything you've ever seen was just a mirror
You've spent your whole life sweating in an endless fever
And laying in a bathtub full of freezing water
Wishing you were a ghost
But once you knew a girl and you named her "Lover"
Danced with her in kitchens through the greenest summer
But autumn came, she disappeared, you can't remember
Where she said she was going to
But you know that she's gone
Cause she left you a song
That you don't want to sing
Singing, I believe that lovers should be chained together
Thrown into a fire with their songs and letters
Left there to burn
Left there to burn in their arrogance
But as for me I'm coming to my final failure
I've killed myself with changes trying to make things better
And ended up becoming something other
than what I had planned to be
All right
I believe that lovers should be draped in flowers
And laid entwined together on a bed of clover
Left there to sleep
Left there to dream of their happiness

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

"Sente-se, e me responda" - disse a mulher de preto - "o que achou do jantar?"
"Horrível, senhora."
"O que faltou?"
"Faltou vontade. Faltou o cheiro de significado. Faltou tempero, anseio por ser bom... É a mesma mesmice, o tempo todo. Tá faltando nem que seja ganância. Tá faltando pessoalidade, e algo original. Estamos cozinhando o mesmo prato há anos, a única coisa que mudou foi o jeito como é servido. E cá entre nós, é cada vez pior."
"Da próxima vez, você cozinha."
Eu não me acho melhor do que isso tudo. Eu sei que ninguém tem culpa de nada. Mas é uma angustia muito forte o que toma conta de mim. Uma vontade de abrir os olhos das pessoas, sacudi-las e tentar explicar o quão ridículo é.
Não é exagero: me deprime. Me deprime ver tantas coisas compartilhadas sobre o Big Brother e um suposto estupro, me deprime ver um cantor com uma suposta pedrada na cabeça e me deprimem as opiniões dos meus "amigos" sobre isso.
De verdade, é uma agonia. Uma vontade de mandar isso tudo a merda e ir embora o mais rápido possível. De excluir todo o mundo da minha frente, ou então ME excluir. Mas minha lua em aquário não deixa.
Até as coisas que são mais importantes do que toda essa porcaria já estão banalizadas. Você tenta discutir, mas acaba se sentindo uma miss burra na passarela, repetindo o mesmo discurso de quando você tinha quatro anos pra no final perceber que não existe nenhum sentido em continuar falando.
Só me resta fechar os olhos e rolar na grama, mesmo que machuque a minha perna.
Se eu te dissesse tudo, você fugiria. Então vamos respirar fundo por agora e nos satisfazer com o toque de mãos, a unha áspera, o cheiro que eu não sinto... Só por agora, vamos ficar quietinhos e ouvir o final do CD cantando ao nosso gosto.
Às vezes eu preciso de mais do que qualquer um pode oferecer, e eu sei disso. Mas existe uma sincronia, uma vontade de sorrir, um desejo imaturo por trás de tudo isso e eu não quero mais fugir... Eu quero deitar e olhar as estrelas, mesmo que sejam de mentira. Eu quero sentir frio e dificuldade na respiração, só pra me lembrar de que sou humana.
Eu preciso de algumas coisas pra lembrar que tenho um coração e que posso senti-lo mais uma vez, mesmo que seja por um milésimo de segundo.
É tão frio... Quando fecho os olhos sinto um vazio, um buraco negro que está sempre me sugando. Quantas vezes eu vou ter que fazer silêncio pra me certificar de que está mesmo batendo? As minhas olheiras cansaram de me alertar de que estou me tornando o que mais temo no mundo, mas é como uma queda: por mais que eu tente me agarrar em qualquer coisa pelo caminho, isso só me machuca mais, só quebra mais as coisas ao meu redor. Eu continuo caindo...
Se eu te contasse tudo, você se viraria e iria embora. Eu sei que você iria.
Mas eu preciso. Eu preciso tanto.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sente do meu lado, me dê alguma coisa gelada e sem álcool, me faça respirar de novo e sentir que nós somos pra sempre... Eu e você, aqui, no conforto da minha casa, não precisa de barulho, não precisamos de palavras, só olhe nos meus olhos e me faça sentir aquilo de novo, por favor, como se eu fosse tudo em você e você fosse tudo em mim... E quando eu fechar os olhos, eu vou ter certeza de que a qualquer momento que abri-los vamos continuar lá, com o mesmo sentimento, a mesma certeza, o mesmo cheiro do capão. Ah, meu amor, eu quero sentir os raios e trovões dentro da minha barriga de novo, você não sabe o quanto...
Era tudo tão simples, eu e você, era tão fácil... E tão tranquilo, terno, o quanto nós nos odiávamos com tanto amor, com tanta intensidade e força! Eu só queria poder sentir aquilo de novo... Mas você vem e corta, com suas lágrimas, seu rancor, sua raiva e sua incompreensão... Seu olhar de decepção me dilacera, me destrói, me torna outra pessoa...
Eu só quero você, e ao mesmo tempo é tudo o que eu menos quero no mundo... Me deixe odiar a sua família e a sua infantilidade de novo, me deixe voltar pros seus braços como a perdida que eu sempre fui, por favor, não venha me procurar...
Deixe que eu vá até você, e vamos ver um filme, comer pipoca, sentir ciúmes dos personagens na televisão e depois esquecer tudo embaixo d'água mais uma vez, como antes, só como era antes...
Eu sou um pedaço de madeira apagado, e não consigo acender de novo. Eu preciso de você pra isso, mas você não consegue existir mais, você se tornou só ódio e desilusão, e eu te amo tanto...
Nem que seja uma vez só, larga esse feto doentio que é a insegurança e voltemos, os dois, ao que éramos... Eu não vou aguentar esse ano se não souber o que eu sou, e eu só sei isso quando estou com você.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

People are afraid of themselves, of their own reality; their feelings most of all. People talk about how great love is, but that’s bullshit. Love hurts. Feelings are disturbing. People are taught that pain is evil and dangerous. How can they deal with love if they’re afraid to feel? Pain is meant to wake us up. People try to hide their pain. But they’re wrong. Pain is something to carry, like a radio. You feel your strength in the experience of pain. It’s all in how you carry it. That’s what matters. Pain is a feeling. Your feelings are a part of you. Your own reality. If you feel ashamed of them, and hide them, you’re letting society destroy your reality. You should stand up for your right to feel your pain. —Jim Morrison