terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Tem dias que essa cidade só é suja, e eu, que queria me esconder na minha cova e esquecer da luz do sol, me obrigo (ou sou obrigada) a sair de novo e me queimar. Já saí do vício do cigarro, mas em momentos como esse, acendo um pra que seja meu companheiro. Eu não sei se é porque tá perto do Natal, mas tem muito mais gente pelas ruas e isso me deixa melancólica. O meu maior medo é esse: de ver milhões de pessoas e ainda me sentir profundamente sozinha. Já tem muito tempo que eu tenho esse buraco dentro de mim, e na maior parte do tempo eu sei manejá-lo, mas tem épocas em que ele toma conta de mim e eu não consigo me livrar da escuridão que a solidão provoca. Acho que as pessoas gostam mais da versão de mim que acredita no amor, e que faz piadas alegres no bar. O fato é que quando você confronta a tristeza de verdade, a alegria parece uma grande mentira. Até mesmo quando se confronta a alegria, tem uma parte de você que sabe que vai acabar rápido e te deixar com o gosto amargo de sempre.
Eu cansei de me sentir incompreendida, e no mais profundo de mim, eu sei que isso é culpa minha. Eu cansei do social, porque eu nunca confiei nele o suficiente. Eu não tenho mais abertura pra dar. A parte mais verdadeira de mim só quer desistir. Eu não quero mais continuar me esforçando pra fazer isso valer a pena. Eu olho pra mim mesma há quatro anos atrás e eu tinha certeza de que as coisas iam melhorar e que a vida não era só isso... E é exaustivo saber que as coisas só ficaram piores. Eu não tenho mais fé no que vem, nem quero ter. Tudo o que me prometem na tv, no cinema e nas redes sociais é muito mais bonito do que o que eu tenho aqui dentro. E eu já esgotei os meus sorrisos falsos e meu  "smal talk", já esgotei minha confiança nas pessoas e minha vontade de estar com elas, já esgotei minha vontade de tentar.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

As vezes eu quero sair correndo e te encher de beijos e lambidas e mordidas e gritar que eu te amo, eu te amo, eu te amo! e fazer com que você não entenda nada, e fazer com que você me entenda em tudo, e fazer você saber que eu te amo... e sabendo, me amar também. As vezes eu queria que o mundo todo parasse pra olhar a gente e dizer como a gente é feliz, que tudo isso vai passar, e que na verdade a gente é bem sortudo de ter se encontrado. Queria que tudo isso que você me ensinou tivesse sido fácil de aprender, e o que eu te ensinei não tivesse sido um saco. E as vezes eu até acredito que essa minha chatice vai passar, que um dia eu vou contornar o ciume, e o meu coração vai ficar cheio de coisas mais puras do que as que eu sinto de vez em quando... só por causa do amor.
Isso é só as vezes, porque o amor não basta, e a gente se chateia, e de repente tudo fica cinza e a gente não entende como as coisas podem ficar tão complicadas por uma besteira. E a gente tem pouco tempo, e a gente dramatiza, e a gente acha que não vai dar certo, e a gente se afoga em incertezas, e a gente vai fundo, fundo, e eu fico sem ar, e eu me encho de culpa, e eu entro em desespero, e dá pra ver no meu olho o quanto eu queria voltar cinco minutos no tempo e só não ter dado aquela resposta amargurada que desencadeou tudo isso, mas agora meu orgulho não vai me deixar desdizer...
Mas daí a algum tempo tudo é bonito de novo, e eu quero correr de novo, e a gente sorri, e a gente volta ao ritmo que a gente criou e a gente - eu - te amo, te amo, te amo! E acredito de novo.
Só que ontem eu aprendi a acreditar até quando to longe. E eu quero mesmo que você esteja perto. E eu quero mesmo que você confie em mim, assim, bem assim... como eu quero confiar em você. E eu passei a te amar quando tomo sorvete de chocolate. Ou quando vejo um lugar bonito. Ou quando sinto um cheiro bom. Eu te amo quando acordo de um sono tranquilo. Eu te amo quando ouço uma música linda. Eu te amo quando vejo um filme bom. Te amo quando meu dia vai bem, e te amo quando entro no mar.
E é por isso que eu não vou desistir. E a gente vai aprender, e meu ciume vai sumir, e nossas brigas vão passar, e o mundo vai ver como a gente é feliz por causa de tudo que a gente vai criar.

Que bobo, né?