segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

No balanço de um barco, meus pensamentos vão pra frente e pra trás: será que eu to no caminho certo? Existem alguns objetivos que eu quero alcançar, mas só posso ir tateando e tentando enxergar alguma coisa nessa escuridão. Acendo algumas velas pra poder ver melhor, mas no final das contas elas só acabam me cegando mais. Fecho os olhos e tento ouvir o meu caminho. Meu caminho é uma música melódica, um passeio solitário e um pouco melancólico, mas com alguns picos de bateria que me deixam atordoada e feliz. Minha música é algo que você pode ver bem dentro dos meus olhos, e é irônico que para ouvi-la eu tenha que fecha-los. Se eu não fosse tão perdida...
Sempre penso que esse caminho escuro e tortuoso pode levar pra um fim estupidamente claro e cegante, e lembro da história da caverna de Platão... No balanço de um barco, meus pensamentos vão pra um lado e pro outro: onde é que está a verdadeira resposta? Aqui ou lá? De qualquer forma, quando eu chegar lá posso acabar me acostumando com a luz e depois nunca mais enxergar aqui... No final das contas isso não faz muita diferença, porque não paro de ir. Mesmo nos momentos mais escuros em que eu tive vontade de desistir, eu segui. Eu sigo. As vezes pros lados, as vezes pra frente, as vezes pra trás. Como um bom barco, eu vou. No rio ou no mar, eu vou. Na selva ou na pedra, eu vou. Então quem é que me leva?
É o teu sorriso, é um sorvete bom que eu tomo, é uma piada boa, é um riso frouxo. É também o choro, o aperto, o cigarro ruim, o café passado. É a minha vontade de estar aqui e lá, é a minha essência que já disse pra muita gente o porquê de estar aqui mas nunca teve uma resposta pra si mesma. É o meu declínio, é o meu balanço. No balanço do meu barco, que sou eu, eu vou. Sozinha ou não, eu vou.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Ontem eu escrevi um poema. Eu tava bebada e aquele poema era exatamente tudo o que eu tinha pra te dizer, mas daí eu decidi que não quero te dizer nada. Joguei no lixo e esqueci. Se eu fizesse um poema pra mim mesma, talvez ganharia mais. Comecei a fazer outro. Escrevi um pouco no braço dos amigos que estavam comigo, na dança que eu dancei e no olhar que eu dei pra um estranho. Escrevi na minha outra cerveja, e nas outras que vieram. Escrevi na taxista mulher que me levou pra casa, escrevi no travesseiro e no meu corte novo de cabelo que eu odiei. Olhei pra você e não consegui escrever nada. Talvez eu só tenha tentado demais esse tempo todo fazer um poema em você. Fazer de um poema você e eu... e o máximo que eu consegui foi naquele pedaço de papel que eu joguei no lixo. Aquilo que foi nosso não era poema. Fazia muito tempo que eu não escrevia, e eu percebi o quanto preciso disso. Contar a minha história faz parte da minha escrita, viver quem eu sou faz parte da minha poesia... olhar pra você me dá indigestão. Mas eu vou digerir, e o que eu só percebi agora é que se não posso te fazer de poema nem de desgosto, você não é nada. Fazer o quê.

Falar de amor
Por si só
Não é amar
Paixão é pior
E a pior dor
É não lembrar
Se eu estou aqui
E você está ai
Não precisa nem começar
Mas se você vem
Não vai além
De mais pesar
É triste, querido
Ter um coração ferido
Mais triste ainda
É achar que a vida é linda
E não ter nada pra contar