quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Só conhecendo muito bem as palavras
Eu poderia descrever a decepção que é não ser ouvida
Tendo o domínio da fala, por nós, 
Eu poderia dar vida à voz 
Do sofrimento causado
Por um cuidado renegado 
A um presente precioso 
dado em forma de flor.
Ou se eu pudesse falar de dor 
Da maneira que cabe em seus ouvidos 
Escolhendo bem os teus versos preferidos
Pra que você entenda algo que não é seu...
Mas quando falo em versos teus, 
Já não falo do que é meu
E todo o meu eu se cala
Ao ser surrado por uma fala rala
Toda mulher já deve ter sentido 
A exaustão de ter seu universo ferido
Por ser muito amplo e profundo 
E ver o seu mundo, querido 
Tão singelo, intocável, real
Destituído por um argumento superficial
Se eu pudesse transmitir um olhar
Fazer a sua realidade tocar
No que é o ser feminino, e flutuar
Entre as diferentes percepções, 
Tornando possíveis as duas visões, 
Eu poderia te fazer sentir, dentro do peito contido
O que é ferir e o que é ser ferido:
A responsabilidade de ser um amigo.
Você falando sobre estar descalço
E, com os pés sangrando, eu assisto os aplausos
Porque jamais me tornarei você:
eu sigo atenta ao que causo.
Se dominasse as palavras, de nada serviria
Porque você as usa como um jogo, não com sabedoria
Mantenho minha fé e abandono sua teimosia
Porque Toda mulher também sabe

O que é lutar uma luta vazia