segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O que você quer fazer?

Essa não é a pergunta certa. Claro, a gente quer fazer muita coisa; a vontade é tão rápida quanto a velocidade da luz, mas de vontades à ações existem milhões de caminhos que poderiam mudar o mundo.
A pergunta também não é "o que você consegue fazer?" porque um corpo teoricamente saudável tem capacidades mil, uma imensa quantidade de possibilidades em si, esperando pra serem movidas; sinapses e mais sinapses que desenvolveriam a maioria das coisas que lhe pedissem, com  o esforço devido.
O tamanho da vontade - assim como o da capacidade - nunca foram os reais requisitos para que uma ação seja tomada. Veja bem, o segredo está em encontrar o encaixe sublime que existe dentro de alguma parte do seu ser, aquele singelo "clac" de uma cordinha sendo solta que faz com que, involuntariamente, seu corpo movimente-se para aquilo, como se fosse a única coisa a se fazer no momento: uma obrigação que não foi ordenada por ninguém, mas entendida por todo o seu individuo como algo que você é e faz.
Não, é claro que não se pode viver assim a cada segundo, e eu infelizmente aprendi isso da pior maneira possível. Mas agora que você quer saber o que eu vou fazer com a minha vida, eu me nego a responder de qualquer outra forma. Não é mais uma questão de não querer outras coisas, mas de querer algo com tudo o que eu entendo como eu - e o que eu não entendo também.
E é óbvio que uma escolha é tanto as opções que ela possui quanto as que não possui, mas entenda que assim somos todos nós: um milhão de "seres e não seres", um monte de escolhas e a falta delas. Então, finalmente, por mais clichê que isso possa parecer, deixa. Me deixa escolher ser eu.
"clac"

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

sobre criticas

Normalmente, um pedido de desculpas a mim mesma seria suficiente. Claro, porque eu estou errada outra vez... As vezes me pergunto quando é que vou estar certa.
Mas o ponto não é mais esse, outra vez. E nessa confusão que é a minha mente precipitada, eu sei que deveria estar me redimindo, pintando as unhas e conversando com o espelho. Devia estar dizendo a ele que gosto do que vejo, devia mentir pra ver se eu acredito.
Acontece que só dessa vez, eu não queria mentir. Alguma vez você já pressionou a lanterna sob seu dedo? Já viu como transparece a pele e pulsa o vermelho que você é? É isso o que eu quero. Quero que minha mente e meu corpo se tornem transparentes sob o efeito de uma lanterna gigante, pra que a pele pare me importunar com limites (não há limite que se imponha à luz, já dizia a minha avó).
As meias-verdades são um pé no saco, quando você começa a dize-las pra si mesma. E como se não bastasse, são pura poeira que pode ser soprada por qualquer um. Um livro de auto ajuda de um e noventa e nove pode te encher de motivações, mas de que adianta se nenhuma delas é real?
Eu quero ser transparente pra mim.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Tudo o que eu quis dizer (a resposta é não)

Se eu te contasse onde eu quero ir
Você certamente iria embora
Então de que adianta me fazer sorrir
Se a minha consciência chora?

Eu já vi esse filme mais de uma vez
Eu não pedi bis
Eu lembro o que você fez
Eu conheço o que você diz

O ticket pro inferno era o seu nome
Ouvir sua voz no telefone
Você sabia o quanto o seu olhar dava fome
Sabe o que acontece quando você some

Uma cidade de plástico
E você conseguiu se encaixar muito bem
Fez de si mesmo um elástico
Que não prende mais ninguém

"Mas me dê a mão,
Uma última chance"
Pra de novo jogar no chão
O nosso indigno romance

O ticket pro paraíso foi um ingresso de cinema
Os atores na tela, e você fazendo a cena
Você sabe que seu olhar envenena
Faz a mocinha ser digna de pena

E a minha resposta cruel
É só um bônus do seu presente
Eu já quis te levar pro céu
Foi você quem quis diferente

... E tudo isso, você deve a você.