terça-feira, 26 de novembro de 2013

Acordada

Sonhos vem de onde ninguém nem imagina. Sonhos transformam a realidade no queremos e não queremos. Sonhos nos tornam o que somos. No final de contas, somos apenas sonhos ambulantes. Subconscientes ou não. Eu sei qual é o meu objetivo. E ele deixou de ser um sonho há um minuto atrás. Porque eu quis. Porque eu sei. Porque eu sou. Eu sou um sonho tanto quanto sou realidade.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O que você acha?
Eu acho que ela só precisa voar. Eu acho que ela já cansou de estar presa nesse estado insuportável, em que tudo parece irreversivelmente frágil. Aquele limite antes de tudo explodir, o último segundo antes de tudo virar de cabeça pra baixo, o suspiro fraco e falho antes de cair.
Não é como se ela estivesse voando, ela está parada no ar, sustentada pelo instante. E as horas não passam, o relógio desistiu do ritmo velho que sempre existiu e simplesmente parou, deixando ela ali, presa, estática, por anos - ou nada.
Existe um equilíbrio idiota em tudo isso e ela devia estar fazendo parte dele, mas é simplesmente incômodo, indigesto, vazio. Existe alguém que disse o que ela deveria fazer nessas horas, e não é que ela não escutou, mas ela preferiu não ouvir. Ela preferiu não saber, porque sempre foi mais divertido assim.
Tudo é só uma questão de voar, mas é impossível, isso foi o mais perto que ela pôde chegar, e é pior do que o que quer que existisse antes. Agora só existem duas opções conhecidas, e todo mundo sabe disso. Ou ficar lá pra sempre, ou cair de vez. O triste é que ela tenha que fazer isso sozinha.

Eu tava tentando, por muito tempo, dizer pra todo mundo o que eu queria dizer. É claro que a gente nunca percebe o quanto isso não faz sentido até que veja como soa, e eu já cheguei muito perto de gritar explicitamente o que eu realmente significava, os meus momentos. Essa cara séria e distante que aparece aqui, onde eu mais sou eu, não é a única que eu posso fazer, mas é a que mais abre espaço pra muitas delas, e só agora que eu vi que é por isso que a escondo.
Quando você me disse que eu era misteriosa, achei engraçado e bobo, mal pensado. Mas talvez esse mistério esteja todo aí: na minha incessante vontade de me fazer simples e entendível, a incógnita de uma equação de primeiro grau, fácil de se resolver. Só que substituir significados pra obter resultados sempre foi o que eu odiei, né?
É claro que quando eu respondi você trocou um olhar risonho com o seu amigo, é claro que você não entendeu e deve ter me achado uma idiota. O fato de que eu viva nesse meio termo absurdo entre buscar não ter motivos pra tudo o que faço enquanto me explico e desexplico é no mínimo risório.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

todo mundo é um pouco

Se eu te der três maças, estou guardando quatro. Se como as sete, não tenho nada pra contar. Quando guardo todas, elas apodrecem. Coisa de canceriano.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Julho

Aqui vai uma situação hipotética: o que você faria se o seu mês preferido fosse um bolo de chocolate?
Comprei um novo par de sapatilhas exatamente igual ao que eu já tenho. Na verdade, essas são novas e ao invés de flamingos dourados elas têm lacinhos. Não faz muita diferença, porque ninguém sabe diferenciar um flamingo de um lacinho de longe, muito menos se eles estiverem em uma sapatilha. O que importa é que as sapatilhas novas nunca tomaram chuva ou pisaram em uma poça de água, e por isso estão menos adeptas a sofrer desilusões amorosas.
Tem alguma coisa no seu dente. Não tente limpar sozinho, você não vai conseguir. Veja bem, você não sabe onde está a sujeira e mesmo se soubesse sua coordenação motora ia te atrapalhar de achar exatamente o lugar. Não sei o que é: pode ser um pedaço de espinafre ou uma casquinha de feijão. Talvez seja um pouco do meu cabelo, do sanduíche de mim que você fez (eu te disse pra não colocar molho rosê). O que você comeu no almoço hoje?

terça-feira, 16 de julho de 2013

can we call it a day?

Eu faço os melhores cheesecakes do mundo. Acredite se quiser, eu não preciso nem ao menos olhar a receita; são os melhores do mundo. Eu preparei quatro pra gente, todos de sabores diferentes. Eu queria que você experimentasse todos eles e me dissesse qual era o melhor (e iria torcer pra que fosse o de framboesa). Pensei em levá-los pra um piquenique, sua casa ou até mesmo algum bar do Rio Vermelho. Talvez eu daria um pedaço pra sua irmã, só pra ver o que ela diz. Mas eu não consegui.
O primeiro tinha cream cheese demais e ficou azedo. Veja bem, eu tentei colocar mais leite condensado, só que isso só fez piorar tudo e deixar doce demais. O segundo ficou com a massa esfarelada. Não consegui cortar um pedaço sem que se desmanchasse inteiro. E tentar colocar manteiga só fez com que ficasse salgado e meio nojento. O terceiro foi um completo desastre e eu ainda não descobri qual ingrediente faltou ou esteve em excesso. Acho que nunca vou acabar descobrindo. Esse último, eu queria que fosse perfeito. Coloquei um ingrediente especial nele (não, não era amor nem sazón), e eu acho que você nunca vai saber qual é. Mas quando estava no forno, você me disse que tinha passado do ponto. Sabe como é, não vale a pena esperar tanto por um cheesecake. Você só não sabe (ou esqueceu) que eu faço o melhor cheesecake do mundo. Talvez esse seja o ingrediente que faltou.

Mas agora que já azedou, enjoou, esfarelou e queimou, eu não sei o que fazer com as sobras. O que eu mais queria era jogar tudo fora e fazer um novo, de verdade. A gente poderia ser o melhor cheesecake do mundo.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Foi em um flash de segundo. Quando você apareceu do nada sorrindo, eu tive certeza de que queria que você me lesse. Através dos olhos que você tanto teme, tinha uma resposta e eu queria que você visse porque não consigo olhar muito pra dentro de mim sem ficar tonta. Eu queria que você lesse pra que eu pudesse ler em você. Queria que você ficasse. Por um minuto, um dia, dois. E a questão é que meus olhos sempre querem que você fique, eu só não sei o quanto eles querem o mesmo pra mim.
Eu não sei o que eu quero e percebi que todo mundo sabe disso. Mas naquele momento eu tenho certeza de que dava pra ver... eu só precisava que você lesse.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

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Eu, você e trezentos cigarros.




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quinta-feira, 13 de junho de 2013

sobre egoísmo

Como se vive por inteiro? Melhor, como se vive pela metade? Metade de um sorriso, que na verdade esconde metade de um abraço que ninguém deu. Se metade de mim fosse suficiente pra ser inteiro, será que dava pra dar um jeito?
E se for metade da metade? Metade do tempo, será que existe? De metade em metade, a gente é infinito, não é? E se for infinito, o desespero também é? Ou a gente decide que a metade é mais importante que o inteiro? Ou que a outra metade, talvez... Vale a pena viver só na metade?
A metade não é nem o meio do muro porque meio e metade são coisas completamente diferentes. E se for um terço? Nada disso simplifica as coisas, eu sempre fui péssima em divisão, fração e matemática no geral. Mas existe algo que não tenha metade? Nem sei se eu tenho... Você tem?
"porque metade de mim é amor... e a outra metade, também."

quarta-feira, 5 de junho de 2013

entre cachinhos e coelhinhos em um poema bonito, me fiz poema e me fiz pseudônimo...

domingo, 2 de junho de 2013

é muito dificil explicar alguma coisa quando ela não consegue sair completamente, quando se vive na ponta da língua.
e é incrível como quando escrevo, releio e me frustro por não ter conseguido fazer com que saia tudo o que realmente quis dizer... não sei o que está preso: se a língua em si ou eu mesma, e nem desconfio quem está prendendo... só sinto saudades de quando esse tipo de duvida não existia.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Laranja

Pedro está sentando na sua escrivania escrevendo mais uma vez. Ele se acha um bom escritor, mesmo que a maioria dos seus amigos não esteja muito interessada nisso, e sim em pingue pongue. Pedro só é bom em pingue pongue nos Domingos, por isso ele tem que procurar outras coisas pra fazer durante o resto da semana, e ele odeia desenhar, porque as imagens que ele tenta fazer nunca são possíveis de por no papel.
Nesse momento, Pedro está escrevendo sobre suas coisas favoritas. Uma delas é escrever listas, ele tem todo um livro delas e vai publicá-las quando não gostar mais do que está escrito. Assim, ele vai saber quantas pessoas foram parecidas com ele quando elas comprarem os livros. Pedro acha essa ideia genial, por isso só a contou pra mim. A lista que ele está escrevendo agora tem o meu nome.
No dia em que eu o conheci, ele estava com sua camisa favorita, que é laranja. Ele diz que é por isso que eu  estou na lista. Que foi a camisa que me conheceu, assim como ela faz com todas as coisas que estão na lista que ele está fazendo agora. Eu acredito nisso, porque foi ela que me fez ir falar com ele, e porque era Sábado e os garotos estavam jogando pingue pongue.
"Você gosta de pingue pongue?"
"Só aos Domingos. Nos Sábados eu gosto de escrever, mas minha mãe disse que esse é um dia de sair, e eu não consegui convencê-la do contrário... então trouxe a minha camisa, porque ela gosta dos Sábados e porque não está chovendo."
"Sei."
"Por quanto tempo você consegue prender a respiração?"
"Muito pouco."
"Sempre?"
"Não sei..."
"Eu estava pensando nisso quando você chegou, então acho que devíamos discutir sobre: você acha que a sua respiração se prende o quanto ela quer? Eu não acho que ela esteja sob minhas ordens. Agora mesmo, se a prendesse voluntariamente, não conseguiria ficar nem trinta segundos. Mas se um assassino estivesse atrás de mim e eu estivesse escondido, ela se prenderia por muito mais tempo sem que eu sentisse muita dificuldade. Acho que ela não gosta de ser testada."
"Ouvi dizer que isso tem algo a ver com o diafragma..."
"E tem algo mais impetuoso e teimoso que o diafragma?!"
Pedro gostou de conversar comigo - e ainda gosta - porque ele diz que eu espirro muito e isso o faz pensar mais no que está dizendo.
O que me faz escrever sobre Pedro é o fato de ele conseguir viver em dois mundos ao mesmo tempo sem que isso pareça muito sofrido, e de que eu compraria o seu livro de listas quando ele fosse publicado e não seria a única: aposto que você compraria também.

quarta-feira, 3 de abril de 2013


Quando eu era pequena, eu queria ter uma bicicleta vermelha. Passei muito tempo pensando em como seria ter uma daquelas de filme francês, com cestinha e tudo. Eu esperei por essa bicicleta durante anos, sem contar pra ninguém sobre ela... eu esperava que um dia a pessoa certa viria e traria ela pra mim, e assim eu ia saber que eu ganhei porque merecia e porque combinava com ela e com um filme francês. Ela seria meu complemento, e todos enxergariam finalmente pra que eu havia nascido: pra andar em uma bicicleta vermelha de filme francês.
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terça-feira, 12 de março de 2013

Eu queria te dizer que eu entendi a mensagem. Mas é difícil, sabe? Ontem mesmo eu até fui na padaria e comprei o pão que você mais gosta e eu juro, juro mesmo, que não foi porque é o que eu mais gosto também, mas as coisas chegam a um ponto em que isso é quase impossível de acreditar.
Eu gostaria muito de te dizer que eu parei de fumar. Os cigarros, a indisposição, a falta de paciência e a irresponsabilidade... Dizer que parei de fazer tudo o que me leva a isso. Mas é muito complicado falar essas coisas quando algo bem parecido com a nicotina parece estar dentro do meu olhar e das minhas vontades. Alguém me disse algo assim ontem também, e eu gostaria de poder te dizer quem foi.
Por último, eu queria - mais do que tudo - te dizer que parei de mentir, mas essa só é mais uma mentira... Porque o problema é esse: é tudo tão mentira quanto verdade quando eu converso com você.

domingo, 3 de março de 2013

you ARE.

isso é só porque me lembro de ter construido algo assim dentro de mim há muito tempo.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

mas outra chance não é pra agora

Demorei muito pra conseguir escrever sobre isso, e na verdade é porque ainda não sei como me sinto. Nunca vou saber se foi a escolha certa, nunca vou saber como isso chegou a esse ponto e como chegariam os outros pontos e vírgulas de uma história que - não posso negar - seria linda, e agora é triste.
Não sei até que ponto isso vai perseguir meus sonhos, mesmo sabendo que foi a escolha certa. Acordo sempre sem saber como consegui passar por tudo isso, mas sei que deveria ter passado... Se é que já passei.
O sentimento certo não é arrependimento, mas como se uma flor murcha dentro de mim ainda espetasse com seus espinhos mortos... E como dói, dói de uma maneira que não consigo explicar. Tentei preparar um discurso pra mim mesma inúmeras vezes, mas desisti porque não são as palavras que se mostram necessárias. São as certezas, essas que a gente não consegue explicar. E  a cada vez que isso volta, me preencho de uma tristeza que, diferente de todas as outras, não é bonita.
Como dizer isso? Como jogar pra fora uma coisa que nunca senti antes, nem vi alguém sentir? Uma coisa que não entendo, não sei como contornar e ajudar a mim mesma, e não consigo ver como alguém pode...
Tudo o que se tem pra dizer já foi dito e ouvido, não é um texto - falado ou lido - que conseguiria curar algo assim. Dentro de mim, sei que apenas um sentimento poderia me fazer bem, e eu o cortei da maneira mais fria e bruta possível, diretamente da raiz... o que me resta é esse solo furado e machucado, que não pode ser preenchido por mais nada, além de outra chance.


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

hoje foi a gota d'água. amanhã vou sair e comprar um batom vermelho, talvez um par de brincos maiores dos que eu uso e perco. não preciso mais me enganar, me sentir quebrada ou incapaz: eu me conheço e você também.
às vezes parece que sinto necessidade de não acreditar em mim, esquecer de quem eu sou e quero continuar sendo. eu estou pronta pro que está vindo, eu sempre estive... e você também.
você é qualquer um que está lendo isso agora, e que cansou de se perguntar o porquê dos meus discursos inseguros... e que - tanto quanto eu - estava esperando a hora em que eu acordasse e escrevesse esse texto.
o problema todo é que eu sempre precisei ouvir dos outros o que eu queria poder dizer pra mim mesma. sempre quis que o batom vermelho me desse coragem, mas esqueci que antes a coragem teria que ser minha pra sair e comprar.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

kciv

Acordei com algo pra dizer pra mim mesma, na ponta da língua, mas quando tentei pensar a sensação foi embora. Tenho me sentido assim todos os dias. Como se a mensagem fosse muito mais física do que racional, como se fosse impossível entendê-la sem que eu aprenda a senti-la primeiro.
A minha insaciável vontade de estar só deu espaço para o medo de que isso realmente aconteça... Ou, explicando melhor, a imensa solidão que agora ocupa os meus sentimentos.
Existe alguma coisa que está me fazendo regredir àquela imagem de mim que eu não suporto, aquela memória que está lá só pra me lembrar de nunca mais voltar a aqueles tempos... mas que não consegue me impedir de que isso aconteça.
Eu lembro o que - ou melhor, quem - me tirou dali... e é aí que eu entendo o porquê de estar voltando. Tudo, tudo o que eu sinto e penso agora é saudade. Saudade de você, saudade de mim.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

É incrível como consigo me sentir tão sozinha às vezes. E é incrível como você consegue desarmar minha solidão com a sua honestidade. É incrível como eu consigo enxergar algo mais nos seus olhos, mesmo que isso pareça meio surreal quando eu conto pra alguém...
E, por fim, é incrível -inacreditável - como a sublime linha entre a alegria e o conforto está sempre presente quando você está.


"...quando você está, as coisas são mais lindas..."