Eu acho que ela só precisa voar. Eu acho que ela já cansou de estar presa nesse estado insuportável, em que tudo parece irreversivelmente frágil. Aquele limite antes de tudo explodir, o último segundo antes de tudo virar de cabeça pra baixo, o suspiro fraco e falho antes de cair.
Não é como se ela estivesse voando, ela está parada no ar, sustentada pelo instante. E as horas não passam, o relógio desistiu do ritmo velho que sempre existiu e simplesmente parou, deixando ela ali, presa, estática, por anos - ou nada.
Existe um equilíbrio idiota em tudo isso e ela devia estar fazendo parte dele, mas é simplesmente incômodo, indigesto, vazio. Existe alguém que disse o que ela deveria fazer nessas horas, e não é que ela não escutou, mas ela preferiu não ouvir. Ela preferiu não saber, porque sempre foi mais divertido assim.
Tudo é só uma questão de voar, mas é impossível, isso foi o mais perto que ela pôde chegar, e é pior do que o que quer que existisse antes. Agora só existem duas opções conhecidas, e todo mundo sabe disso. Ou ficar lá pra sempre, ou cair de vez. O triste é que ela tenha que fazer isso sozinha.
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