Eu tava tentando, por muito tempo, dizer pra todo mundo o que eu queria dizer. É claro que a gente nunca percebe o quanto isso não faz sentido até que veja como soa, e eu já cheguei muito perto de gritar explicitamente o que eu realmente significava, os meus momentos. Essa cara séria e distante que aparece aqui, onde eu mais sou eu, não é a única que eu posso fazer, mas é a que mais abre espaço pra muitas delas, e só agora que eu vi que é por isso que a escondo.
Quando você me disse que eu era misteriosa, achei engraçado e bobo, mal pensado. Mas talvez esse mistério esteja todo aí: na minha incessante vontade de me fazer simples e entendível, a incógnita de uma equação de primeiro grau, fácil de se resolver. Só que substituir significados pra obter resultados sempre foi o que eu odiei, né?
É claro que quando eu respondi você trocou um olhar risonho com o seu amigo, é claro que você não entendeu e deve ter me achado uma idiota. O fato de que eu viva nesse meio termo absurdo entre buscar não ter motivos pra tudo o que faço enquanto me explico e desexplico é no mínimo risório.
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