sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

oh star

Eu lembro da casa cheia, das velas, do mantel azul da minha bisavó, da comilança, de você, de seus sorrisos, sua alegria, suas palmas, os fogos de artifício, e dormir do seu lado, todos os anos...
Todos os anos, aquilo se mantinha. Aconteciam milhões de coisas, mas aquilo se mantinha.
Talvez seja isso que me falte. A minha base que - sem motivo aparente - me foi arrancada dos pés. Sinto que mais um ano passa, e é como se fosse cada vez mais difícil. Como se o tempo, ao contrário do que dizem todos, estivesse insistindo em passar e me mostrar como, não importa o que eu faça, eu não vou conseguir sem você.
E quando eu volto pra aquela noite, eu continuo achando que fiz a escolha errada. Que só continuo querendo arrastar um jogo que não se arrasta. Que escolhi me furar com uma agulha diariamente, só pra não complicar as coisas. Eu repito pra mim mesma que daqui há algum tempo eu vou compreender, aceitar, e seguir com a vida que eu tenho que ter. Mas é que as vezes eu não consigo achar um sentido... Não consigo entender o que é que pode vir de tão bom, se você já foi embora... E tão rápido... E sem motivo.
Achava que em um dia como hoje eu estaria escrevendo algo bem resolvido e compreensivo, maduro. Mas não dá. Existe um buraco, um vácuo, dentro de mim. E vai sugando toda a vida ao seu redor, a cada dia, sugando, sugando, e eu me asfixio em tristeza pra poder sorrir, enquanto ouço a mesma música um milhão de vezes, gritando alto, pra ver se você me escuta, em qualquer lugar, qualquer lugar, eu só queria que você me escutasse, que você sentisse aquele último beijo que eu te dei, que me reconhecesse, não queria ter aquela imagem na cabeça, mas o filme repete, repete dentro da minha cabeça, e a pipoca já acabou, e o cinema está vazio, e daqui a pouco o lanterninha vai pedir pra eu me retirar e eu não consigo me levantar, eu não consigo enxugar as lágrimas... ah, volta pra mim, que tudo tá tão sem luz, e logo você, a minha estrela, logo você teve que apagar, tem tanta coisa no mundo tão cheia de holofotes e tão podre, e logo você, uma estrela, um pedaço de luz tão forte, logo você...

How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls, swimming in a fish bowl
Year after year
Running over the same old grounds,
What have we found?
The same old fears...
Wish you were here

sábado, 10 de dezembro de 2011

Eu sempre achei que existia uma essência no fundo de cada um. Uma linha, onde se definiam os princípios e os limites. Não uma definição de "certo" ou "errado", mas uma noção do que se pode fazer, dentro do que você é.
Eu sempre tive certeza de que eu poderia fazer muitas loucuras, mas continuaria sendo Sophia, continuaria tendo noção do que eu não faço, não falo, não quero. Como é que isso foi embora em uma semana?
Não consigo me reconhecer. Não consigo me identificar como algo. Não estou falando de ser uma pedra fixa, mas até um grão de areia continua sendo um grão de areia onde quer que ele esteja. Eu sou uma nuvem carregada de inseguranças e arrependimentos, e é só isso o que eu consigo compreender agora.
Eu nunca achei que faria isso com você. Nunca achei que decepcionaria tantas pessoas ao mesmo tempo. Eu nunca imaginei que eu teria que chegar nesse ponto. E se chegasse, não sabia que não iria me sentir culpada.
Queria pelo menos me odiar. Chorar, me arrepender, me sentir mal por te fazer algo assim, mas não consigo. Não consigo, e nem isso me faz cair na realidade.
Eu não sei mais o que eu amo, nem o que eu quero. Não sei mais nada.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

E finalmente, Nathaniel contou a piada.
Alguém no canto da sala cochichou, mas a maioria das pessoas riu. Do jeito que ele esperava, com os dentes escancarados e - vez ou outra - uma mãozinha tapando a gengiva sobressalente.
Talvez, como lembrou o seu amigo mais tarde, as pessoas estivessem rindo de suas vestimentas deselegantemente coloridas naquele baile tão à-rigor, mas ELA tinha rido. Tinha notado que suas botas eram de couro, e isso o fazia sorrir.
Várias coisas faziam Nathaniel sorrir: o jeito que os raios da bicicleta se mexiam quando a roda ia muito rápido, o cheiro do seu cachorro, as anedotas do seu livro azul, algumas ameixas...
Mas ela o fazia sorrir constantemente: o jeito que um único cacho loiro caía sobre seu olho esquerdo, a maneira como o vento fazia seu cabelo grudar no gloss de morango, seus dentes meio amarelados e suas gengivas... Ah, suas gengivas...
Lembrava ainda da primeira vez que vira aquelas gengivas: tinha se mudado recentemente para o bairro e ela estava sentada na calçada rindo de um gato perseguindo uma mosca. Usava meias três-quartos coloridas e um relógio digital que continha chicletes embaixo do visor, e ria soluçando do felino listrado. Nathaniel achou-a maravilhosa. Atravessou a rua e tentou um contato:
- Oi.
- (soluços) ... Oi... (soluços)
- Acho ameixas engraçadas.
- Ameixas não tem listras. Ameixas não correm atrás de (soluço) moscas!
- Ameixas são roxas.
- Vou entrar. (soluço)
- Ok. Te vejo por aí?
- (soluço)
Nathaniel podia sentir o amor que jorrava de seus cachos loiros para ele. Em questão de segundos imaginou os dois escalando uma montanha correndo atrás de um enxame de moscas, e rindo aos soluços. Sabia que algum dia ela entenderia o real humor das ameixas, e então estariam entrelaçados pela mais linda relação, onde gatos - esperançosamente - não teriam mais graça.
Nathaniel achava que algum dia ela riria para ele. E ela rira. Mas mais tarde, na festa, percebeu um erro fatal.
Logo após a sua anedota, foi procurá-la e encontrou-a comendo no fim do salão. Ela sorriu quando achou que seus olhos - um pouco vesgos - encararam-na, e acenou para ele como um convite.
- Oi.
- Oi... Foi muito engraçada a sua piada. E o seu sapato. É engraçado! (soluço)
- Eu disse que ameixas eram engraçadas.
- Você só tem que inserir o contexto certo.
- Sim. O que você está comendo?
- Sushi. Eu amo sushi.
- Está brincando, não é?
- O quê?
- Eu não acredito. Meses achando que você era um relógio-chiclete... E agora vem me dizer que gosta de peixe cru!
- Mas... muita gente...
- Ora! Eu achando que você poderia entender uma ameixa! Um sapato! E você gosta de sushi!
- Eu gosto de você!
- Esqueça as montanhas!
Nathaniel deixou o baile, e nunca mais quis saber seu nome. Em dois meses mudou-se para os Alpes, e vive lá até hoje, casado satisfatóriamente com uma mosca.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011


É incrível como não consigo explicar o quanto isso mexe comigo.
A "saída" dele de minha vida não é só o fato de perder o melhor professor que já tive na vida. É também o marco de uma nova etapa: uma etapa em que pouquíssimas pessoas vão se esforçar por mim, acreditar, se importar de verdade. Uma etapa onde eu começo a ser mais responsável por um bilhão de coisas.
O mais fabuloso de tudo isso é que eu acho que ele realmente tinha a intenção de deixar isso marcado, só como mais uma prova do "pai" que ele é. Acho que isso é só mais uma amostra do quanto ele me preparou para a vida, pra conviver com o fato de que algumas coisas não são pra sempre, e você tem que aproveitar enquanto tem. É sempre assim, né?
Eu fico imaginando como vai ser, e eu sinto uma frieza muito grande nesse meu ano futuro. Algo como "vocês são adultos agora". Mas eu não estou pronta, não quero que isso apareça.
Não consigo imaginar como vai ser, quem é que vai me dizer pra não desistir, quem é que vai esperar o tempo todo por uma melhora. Eu não consigo acreditar que alguém assim vai aparecer de novo, e acho incrível como está indo embora bem na minha frente.
Talvez seja dramático demais, talvez eu ainda o veja algumas vezes. Mas o jeito que eu sinto, é como se o que eu estivesse deixando pra trás não fosse só ele, mas também o carinho, o amor e a dedicação que já existiu por aquelas paredes... Como se nada disso fosse existir ano que vem.
O quão importante é uma prova, ao ponto de tirarem tudo isso de você?
E eu simplesmente não estou pronta.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O sol nasceu rosa no horizonte, grande e redondo, como um prato de sopa fumegante. O vento assoviava frio e confortável, típico da altitude do lugar. Ela fechou os olhos e respirou fundo, como se pudesse absorver todas as energias boas e revigorantes que aquele lugar lhe dava. Queria deitar, relaxar, mas sabia que não era o momento.
Teria que caminhar por mais horas e horas daquela forma: sem um destino exato, tateando algo que possa chamar de pista, tentando tomar tempo para beber um copo d'água e ler o final do seu livro. Mas simplesmente não conseguia: mil coisas lhe apareciam no caminho e dificultavam sua chegada ao fim, ao descanso. Os últimos esforços, os piores esforços.
Tem um ponto onde isso se torna desumano. Onde se perdem as noções. Afinal, é claro que é um grande ciclo e nós temos que nos encaixar nele, dá forma que dá. Não é?
Se pararmos pra pensar, é desleal demais... Porque existem mil coisas me impedindo de chegar aonde - não posso negar - eu QUERO chegar. Eu quero "passar de ano". Eu quero orgulhar o meu professor e o meu pai. Eu quero me tornar alguém, conseguir viver a vida de uma maneira tranquila e que me satisfaça. Mas até lá, busco no ilógico coisas pra me distrair do que realmente está acontecendo.
Eu não sei o que realmente está acontecendo. Não sei porque não consigo dormir uma noite inteira. Não sei porque não consigo estudar uma tarde inteira. Não sei porque não tenho tempo para ler o meu livro. Mas ainda assim, as horas insistem em continuar passando, me torturando aos poucos, até que eu me encontre em uma sala branca e gelada com todos aqueles cálculos pela frente.
E o ponto não é só esse: e se o mundo acabasse amanhã... eu estaria satisfeita? Não é uma questão de viver cada dia como se fosse o último, mas sim cada ANO. Não é uma questão de sair loucamente, bebendo numa terça-feira, mas de olhar pra trás e sentir que está tudo bem.
O tempo todo, continuo esperando, enquanto as coisas passam. Mas esperar não é o suficiente. E se eu nunca alcanço o suficiente, por que tenho que continuar tentando? Eu não quero ser suficiente. Eu não quero continuar pulando os obstáculos, sem respirar fundo, sem beber água. Eu não quero chegar lá.
Mas não existe essa possibilidade, certo?

(inspirações de léo)

Ela respirou fundo. Os olhos embaçados não a impediram de ler seu apelido naquele papel dobrado, escrito com uma letra tremida. No final, ele tinha lhe deixado algo. Não esquecera dela, e isso só tornava tudo pior.
Ficou olhando para aquelas três letras por alguns minutos, lembrando de como ele fazia piadinhas com o fato de seu apelido parecer "montanha" em inglês. Lembrou de sua típica jaqueta preta de couro, de seu cinto estúpido e da maneira como o vento embaraçava seus cabelos quando andavam na famosa Harley vermelha. Não saberia se teria coragem de ler.
Aquilo era um adeus. Era um ponto final naquela agonia incessantes dos primeiros dias. Era algo que iria revirar seu estômago, aliviar sua dor. Esclarecer sua morte. Mas - diferente do que esperava - só iria aumentar sua culpa.
Com os dedos tremendo e o esmalte já quase completamente roído, abriu. Enxugou os olhos para poder enxergar melhor e começou:
"Me desculpe. Eu nunca fiz isso por ninguém, por favor, entenda! Você mudou a minha vida, você é a primeira pessoa que eu realmente amo. Por favor, não me deixe. Eu vou fazer o meu melhor, vou fugir com você, minha moto e meu Whisky. Eu juro que nós seremos feliz de novo. Eu vou largar a heroína. Vou largar a banda. Vou largar tudo, porque você é a única coisa que importa agora. Por favor, entenda. Eu nunca mais vou fazer nada pra te machucar. Eu vou ser o melhor com você, eu vou ser o que você quiser que eu seja. Só não pare de me amar. Não pare, porque é tudo o que eu tenho. É tudo o que eu quero.

Com tudo o que eu posso ter,

Johnny."

Seus pés falharam e ela sentou no chão. Ela nunca se perdoaria. Nunca conseguiria voltar a viver sabendo o que poderia ter feito pra ajudá-lo. Nunca mais conseguiria largar a heroína.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Mommy's Living Room

Yes, I should wait
'Till the things get on their place
But I can't help the feeling
I can't help we're fading

Oh darling, Isn't life too precious when the world could end tomorrow?
Isn't all of this just a sea of sorrow?

And It's not like we're wasting our time
But all your family agree we already walked the line
Someday I'll wake up and go away
I'm sorry mommy will make you stay

Cause baby, Isn't life too precious when the world could end tomorrow?
Isn't the idea of sadness full of joy?

Join me, but let me free
'Cause death may be coming soon
Wouldn't it be ironic to die in a living room?

domingo, 30 de outubro de 2011

Eu estou tão confusa! O que é que pode ser? Até onde eu gosto disso?
Era tão bom antes, e agora é tudo isso... Não sei mais, não entendo mais nada dentro de mim. Preciso respirar, em todos os sentidos. Preciso entender. Mas não dá, eu tenho outras coisas pra fazer, eu tenho preguiça. Não dá pra agradar todo mundo. Acredite, eu tentei.
Sempre acabam ficando as migalhas do bolo pra mim mesma. O bolo que eu cozinhei.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ela apertou o panfleto que tinha na mão. Não era nada importante, só alguma coisa sobre aulas extra de inglês que ela não precisava. Mas nem lhe passou pela cabeça se valia a pena ou não, simplesmente não conseguia aguentar olhar pra aquela foto dele, aquela expressão.
Mais uma vez com os olhos fechados... Como se a realidade fosse ruim demais para ser vista, como se tudo aquilo fosse inútil e sem sentido, e não ver nada era a melhor saída pra continuar vivendo.
Ela sentia aquilo. Dentro dos seus ossos, ela sentia que eles eram iguais. Não era só pelos pôsteres dos Smiths no armário dele, nem pela blusa amassada por baixo da jaqueta jeans. Não era uma paixonite adolescente pelo punk incompreendido, não era um caso de amor platônico.
Era mais do que isso. Ela sabia que aquilo era diferente dos filmes, histórias, romances. Lisa Gaertner não esperava que um dia ele percebesse que ela era a mocinha da história, ela não se achava uma pessoa melhor do que as gostosas da educação física e ele nem sequer namorava uma delas. E ela não era tão excluída assim: as pessoas sabiam quem ela era, ela tinha amigos, e eles eram tão amigos como qualquer outro. Era loira, e os cabelos caíam retos no queixo, combinando com seus óculos de grau vermelhos. Assim como a maioria dos estudantes, tinha nascido ali mesmo na Alemanha, e sua mãe era conhecida por quase todos na cidade.
Mas existia uma coisa dentro dela, sobre a qual ninguém falava, nem ela... Uma depressão profunda, uma falta de perspectiva, uma maneira cética de ver o mundo como se nada fosse realmente tão importante assim. E ele tinha aquilo.
Quando sentava pra comer o mesmo sanduiche natural de todos os dias, ele apertava o pão e não tirava o tomate. Pegava as migalhas e os gergelins que caíram no prato com a ponta do dedo e mastigava com os dentes da frente. Olhava ao redor com um olhar desinteressado e levantava pra jogar o prato descartável na lixeira. Voltava pra mesa, abria o suco em lata e servia em um copo.
Ele era composto por uma rotina que parecia melhor do que tudo aquilo. Algo que realmente tinha uma intensão, um significado. E além do mais, ele não usava cadarços.
Tinha os cabelos oleosos e pretos, caídos na testa um pouco em cima das sobrancelhas e olhos verdes. Chamava-se Leroy Rochon, e tinha chegado da França há dois meses. Talvez fosse esse ar diferente que os franceses respiram, mas até seus jeans caiam diferente. Era algo que puxava seus olhos, e os mantinha ali por muito tempo.
Eram do mesmo ano, mas de classes diferentes, então só se viam nos intervalos. Lisa não entendia como ele não havia feito contato social com ninguém ainda. É certo que só convivera pouco mais do que dois meses no colégio, mas a maioria dos alunos se enturmava no segundo dia! Quando perguntava a alguém, sempre respondiam a mesma coisa: até tentaram alguma aproximação, mas suas respostas são secas e desestimulantes.
Todas as informações que conseguira recolher era que ele morava com os pais na França, mas acabou se desentendendo com eles e estes o mandaram para um intercâmbio no intuito de estimulá-lo com novas experiências. Era bom em Literatura e História, mas foi expulso no segundo dia da aula de Física. Não tinha muitos amigos em seu país, mas tinha uma namorada de infância. Se meteu em várias brigas na sua escola, e quase foi expulso duas vezes de lá. Era o suficiente para manter distância.
Talvez nem fosse verdade. É o tipo de coisa que alguém inventaria se quisesse que as pessoas não se aproximassem. É o tipo de desejo que alguém teria se quisesse provar aos pais que eles estavam errados com aquela ideia. Mas era o que ele dizia, e ela não sabia como se aproximar.
Um dia tiveram um exame na mesma sala e ele até lhe pediu o lápis emprestado com um sotaque maravilhosamente francês, mas nada que passasse do "ouí, obrigado".
Dois meses se passaram e ela não criou coragem para ir ao seu encontro. Quando perguntou à uma amiga da classe dele porque estava faltando há uma semana, ficou sabendo que já tinha partido de volta pra Paris.
Hoje fazem 50 anos que ela ouviu essa notícia, e continua sentada na grama verde ouvindo a mesma música enjoada dos Smiths.
E se for assim?

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Um pouco mais de magia, por favor

"... passou tantos anos sonhando com algo como isso, alguma prova de que o mundo real não era o único possível, e teve de aturar todas as esmagadoras evidências do contrário."

Como se contentar em ser só mais um? Como se contentar com cálculos sobre a velocidade final de um objeto ao cair no chão? Como aceitar o fato de que a vida é o que nós vemos, de que as coisas são calculadas e previstas, de saber porque a chuva cai?
Me sinto vazia, inútil. Me sinto mal por ser medíocre, por ser igual, por fazer parte de tudo o que todos nós já sabemos. Uma engrenagem fria e monótona, que se mexe como todas as outras, sem nem perceber... Sem diferencial, sem gosto, sem aquilo que sempre me ensinaram a querer.
Não se trata de ser "a princesa", ou a protagonista em geral. Se trata de SER algo, de fazer alguma diferença real, de querer do meu mais profundo eu, ser especial. Não que todo o mundo não queira, mas queria pelo menos sentir que sou. Ser enganada. E daí?
Queria estar convicta de que não é tudo uma grande piada, de que a magia existe, de que eu posso fazer parte dela, diferente de todos os outros manés que assistem o jornal sensacionalista na hora do almoço. Entrar num ônibus e pensar: sou diferente de tudo isso.
Não quero morrer com cinquenta anos como mais uma, porque afinal, pra quê? Pra que existir e estudar, e viver, se no final é só isso? É só o que estamos vendo, é só o que aprendemos na escola, é só. Não vai se tornar nada do que eu estou esperando, então pra quê?
Afinal, o mundo não é mágico, e muito menos eu. E isso tira todo sentido da coisa!
Será que não é suficiente ser eu? A menina ruiva que tira notas ruins e odeia o sistema, que faz teatro e acha que canta, e que chora mais do que deveria? Que tem amigos que ama, que confia e desconfia em segundos, que tem os sentimentos tão na beira? Nada disso me faz algo realmente especial?
Seja bem-vindo a máquina, não é? Você é só mais um. Os seus problemas são típicos e sua mente te faz crer que tudo que lhe acontece é importante, que existe destino, que o amor é eterno e ifinito, e que você é uma boa pessoa. Mas no final, o que é que realmente vale?
Sinto como se fosse um desses figurantes de filme que morre no ônibus que o vilão explodiu. Um daqueles milhões que são usados como reféns e depois acabam afogados. Mera figurante cuja vida não vale nada, que vai ser lembrada por algum tempo por umas poucas pessoas, e vai acabar ficando em um papel. Uma dessas mil pessoas que morreram na guerra que a gente ouve no noticiário.
Como se existisse uma coisa realmente superior, como super-heróis, magia e monstros submarinos, mas que eu não fizesse parte de nada disso. Como se tudo o que eu estou vivendo agora fosse só uma ilusão da minha mente, e na verdade não tivesse nenhum grande valor. Como se eu não soubesse o que realmente está acontecendo. Afinal, quem pode dizer o que é real ou não? E se for, realmente, tudo uma grande piada?
Não quero ser a pessoa do fundo, ignorante e sem graça, quero um pouco de magia.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Falta algo. Não estou fisicamente cansada, meu stress não é perceptível nem para mim mesma, minha dor no pé já é rotina. Meu Deus desapareceu, meu medo, minha vergonha de ser eu com tudo e todos. Sinto falta de algo que não sei o que é, mas sei que não quero sair e me divertir, não quero pular e dançar, não quero me embebedar ou perder os sentidos em uma festa qualquer. Não quero música alta, não quero pessoas. Também não quero sentar e tomar um chá. Não quero ler um livro, não quero passar a tarde escrevendo besteiras em baixo de uma árvore. Não quero comer frutas, não gosto de quase nenhuma.
Não quero amor.
Quero ser. Quero respirar, deitar, sentir o sol batendo na minha cara. Quero comer quando estou com fome, e quero comer alguma coisa de verdade! Cansei de Cup Noudles, cansei de chocolate. Não é tão bom assim! Quero fechar os olhos quando eu sentir vontade, e ouvir a música que eu quero na hora que eu quero. Quero estar comigo, de uma vez por todas.
Cansei de todo o resto. Quero a mim, e só a mim.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

É justamente por essa malemolência diária, por esse roçar na garganta, por essa vitamina-c que de repente ficou com gosto ruim, que eu me sinto bem. É mais do que ouvir um "eu te amo" de quem você ama, é mais do que sentir o café quentinho quando está frio e sua garganta dói.
É olhar pra dentro da veneziana azul e perceber como tudo está limpo, como a satisfação se apresenta bonita em seu vestido vermelho, cantando Frenéticas com um copo com gelos na mão. Sentir o roçar do papel no dedo, deixando ele sujo de tinta, e ver que tudo aquilo não é um terço do que você disse. Todo o suor, o stress, a labuta diária de repetir tudo pra conseguir se expressar nos milímetros certos, não foi nada perto do que eu deixei sair quando disse que foi ela quem me criou.
Nunca senti nada tão intensamente puro, nunca suspirei tão aliviada quando ouvi palmas, nunca me senti completamente feliz com algo que saiu tão de dentro de mim, se é que já saiu algo assim antes.
E não é porque as pessoas gostaram do que eu disse, não é porque eu consegui articular bem e projetar a voz, não é porque eu atuei bem ou mal (eu não atuei). É porque eu desci as escadas e senti um abraço de verdade, com cheiro de loção pós-barba e fiquei nele por mais de dois minutos. É porque ele foi compreensivo e me deixou mostrar. Porque ele me olhou com os olhos azuis molhados, e falou comigo em português, e me reconheceu pelo que eu mostro ser.
É porque eu SOU uma ruivinha baixo astral, e porque pessoas lindas me fizeram ver que isso é maravilhoso.

domingo, 21 de agosto de 2011

Sinceramente? Talvez, ou melhor, com certeza a vida é uma merda. As pessoas são escrotas e egoístas, e você que se acha especialmente único vai morrer sozinho assim como o mendigo que não sabe o que é o holocausto.
Você vai perder algumas pessoas que ama, e as coisas quase nunca vão ser como você imagina. O tempo todo as pessoas vão te iludir com imagens lindas e você vai acabar se decepcionando diariamente.
Mas existe algo maravilhosamente curioso nisso tudo. Mesmo com toda essa merda, e com os dias se passando na mesma rotina velha e gasta, e os seus problemas aumentando como uma bola de neve, mesmo com o o,3 que você tirou na nota e no seu desempenho nas coisas insuportáveis que te obrigam a suportar... Mesmo com toda essa grande "escrotidão", quando uma arma toca a sua cabeça e você chega quase lá, naquela curiosidade iminente e no fim de tudo o que te torna tão tristemente patético, você treme. Você treme e oferece tudo o que tem de melhor pra continuar aqui. Continuar se decepcionando e decepcionando a vida, sem nenhuma razão aparente.
E é claro que isso tudo é uma coisa que colocaram na sua cabeça, mas e se for? O ponto é esse: é tudo uma coisa que colocaram na sua cabeça. Disseram que você é maravilhoso e depois te disseram que você é patético, e que sua existência é insignificante comparada a um milhão de coisas. As coisas não são tão boas, nem tão ruins. As coisas são tipicamente padronizadas, tipicamente enroladas e embrulhadas por ninguém menos que você.
Quando você quer focar a vista em algum lugar para tentar se livrar do enjoo que não poderia estar ali, e acaba sentindo que não dá mais, você abre a janela e empurra toda a sua barriga pra cima, pra cuspir algo que não deveria sair, pra sentir o vento batendo no seu rosto e ouvir a sua voz falando "puta merda". Quando o almoço que a sua sogra fez "com todo o carinho" pra você sai no vômito que você tanto evitou, você entra embaixo da água e se odeia.
E quando você sente as coisas turvas, você fecha os olhos e espera que alguem exploda os seus miolos, porque é isso o que você mais quer e menos quer no mundo: viver.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Eu me sinto repetindo as cópias já gastas de tanto uso. Quando vai chegar a novidade?

":)"

Sabe, quando está escuro e parece que as paredes se tornaram de papel, você fecha os olhos bem apertados e reza pra que elas te engulam pra não ter que conviver com si mesmo mais um dia? Você sente que os seus olhos estão te implorando pra não abri-los? E quando a água bate na sua cabeça, você não espera que ela afogue o seu cérebro em inconsciência? Você não olha pro espelho e sente que ele quer te destruir?
É impossível imaginar que alguém não se sinta assim nunca. Eu poderia listar o meu inferno e luta interna, mas isso só me faz espirrar. Como eu torno as coisas menos complicadas?
Eu queria, por um segundo, "deixar rolar". Queria que as coisas fossem tão fáceis para mim como são pra você, queria me despreocupar. Queria que nenhum sorriso doesse.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Eu volto pra casa mordendo os lábios, me consumindo por dentro, queimando a felicidade que me abraça todos os dias de manhã e que se vai quando eu lembro do que eu sou, do que eu sinto, do que eu tenho. Ou do que eu não tenho.
Eu não sou pra você. Eu não quero um fim, nunca. Mas eu sei que ele vem. Ele vem quando você perceber. Perceber que...
Eu não sou pra você. Eu não quero um fim nunca. Mas eu sei que ele vem. Porque um dia você vai notar tudo o que falta do lado de cá. O jeito que a minha casa aconchega as pessoas, não aconchega você. E um dia você vai perceber. Perceber que...
Eu não sou pra você. Eu não quero um fim nunca. Mas eu sei que ele vem. Porque você não é diferente, e dói como dois punhais nos ouvidos, mas eu sei que é assim. Não mudou nada, não é? Eu sei o que você sonha, o que você ilude, o que você brinca nas mãos. Mas você acha que mudou, e eu te deixo acreditar. Até você perceber. Perceber que...
Eu não sou pra você. Eu não quero um fim nunca. Mas eu sei que ele vem. Eu não quero deixar você perceber, mas tenho medo. Por mim, por você, por minha cama, por meu travesseiro. Medo por meus amigos, por meu universo, meu equilíbrio.

domingo, 3 de julho de 2011

foda-se o clichê

Estava precisando. Precisando aconchegar meu gatinho listrado, e meus outros bichinhos que moram comigo. Estou precisando até agora de um sorvete de chocolate, se quer saber.
Mas não era só isso. E aqui vai uma grande verdade: desde o dia que ela se foi, ela que ninguém quer ouvir falar por ter pena, ela que era mais do que mãe, amiga, irmã, parte de mim, ela que nunca mais vai voltar fisicamente, bom... Desde que minha estrela se foi, eu decidi que precisava ser forte. Eu decidi que eu tinha que segurar as pessoas. Eu tinha que ser a mais sorridente, a mais feliz, o apoio de quem precisasse. Porque foi de mim que ela se despediu, fui eu que recebi um abraço dela com seu vestido florido, fui eu que vi seu sorriso e ouvi a sua risada pela última vez. Foi a mim que ela deu esse presente, e eu sabia o que isso significava.
E eu fui. Eu fui o que cada um precisava. Eu tornei essa casa - que de repente tinha se tornado grande demais - em uma kitnet, e abracei todos com um sonho de ser feliz de verdade mais uma vez. Eu me tornei o que ela era, pra cada um que sentia saudade.
E fui esquecendo de mim. Eu esqueci dos meus sorrisos, do meu jeito, dos meus princípios, dos meus ódios, dos meus amores, de quem eu realmente iria sentir falta e de quem eu realmente poderia me aproximar. Convivi com gente e coisas erradas - que depois se mostraram não ser tão erradas assim - e fiz coisas de que me arrependi e me arrependo até hoje.
Eu precisava me recriar: sair de mim. Pintei e cortei o cabelo sabe lá quantas vezes, vesti mil casacos que me cobriam e pintei o verde brilhante dos meus olhos pra não ver o reflexo dela no espelho todas as manhãs. Experimentei gostos e coisas que me levavam para um estado fora de mim, só pra poder respirar fundo, olhar pro lado e não ver o sorriso dela de novo, olhar pro lado e não reconhecer nada, não me reconhecer, agindo de maneira que ninguém aprovaria, nem mesmo eu, só pra poder não sentir nada mesmo.
E eu não senti, realmente. As pessoas ficavam com pena de mim, e eu não entendia o porquê. Eu nunca consegui ter pena de mim de verdade.
Enfim, tudo isso foi preciso ser dito porque faz parte do processo em que eu estou agora: viagem de volta. Porque não importa o quanto você queira escapar de si mesmo, a vida é uma coisa só e você vai sempre ter que voltar alguma hora. Por isso eu disse que ninguém poderia dizer que aquilo era errado: porque ninguém sentiu a necessidade que eu senti.
Ao passo que me arrependo, me sinto feliz de ter conseguido lidar de uma maneira melhor do que me machucando fisicamente ou até mesmo tentando acabar comigo mesma - era o que eu queria - mesmo que isso tenha derrubado minha moral em muitos pontos.
E foi bom para abrir essa mente infernal, que sempre punha o certo e o errado, o amor e o ódio, o início e o fim. Foi bom pra não ter que botar nome em nada, nem tentar entender nada, nem tentar fazer parte de nada. Eu fiz parte de tudo, para perceber que tudo faz parte de mim.
E estou feliz, porque eu construí um caminho muito bem feito até essa reviravolta. Tão bem feito, que as pessoas que eu escolhi para ficar comigo estão comigo até agora, e acabaram de me convidar para celebrar o meu 16º aniversário na casa delas, e me ofereceram todo o amor do mundo, mesmo reconhecendo que eu fui uma vadia por uns tempos.
Não vou me desculpar até porque sei que elas entendem que isso não é necessário.

Eu sei que a maioria das coisas é passageira, mas a passagem que a minha estrela teve me mostrou que existem algumas coisas que simplesmente ficam lá pra sempre. E eu vou lidar com a minha tristeza até entender completamente que ela continua aqui, porque só saber não é o bastante.

sábado, 2 de julho de 2011

A egoísta sou eu?

Eu fui honesta com relação a tudo o que eu senti por você. Eu disse a verdade, eu mostrei o que queria. Eu jogava todos os dias dois diamantes no mar pra chegar até você, e o máximo que recebi foram dois beijos de gaivota.
E agora eu sou igual a todas as outras, eu te desapontei. Eu te enganei. Ah, você não tem noção do quanto o que eu mais queria era que você percebesse que comigo era diferente, com você era diferente. Com a gente. Queria que você visse que não era só o que eu fazia ou falava, era o que eu sentia todos os dias de manhã antes de escovar os dentes: o gosto do sonho que tive com você, o fato de meu subconsciente estar preso sempre no seu sorriso e no seu chapéu que as outras pessoas não gostavam... No único beijo que eu te dei, e que tá guardado naquela caixinha até hoje.
Pode ser que ao invés de você, eu seja a que entendeu tudo errado, mas pelo menos tente ver o que eu fiz, o que eu quis, o que eu pensava pra nós. Porque eu não acabei tudo isso, eu só aceitei o que o tempo e a distância estavam querendo me dizer. E recomecei, porque era o que eu precisava. Eu precisava parar de sentir falta.
É claro que eu não parei, acho muito difícil isso realmente acontecer, e eu nem estou tentando. Só que eu estou tentando redescobrir o que faltou todo esse tempo, e construir algo que realmente vá longe dessa vez.
Dessa vez, infelizmente, o sentimento por si só não bastou. E acredite, eu fiz de tudo para que bastasse.



P.S.: Será que você fez de tudo para que se bastasse?

terça-feira, 14 de junho de 2011

De verdade, só queria fechar um pouco os olhos. Deitar em algum colchão aquático, ouvir a água nos meus ouvidos, que traz aquela paz. Sentir o ritmo do mar, quem sabe. Sentir o sol, que tanto me incomoda normalmente, bater em todo o meu corpo, aquele calor em contraste com a água gelada. E não pensar, só respirar. Respirar e achar isso fabuloso, por me sentir alguma espécie de peixe. Os olhos pesados, estar lá sem querer estar em nenhum outro lugar. Feliz, satisfeita, de uma maldita vez. Puxar o ar e sentir a certeza de que está tudo bem. Só eu, ninguém me vê, não vejo ninguém. Não existe ninguém. Soltar um sonoro suspiro de satisfação; "Ah!". E enfim, sorrir. Sem mostrar os dentes, sem abrir os olhos. Sorrir porque é a única coisa que quero fazer. Senti porque é a única coisa que posso fazer: só sorrir.
Eu só preciso de um sorriso, na verdade. Mas ele não vem sozinho.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Cansei de esconder o drama

Qual é a necessidade que eu tenho de sofrer tanto assim com as coisas? Gostaria que você estivesse aqui. O tempo todo, gostaria que você estivesse aqui.
Mas eu só gostaria tanto porque sei que você não vai estar, não estaria. Gostaria que você corresse atrás de mim. Gostaria de saber "deixar rolar", como você diz saber. E me dedicar ao que eu preciso, pra poder continuar "bem".
Ah, não sei. Queria ser mais como você, mais segura, dedicada e tranquila.
Gosto de você. Gosto porque você é idiota, e eu mais ainda. De verdade, eu só preciso de um tempo. Um tempo da escola, da família, de mim.
Um tempo com você.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

E sim, eu sei que vou ser muito dramática mais uma vez. Mas tudo bem, porque eu já estou me acostumando a amar isso.
O problema é que eu não consigo não me apaixonar por você. E eu sei que não vai dar certo, sei que tem um milhão de problemas e diferenças, mas o que eu posso fazer?
Eu vou caminhando por um caminho que não acaba bem, mas eu não consigo dar a volta e ir pra um lado melhor, mais bonito. Eu quero o mais difícil, o que me torna mais idiota, o que me diverte mas me machuca.
Sempre, sempre.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Eu não sei nem mais o que falar, de tão parado que tudo está. Os mesmo jogos, os mesmos momentos, os mesmo encantos. Eu sei como tudo isso acaba. Eu sei que isso nem começa, e que talvez não me lembre mais daqui há uns anos.
Não tenho nem mais o que enganar. Não tenho mais como dizer que te amo, porque eu sei que não. Não tenho como dizer que isso é diferente, porque sei que não. Não tenho como dizer que vou melhorar, porque eu sei que não.
Então eu acabo não dizendo nada, mais uma vez. Porque é isso o que se passa: tudo. E eu continuo no nada, nada, nada.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Eu me vesti de tantas formas, eu experimentei de tantos rostos, lábios e jeitos... Eu senti tantos perfumes, eu caí em tantas folhas, e em tantos braços e abraços... Eu chorei em tantos ombros, colos, em tantas lágrimas!
E ainda assim, eu voltei pro começo. Eu simplesmente apago com uma borracha todos os meus erros sem nem ao menos me arrepender deles. Nas minhas circunstancias parecia tão certo!
E eu sei. Eu sei que se fosse outra eu julgaria, eu enterraria os pés e lhe prenderia ao chão. Desejaria o que não se deseja e insultaria sem nem ouvir uma segunda vez.
Não consigo me arrepender. E quem vai dizer que isso é errado?

quarta-feira, 30 de março de 2011

Não, eu não quero mais. Não ia ser muito bom, e eu não iria me divertir tanto assim.
Ah, sonhos! Eu poderia colocar toda a culpa neles, mas eu sei que sou eu. No final das contas, sou sempre eu, e não há quem diga que isso é ruim.
Eu esperei, todo esse tempo, encontrar algo de que eu me orgulhe e que me faça sorrir. E as lágrimas que vem não fazem parte disso. Quem é que eu queria enganar, além de mim mesma?
Tem uma hora que você acha que se tocou, que o que está fazendo não é o que quer. Que é tarde demais pra voltar atrás, mas você pode mudar e tentar deixar o que passou por lá mesmo.
Mas aí você sonha de novo, e percebe que errou. Que não era isso, que o que você precisa mesmo é outra coisa, e que é melhor deixar tudo pra trás mais uma vez.
O problema é que agora eu não sei se é isso mesmo, ou se eu tenho procurar mais no meu sub consciente. Ou que não é nada.
Não é nada, não existe nada fixo. E eu sempre achei que precisava me fixar, sempre achei que precisava acordar sorrindo e me sentindo bem.
Quem pode dizer que não? Nem eu, nem você, nem Deus.


E isso me deixa pior.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Lírios

Tanto. Esse tanto não foi tanto quanto o que eu senti.
Tenho as mãos trêmulas, não sei como começar. E você que já começou por tanto canto!
Se você acha covarde escrever, se acha que não é o suficiente ou o melhor, está enganado. Ah, meu querido. Palavra falada nenhuma ia me envolver tanto quanto aquela caixa. Eu não poderia sentir mais, porque tanto sentimento não caberia.
Quando você me deu a caixa, não imaginei nada. Não supus, não pensei, preferi me surpreender com o que eu - Pandora - deixaria sair de lá. E foi o melhor que pude ter feito na vida.
Caminhos tortuosos me levaram à minha casa (com chão de madeira e tudo), e ao meu quarto, e à minha cama. E eu me assegurei, querido, de fechar a porta e a janela. Olhei pros lados e tive certeza de que ninguém olhava. Eu queria aquele presente só pra mim, porque eu sabia que aquele seria o melhor. E então eu abri.
Deixo aqui uma pausa para tentar mostrar o quanto tudo parou.








Ah, querido. Como me dói. Cada parte do meu corpo treme, minha cabeça explode.
Você com a sua morte e me enchendo de vida.
Eu sempre quis filmes franceses, mas não existe nada melhor.

Eu entendo. Entendo cada pedaço de palavra. E cada desenho. E cada morte, e cada vida. E só entendo porque o seu nome é com C. Só porque é você, só porque o dia ensolarado quem fez foi você.
Só porque é a sua ideia mais genial.


E eu não consigo dizer.

quarta-feira, 16 de março de 2011

trata-se de madeira

Se você algum dia resolve pegar uma tábua e pregar alguns pregos nela, é melhor pensar bem. Porque depois, não importa se você machucar todos os dedos com as lascas de madeira, tirando um por um: ela não vai ser mais a mesma. Você vai acabar deixando alguns buracos, e isso é impossível de ignorar. Talvez isso ajude em algum encaixe, talvez ela esteja melhor assim, ou talvez ela se torne inútil pra sempre, quem sabe?
O que você não pode negar é que uma vez que você escolhe pregar em uma tábua, tem que ir sabendo que desde a primeira martelada, ela já mudará. O resultado, querendo ou não, é culpa sua.
Eu não lembro quando li isso, mas agora faz o maior sentido. Eu sou uma nova tábua, e alguns buracos foram formados por você. Cabe a você se acostumar com isso ou deixar-me aos cuidados de outros. Cabe a você se decepcionar com o que se formou, e cabe a você assistir - infelizmente ou não - aquela antiga tábua se modificar mais uma vez.
Mas não cabe a você querer que eu exploda ou morra, de jeito nenhum. Nunca mais.


E esse prego foi você que pregou.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

o extraordinário é demais

não foi andando pelo parque da cidade que eu consegui enxergar as coisas bonitas da vida, e não foi comprando um balão colorido que eu fiz uma criança feliz. eu esperei muito tempo - talvez tempo até demais - pra que uma dessas coisas mágicas aparecessem por aqui, e que eu pudesse sorrir pra elas, mas parece que o correio está alguns anos atrasado, ou o meu cérebro esqueceu de me lembrar dessas partes.
eu esperei por alguém o tempo todo, sem saber que eu estava cheia de alguéns ao redor, e eu só os negava e os repelia, porque pra mim ninguém era suficiente.
a verdade é que eu sempre expulsei o suficiente de perto de mim, como uma dessas pedrinhas no sapato que a gente só se sente bem depois de expulsar de vez. eu sempre expulsei as coisas que eu mais achei precisar - e agora eu não tenho a menor ideia do que eu preciso ou não.
é muito mais complexo do que ir se guiando pelo cheiro de filmes franceses, porque no final você não vai achar uma lanchonete antiga e sem amor. é muito mais complexo ir atrás do que você acha lindo, porque você nunca sabe se é isso o que se pode desejar, porque você nunca sabe o que é isso de verdade.
e agora eu parei pra perceber que eu nunca fiz as coisas que eu mais queria quando era pequena. eu nunca mergulhei com peixes, eu nunca entrei na barriga de um canguru, nunca voei e nunca provei uma torta de morango com chantilly, nem participei de um programa de televisão. eu nunca assisti o por do sol com o meu pai, nunca morei em uma floresta, muito menos comprei um óculos de visão raio-x.
e pode ser que eu ainda seja muito nova, que ainda haja tempo pra isso, mas as coisas vão mudando, e as imagens lindas vão se tornando cada vez mais impossiveis, porque o necessário vai se tornando cada vez maior, e eu só vou tornando as piores coisas mais necessárias, sempre.
(...)
Surgiu tudo rápido demais, e só quando ele me contou aquilo que eu pude me dar conta de que eu amava Monica.
Eu amava seus cabelos cacheados e castanhos, amava seu sorriso tímido e as suas pintas que ela insistia em chamar de sardas. Amava a blusa azul que ela estava usando, e amava suas pulseiras com nossos nomes. Desde sempre, eu a amava.
(...)

eu não quero só donuts

Por mais que eu odiasse as suas atitudes, por mais que eu te visse completamente fora dos meus padrões de certo, por mais que eu explodisse de agonia com o que você faz, eu te ajudaria se você me pedisse.
Eu acho que vai além do que eu penso, quando se fala de amizade. Vai além do que eu concordo, do que eu quero dizer, do que eu sinto. Vai até você. E é por isso que eu te abracei, e vou continuar te abraçando.
Houve um momento em que você precisou que as pessoas te abrigassem, te dessem um abraço e te entendessem, e tudo o que você recebeu foi ódio. Pode ter te ajudado depois, mas cada um é cada um, e você sabe o que é sentir uma patada, e não se importa na hora de dar uma.
Se você quer ser grossa, estúpida e me fazer chorar, eu entendo - e aceito. Porque é o que você é, e eu tenho que te apoiar com isso. Mas ao mesmo tempo, não me deixa nem um pouco bem saber que você não vai ser assim comigo. Que se eu estiver mal e precisar de um donut, você vai continuar na sua posição de cavalo-filho-da-puta, simplesmente porque se sente melhor assim.
Eu sou sensível, eu me machuco muito fácil, eu sou mais carinhosa do que o necessário, eu sou canceriana. Você é grossa, se preocupa menos e não gosta de grude, é sagitariana. Mas eu só queria que assim como eu gosto do seu signo e o acho engraçado, você não revirasse os olhos para o meu.
Por que diabos você acha tão certo continuar na sua casca grossa ao invés de tentar sorrir e entender? É tão difícil assim?

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

você vai dizer que não

Tem uma hora que explode. Tem uma hora que você tem que ouvir e pensar: é melhor não encher o saco. E tem uma hora que só o que se pode fazer é isso.
Eu não peço respeito, eu peço compreensão. Mas é muito mais fácil dizer: tá, tudo bem, eu respeito. E simplesmente virar o rosto para as suas unhas.
É muito fácil se isolar porque nada te completa, é muito fácil deixar de lado porque você não está no momento. É muito fácil ficar na sua posição o tempo todo e exigir respeito, assim como é muito fácil mudar de posições e exigir compreensão.
Mas não é uma questão de exigências. Não é uma questão de facilidade. Eu precisei de você em muitos momentos em que você preferiu dizer e fazer o que é certo, ao invés de me ajudar. Eu precisei de você em momentos que você preferiu evitarar o assunto porque "já sabia o que ia acontecer". Eu precisei de você, mas eu acabei "respeitando" o fato de você não querer de minhas precisões.
Só que uma hora o feijão fica mais do que pronto, e a panela explode. E eu tive que vir com uma seqüencia de feijões queimados pra jogar fora e começar um novo almoço, e você estava no caminho da lixeira.
Eu só estava pedindo pra você compreender que eu preciso passar, e abrir o caminho. Talvez um sorriso de aprovação poderia vir de bônus, quem sabe? Mas é muito difícil pra você sair do seu lugar, mesmo que seja um lugar não definitivo.
Mesmo que eu precise tanto, ou que me faça tão melhor, o seu lugar é seu lugar, e eu tenho que te contornar para chegar aonde eu quero.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

h

Sinto falta das suas risadas, do seu charme e do seu abraço reconfortante. Preciso de você de volta, e rápido. Eu não sei mais como fazer pra mudar tudo isso, e também não quero. Quero que tudo isso se realize, quero que você venha e eu possa refazer o que eu tentei montar naquele bando de inseguranças.
Eu sei o quanto aquilo foi confuso, e só me dá mais vontade de recompensar tudo. É muito mais sentimento do que eu achava.

Home

Eu tinha conseguido encontrar aquele equilíbrio perfeito, eu me sentia bem comigo mesma, o máximo que poderia me sentir. Eu gostava de sentir o vento no pescoço e sorrir, pensando que eu não sentia nada. Nada, nem uma gotinha.
Eu respirava fundo e checava: nem uma pontinha de dor, arrependimento, lágrima. E eu me sentia tão bem! Sentia orgulho por mim mesma, e pensava o quanto era bom não estar presa a nada, nem a você mesmo.
Mas me descobriram. E tão logo trouxeram um par de abraços e conversas de pura ilusão, pra me envolver naquela onda de novo. E agora eu fecho os olhos, respiro fundo, e só penso em querer voltar pra casa.
"Deixe-me ir pra casa. Casa é qualquer lugar em que eu esteja com você."

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

egoísta

Não é tão fácil assim. Não é tão simples ver um filme clichê e sair repetindo tudo, e levando mensagens para sua vida. Não é tão bom quanto parece, e às vezes não é nem um pouco valorizado.
Eu estou sofrendo. E diga você o que quiser, aquele filme clichê de alguma forma errou na teoria. Não está dando certo. Não é isso o que eu realmente quero, não é isso que ninguém realmente quer. O grande problema dos filmes clichês é que eles, na maioria das vezes, não sabem sobre o que estão falando.
E não importa se minhas intenções são falsas quando eu digo: “quero que você seja feliz, independente de com quem você esteja.”, porque se eu não disser então eu não amo de verdade.
E não importa se eu realmente não queria ter cometido aquele erro, se eu me arrependo e se reconheço que nunca faria isso de novo, porque agora aquilo já vai voltar pra mim com o tempo. Destino.
Eu não quero ouvir palavras reconfortantes de alguém que eu sei que tem um plano arquitetado. Eu não quero ouvir palavras erradas com um sorriso, porque eu sei que é tudo mentira. Eu não diria aquilo, exatamente porque eu sei que seria tão falso quanto às meias que eu estou usando agora. Elas esquentam, mas o tecido gruda nas minhas feridas, e dói.
E eu não quero que ninguém se dê mal. E não desejo que essa história acabe, nem que seja “estragada”. Eu quero me dar bem, quero que minha história acabe bem, e nada mais. Porque não importa o que os filmes clichês digam, todo mundo sabe que o amor é muito egoísta

O tempo todo, eu sabia que aquilo era o que ia acontecer. Por isso eu insisti tanto para ir naquele lugar mal cheiroso e triste. Eu sabia que seria a última vez, e achava que estava pronta pra encarar isso.
Mas eu cheguei lá, e eu te vi. E eu não consigo esquecer de como aquilo foi, e do quanto doía. Não consigo falar disso, não consigo tolerar pena, não consigo soltar aquele beijo temeroso que eu tentei te dar.
Não me parece real que você tenha simplesmente sumido, ido embora pra sempre. Não consigo encaixar tudo isso, porque pra mim isso sempre foi impossível. Eu consigo viver sem as suas roupas no armário, ou com as pessoas evitando falar de você comigo, mas eu não consigo conviver com o fato de que acabou.
Eu não me preocupei tanto, porque aquilo já tinha acontecido, e eu achei que você ia voltar de novo. Achei que você voltaria a vestir aquele vestido de flores, e ligar para os seus contatos dizendo que está de volta. Eu ainda acho que os seus óculos estão esperando por você, muito mais do que eu.
Não sei se é muito tarde pra perceber tantas coisas ao mesmo tempo, eu só não consigo mais aguentar essa história toda. Eu tenho medo de esquecer as coisas que a gente viveu juntas, tenho medo de me acostumar a viver sem você.
É muito mais difícil se dar conta do que aceitar.

tom

Eu lembro. Lembro que não importava se as tardes eram insuportavelmente quentes ou chuvosas, ou se o cachorro latia de mais ou de menos. Tinhamos sorvete e o meu jogo favorito, e muitas horas de conversas dolorosamente sinceras.
Eu lembro de como aquilo me fazia bem, do quão perto estivemos um do outro e do quanto aquilo era diferente de todo o resto. E me fazia feliz ouvir de você que eu tinha mudado a sua vida, que eu tinha melhorado-a.
Talvez o motivo por tudo isso estar assim agora seja porque eu nunca te disse o quanto aquilo valia pra mim também. Talvez eu nunca tenha mostrado o quanto você era importante, o quanto eu precisava de você comigo. Talvez eu tenha sido muito dura, ou menos sentimental. Eu realmente não sei. Talvez eu só tenha que me acostumar com mudanças.
Pra mim as coisas precisam ser muito fixas, eu me vicio rápido. O fato é que eu também deixei as coisas irem a um ponto em que eu perdi as rédeas e os limites, e eu amo isso. Eu amo ter ido tão longe com você, e agora eu só queria que aquilo tudo voltasse. Mesmo nunca conseguindo te dizer isso.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Pode ser mais um dos meus ataques clichês, mas é verdade: eu cansei de me preocupar com o amanhã e com olhos ou algo assim. Eu estou cheia de me assegurar de estar bem presa ao chão, só pra não cair.
E, francamente, eu não quero mais nenhum cheiro de filme francês ou uma ponta de açúcar nos meus dias. Com tanto que tenha gosto, pra mim está ótimo. Não quero mais me preocupar com o que eu vou sentir depois. Porque depois não é nada mais do que o agora de antes. E é menos complexo do que parece.
Eu gosto do seu nome. Gosto da letra K e gosto do seu perfume que aparece às vezes. Gosto da sua camiseta cinza e do seu abraço. Me sinto bem te tendo por perto e o seu jeito me faz relaxar. Eu gosto de quem eu sou quando você está por perto.
Pra mim, isso é o suficiente por agora. Mais uma vez, eu volto atrás no que eu disse antes: eu vou amar, o mais intensamente que eu puder. Eu vou sentir cada pontinha da decepção depois - ou não - e vou chorar o quanto for necessário.
Eu preciso disso, por agora. Preciso cair em uma piscina, ou num rio, ou nas pedras, ou em qualquer lugar, arriscado ou seguro: eu preciso cair.

O que eu mais quero agora, é cair nos seus braços. E se não der, bom, eu posso tentar alguma coisa diferente. Eu já me acostumei com isso.

sábado, 1 de janeiro de 2011

eu realmente não sei. eu não sei se me falta alguma coisa, ou me sobra. não sei se agora é o momento em que eu preciso lhe contar tudo o que eu guardo, ou de fechar os olhos e tentar esquecer mais uma vez.
eu sei o que você sente. sei cada pedaço de dúvida que você esconde e que você mostra e sinto tudo isso em dobro, pela pessoa errada. eu sei o que vai acontecer e eu sei o que você vai dizer.
eu não posso negar que eu quero você comigo, e eu sorrio só de pensar em te ter por todo um dia. eu te amo, eu amo o seu sorriso e eu amo você aqui ou em qualquer cidade que você esteja.
talvez seja muito cedo pra dizer, mais uma vez. mas eu cansei de saber o tempo certo. o tempo certo só me faz errar, e eu não preciso de mais erros por agora. eu preciso de você. junto de mim, me abraçando. eu preciso da sua casa, do ar condicionado e do cheiro que a pintura da sua parede tem. eu só queria você aqui, e agora tudo o que eu sei é que isso se tornou ainda mais impossível.