quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O sol nasceu rosa no horizonte, grande e redondo, como um prato de sopa fumegante. O vento assoviava frio e confortável, típico da altitude do lugar. Ela fechou os olhos e respirou fundo, como se pudesse absorver todas as energias boas e revigorantes que aquele lugar lhe dava. Queria deitar, relaxar, mas sabia que não era o momento.
Teria que caminhar por mais horas e horas daquela forma: sem um destino exato, tateando algo que possa chamar de pista, tentando tomar tempo para beber um copo d'água e ler o final do seu livro. Mas simplesmente não conseguia: mil coisas lhe apareciam no caminho e dificultavam sua chegada ao fim, ao descanso. Os últimos esforços, os piores esforços.
Tem um ponto onde isso se torna desumano. Onde se perdem as noções. Afinal, é claro que é um grande ciclo e nós temos que nos encaixar nele, dá forma que dá. Não é?
Se pararmos pra pensar, é desleal demais... Porque existem mil coisas me impedindo de chegar aonde - não posso negar - eu QUERO chegar. Eu quero "passar de ano". Eu quero orgulhar o meu professor e o meu pai. Eu quero me tornar alguém, conseguir viver a vida de uma maneira tranquila e que me satisfaça. Mas até lá, busco no ilógico coisas pra me distrair do que realmente está acontecendo.
Eu não sei o que realmente está acontecendo. Não sei porque não consigo dormir uma noite inteira. Não sei porque não consigo estudar uma tarde inteira. Não sei porque não tenho tempo para ler o meu livro. Mas ainda assim, as horas insistem em continuar passando, me torturando aos poucos, até que eu me encontre em uma sala branca e gelada com todos aqueles cálculos pela frente.
E o ponto não é só esse: e se o mundo acabasse amanhã... eu estaria satisfeita? Não é uma questão de viver cada dia como se fosse o último, mas sim cada ANO. Não é uma questão de sair loucamente, bebendo numa terça-feira, mas de olhar pra trás e sentir que está tudo bem.
O tempo todo, continuo esperando, enquanto as coisas passam. Mas esperar não é o suficiente. E se eu nunca alcanço o suficiente, por que tenho que continuar tentando? Eu não quero ser suficiente. Eu não quero continuar pulando os obstáculos, sem respirar fundo, sem beber água. Eu não quero chegar lá.
Mas não existe essa possibilidade, certo?

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