segunda-feira, 16 de março de 2015

 Já não sei mais se a dor surge porque preciso escrever ou se preciso escrever porque a dor surge, mas me encontro comigo mesma quando encaro a folha em branco e entramos em uma relação que me preenche os buracos e libera o meu sangue. Sinto pulsarem as pontas dos meus dedos e saio desabafando tudo de amor e dor que tem em mim. Essa parte de mim ninguém toca. É o meu lugar seguro, é o meu ponto de encontro, é meu e só. Escrevo desde que tenho seis anos. E esse processo sempre foi tão íntimo pra mim que eu guardava o meu diário trancado com o cadeado dentro de uma caixa trancada em uma gaveta trancada. Lembro que uma vez meu irmão leu um trecho dele e eu me senti completamente nua, como um pássaro depenado. Se eu sei quem eu sou, sei por aqui. Leio meus textos de anos atrás e percebo como eu era imatura, as vezes rio de mim mesma. Mas é também onde me reencontro, me reentendo, me percebo e me formo. Eu entendo a menina de alguns anos atrás que escrevia nesse mesmo blog uns 12 textos por dia falando sobre seu amor incorrespondido, porque foi ela que me fez nunca mais ter que sentir isso dessa forma. A parte que eu não entendo e não apoio dela não está aqui. Não está nos textos. Porqué é externo, muda o tempo todo justamente porque não precisa - e não quer - ter lugar fixo. Escrever é minha essencia e o meu refúgio. O meu medo e a minha coragem, o meu luto e o meu amor...  escrever é a minha verdade.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Se eu fosse colocar numa retrospectiva, ficaria tonta com todos os saltos e vôos e quedas que a minha vida deu. Só vou me dando conta aos poucos dessa minha imensa vontade de viver e provar, e o quanto sou capaz. Por todos os lados, me surpreendo comigo mesma e é a primeira vez que começo a gostar do que vejo. Um mundo de possibilidades que só gente jovem entende se abre aos meus olhos e eu sinto uma vontade forte de sorrir e de chorar. Eu não acreditava na felicidade porque nunca soube como consegui-la, mas agora sei. Eu procurei em lugares, poesias, livros, paisagens, carinhos, confortos e pessoas mas só encontrei quando realmente me joguei no escuro. A sensação de queda livre é a coisa mais verdadeira que eu já senti na minha vida. E é a melhor. Se você me lê e me conhece, me escreve uma carta. Me leva pra tomar um sorvete. Dança comigo na chuva. Te prometo: quando estivermos juntos nesse momento, seremos felizes. Seja lá você quem for. Te amo.