quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Só conhecendo muito bem as palavras
Eu poderia descrever a decepção que é não ser ouvida
Tendo o domínio da fala, por nós, 
Eu poderia dar vida à voz 
Do sofrimento causado
Por um cuidado renegado 
A um presente precioso 
dado em forma de flor.
Ou se eu pudesse falar de dor 
Da maneira que cabe em seus ouvidos 
Escolhendo bem os teus versos preferidos
Pra que você entenda algo que não é seu...
Mas quando falo em versos teus, 
Já não falo do que é meu
E todo o meu eu se cala
Ao ser surrado por uma fala rala
Toda mulher já deve ter sentido 
A exaustão de ter seu universo ferido
Por ser muito amplo e profundo 
E ver o seu mundo, querido 
Tão singelo, intocável, real
Destituído por um argumento superficial
Se eu pudesse transmitir um olhar
Fazer a sua realidade tocar
No que é o ser feminino, e flutuar
Entre as diferentes percepções, 
Tornando possíveis as duas visões, 
Eu poderia te fazer sentir, dentro do peito contido
O que é ferir e o que é ser ferido:
A responsabilidade de ser um amigo.
Você falando sobre estar descalço
E, com os pés sangrando, eu assisto os aplausos
Porque jamais me tornarei você:
eu sigo atenta ao que causo.
Se dominasse as palavras, de nada serviria
Porque você as usa como um jogo, não com sabedoria
Mantenho minha fé e abandono sua teimosia
Porque Toda mulher também sabe

O que é lutar uma luta vazia

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

*

Abaixe-se. Capte o som terreno, o toque suave da vitalidade. O ar está cheio, o mundo está vivo e em sincronia com a sua existência. Tamanha sorte temos por estar vivos: testemunhar a harmonia da Terra com Deus. O sol poente é de potência mobilizadora, capaz de desembaçar a visão que olha pra dentro. O mar lava as feridas as quais você se apega sem querer manter. O sofrimento é um passageiro, o motorista é presente independente da sua fé. O tempo é rei, a lua é mãe, o sol é luz.

Desconheço o motivo
Por qual eu me privo
Do que eu preciso
Num giro reflito
Vomito um grito
Respiro meus ritos
Repito os vereditos
Escapes são mitos
E pra mal ouvintes
Verdades omito
Me sinto
Viva e bem
Quem quiser vir vem
Amar é além
Sem olhar a quem
Né papo de Zen
A ideia advém
daqueles que inibem
os laços d'outrem
Contando vintem
Pra crescer, mantem
A peneira fina
A doutrina é uma sina
Palavra cabida
O intuito é a vida
Manter a saída
O plano perfeito
Olhar os efeitos
Não é força, é jeito
Natural exposto
Reencontrar o gosto
Por coisas da Terra
Se sabe, não erra
Não sabe, espera
A chave vai vir
O momento certo
É o encontro exato
Entre estar perto
E estar atento aos fatos
A hora é sempre
De agora ao ventre
Mas calma presente
É o primeiro passo
Sem tropeço eu faço
Carapuça eu calço
Sei que não é fácil
Mas guia eu tenho
O que te serve, leve
O peso é pro outro
Quem quer ficar, fica
Só quem quer, precisa
Encontrar a saída
E dar graças à vida

sexta-feira, 5 de agosto de 2016


O resgate é uma consequência da busca, o acaso é a desculpa do desnorteado, só assim que pode ser. Um, dois, três. As possibilidades existem pra ser devoradas, e como pratos de comida, elas causam respostas do seu organismo. Busque o são, saude a cura. Saúde sorri. Quatro, cinco, seis. O morno da escuridão tem validade, o desejo pelo ócio é uma armadilha, os músculos quando sedentam, atrofiam. Sete, oito, nove. Alguns são diferentes. Alguns acordam dispostos, ou até podem viver com a indisposição. Alguns não são enfraquecidos pela tristeza, ou até conseguem viver com o tremer dos joelhos. A doutrina é para todos, mas nem todos são para a doutrina. A rotina se fez necessária, o mantra é meu e pra mim, só assim consigo limpar a remela e fazer o café. Eu preciso estar bem, eu preciso criar, eu preciso do sol. Eu preciso. 

quinta-feira, 28 de julho de 2016

O mundo é imenso, eu me sinto perdida quando me sinto só. O meu entorno me aborrece, a superficialidade me entedia, o álcool me entendia e hoje me renega. A mensagem se repete, meus conceitos se perdem, nada pra me agarrar, nada que eu queira com todo o meu ser, o meu ser não sabe bem quem é. Onde fiz meu chão? Onde estive pondo meus pés? Vejo-me apagar, desinteressante ao esmo, atenta demais pra adormecer. O caminho se apresenta, se impõe, nada me segura. O único sentido é pra cima, o único sentido é só.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

O QUE ELES PROPOEM



gostaria de manter a promessa que fiz a mim mesma, de dar significado a tudo isso aqui e tentar esticar meus textos até o ponto de identificação externa, dos outros. mas a inspiração não me toca dessa forma, ela beija meu ser por dentro e molha meus olhos quando precisam ser limpos. só posso ser assim.
o que me fode é o constante apontar de dedos, por um momento eu me canso das palavras, expressões, construções de imagens e sinto a necessidade de fechar as entradas de som e as saídas de ar. eu observo como o observar do discurso causa necessidade de reprodução, me rondo com as mesmas questões de sempre e entendo a idiossincrasia de cada uma, e por essa lei, as respostas perdem os significados. os caminhos das ideias parecem ansiosos por chegarem em conclusões e quando chego, duvido. o que sinto é real, mais real do que o que ouço, imagino, penso. só que a realidade de um sentimento desprovida de ideias é indubitavelmente momentânea. 
desprovido de ideia, o sentimento só é. desprovida de ideias, estou satisfeita. o desligar da mente me conecta com uma verdade que tem gosto, cheiro e forma de ilusão. por quê?

quanto mais afundo em mim, menos sozinha estou. quanto mais falo comigo, menos calo os outros. a necessidade de mostrar ser algo foi substituída pela necessidade de ser invisível. as definições de mim estão em constante atualização, as definições externas permanecem no fluxo de se tornarem cada vez menos necessárias. 

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Isso que você tem na boca é uma língua de dois gumes, tão afiada que pode cortar a fina dimensão do tempo-espaço e atravessar o cosmo através dos portais que ela mesma abriu. O que você tem por baixo dos cabelos é uma mente clara que veio do escuro, pulando os muros da compreensão e se alimentando do além, lisérgico ou lírico. A curiosidade alimenta a arte de botar a cara a tapa, o seu desejo pelo "unlike" vem ao mesmo tempo que a decepção por recebê-lo. O seu paralelo de visão e audição é o mistério: O que você vê é o mundo cão,
E ele
Escuta.

terça-feira, 14 de junho de 2016

"I found a liquid cure
for my landlocked blues
it will pass away
like a slow parade
it's leaving but I don't know how soon

and the world's got me dizzy again
you'd think after 20 years I'd be used to the spin
and it only feels worse when I stay in one place
so I'm always pacing around or walking away
I keep drinking the ink from my pen
and I'm balancing history books up on my head
but it all boils down to one quoteable phrase
"If you love something give it away"
A good man will pick you apart
a box full of suggestions for your possible heart
But you may be offended, and you may be afraid
but don't walk away, don't walk away

We made love on the living room floor
with the noise in the background from a televised war
And in the deafening pleasure I thought I heard someone say
"If we walk away,they'll walk away"
But greed is a bottomless pit
And our freedom's a joke we're just taking a piss
And the whole world must watch the sad comic display
If you're still free start runnin' away
'cause we're comin' for ya

I've grown tired of holding this pose
I feel more like a stranger each time I come home
So I'm making a deal with the devils of fame
Sayin' let me walk away, please
You'll be free child once you have died
from the shackles of language and measurable time
And then we can trade places, play musical graves
till then walk away walk away walk away walk away
So I'm up at dawn, putting on my shoes
I just want to make a clean escape
I'm leaving but I don't know where to
I know I'm leaving but I don't know where to"

quarta-feira, 8 de junho de 2016

O que será que se passa aqui dentro, sinto frio de dentro pra fora, estremeço minhas certezas e congelo meus sentimentos, o tom de melancolia vem de dentro dos meus olhos e molha a cidade calorenta. O que será que eu vejo de tão bonito no azar, porque jogo tanto e tudo pra ele, por que me apaixono pelo que não existe, por que converso tanto comigo e pulo tantas conclusões... Sou solitária, deserta e fria, eu só funciono comigo, eu só sirvo pra mim. Por que será que preciso de tantas distrações, por que busco tanto a incerteza, por que estou atrás do desequilíbrio como se fosse um cão que eu tinha domesticado e perdi... Por que as perguntas sempre me soam como afirmações, por que as respostas sempre me soam como ironias, as verdades como piada e as mentiras como costume. Por que será que amo tanto o beijo do sol mas o meu interior parece precisar da caverna incômoda... Por que o sol me provoca tanta tristeza e o frio também. Não sei perguntar, não sei responder. O meu diálogo é desprovido de sentido, monocromático e monótono. Sou composta por fases e guiada pela lua, mas perdi os motivos e as estribeiras, os meus dias estão contados.


terça-feira, 31 de maio de 2016

estudando mitologia

benditos sejam os abençoados por uma cabeça pesada
e uma raiva maior que o impulso, amaldiçoada
afortunada a enchaqueca
que não é anestesiada pelo itinerário,
mas pelo sangue que mantem-se frio
e pela boca, que mantem-se seca.
bem-aventurado seja o pulsar do ódio que vem do amor,
os extremos unidos pela mesma força de dor.
que meu manto proteja aqueles que mudam os dias
e que vivem as noites vazias.
porque por trás de toda a indecência dos momentos ocos
está o grito rouco do sufoco.
da esperança, só um toco.
um teco pra quem sonha pouco
e pra quem sonha, vários socos
vou com os tres olhos roxos e o passo coxo
contra a vida assassina e a morte seletiva
dos que carregam o fardo da sensibilidade,
aqueles que não vem com imunidade,
vários Atlas e Pleiones gerando o Touro que guia os cegos
que só enxergam no escuro dos egos.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

finalmente embebida de mim!
posto que o sofrimento rasga a alma,
tenho a minha dilacerada:
dilatando em expansão, absorvendo os aprendizados que se incorporam a mim.
sofrer é nutritivo e eu estou gorda ao passo que estou seca
tanto de mim por todos os lados
tanto amor gratuitamente espalhado
e tão pouco direcionamento...
porque direcionamento é atenção e eu sou dona da minha.
subi numa montanha de barro,
lambuzei todo o meu corpo
e me camuflei no penhasco.
gritei os monstros da garganta,
expulsei os demônios do oco,
assisti o pôr do sol.
não abro mais mão de quem sou
mas estou em constante movimento.
estapeiem minha cara.
me neguem.
me reneguem.
eu resisto.
porque não tenho pra onde ir
o meu cuidado é genuíno e meu amor é demais
não tente fugir, não é necessário fugir do amor
o medo é necessário, a preocupação também
mas há que se medir as coisas, meu bem
abre o peito e vê que eu tô aí,
abre o olho e vê que não tem nem pra onde ir,
e abraça o nosso cheiro, que já existe
((e é de sol e sal)).
não precisa enganar a ninguém
eu não to fazendo nada, nem você também
faz mal chegar tão perto assim de alguém?

"E a manivela do mundo
Girando
E as oficinas de vento mexendo comigo
Mas já não ligo
Um sentimento aqui
Parece maior
Parece melhor nem pensar."