sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Me dói os olhos, que posso fazer?
Evito deixá-los fechados por muito tempo, para não perder nada do que pode vir a acontecer. É como se fosse necessária uma prova - ou mais uma, um pouco mais explícita - de que não existe nada que te prenda a mim.
Quando eu era pequena, tinha medo do que eu imaginava. O que mais me assustava naquela época, não era o bicho papão ou a Cuca - com esses eu até simpatizava. O que me deixava as pernas bambas de verdade era a minha própria mente, e a minha capacidade de imaginar tantas coisas terríveis ao mesmo tempo.
Antes de dormir, abraçava o travesseiro e espremia os olhos enquanto surgiam aquelas pessoas desfiguradas, os rostos assustadores - que eu nunca conheci - e eu mesma, em estado de loucura.
Passaram-se anos, e a razão veio me puxando pelo braço. Hoje, ainda imagino coisas horripilantes. Mas com a idade, surgiram medos muito piores do que qualquer terror infantil.
Como o medo que me dá todas as noites, com a cabeça no travesseiro. A imagem de você com qualquer pessoa muito melhor do que eu. Sobem arrepios pela minha espinha, e custo a dormir. De mais que medo: pavor.
(...)
Então, quando acordo da minha insônia, e vejo os seus olhos correndo por algum canto de boca, preciso assistir até o fim, e preciso sentir aquele punhal no coração. Preciso pensar: que idiota! e preciso perceber - mais uma vez - que não existe um final feliz sem príncipe (ou princesa).
(...)
domingo, 22 de agosto de 2010
Isso tudo não é pra mim.
Essa coisa de impessoalidade, de falta de aviso e de mudança de planos. Ah! E essa coisa de movimento, dança, som alto, e loucura sóbria. Que isso! Nem pensar.
E agora, essa coisa de proximidade, intimidade, sem nem conhecimento! Deus é mais.
Eu sou mesmo é antiga! Velha não, nada de velha. Antiga. Daquelas que gosta dos textos no papel amarelo, da avó, de lápis mordido e de fotos em preto e branco. Filmes em preto e branco. Eu acho mesmo que essa coisa toda colorida não tem magia nenhuma. Vai entender.
Mas é verdade que essa coisa toda de ser antiga tem suas qualidades.
Eu tenho certeza que gente nova nenhuma pode sentir o que eu sinto quando chega uma caixa de chocolates em forma de coração. Quando chegam cartas - correspondidas ou não - cheias de sentimento e beleza. Quando se passa uma tarde bebendo alguma coisa fraca e conversando com aqueles amigos antigos, sobre música e tempo. E o chá das seis? E os livros incontáveis, e o tom de um por do sol?
Ah, eu prefiro mesmo é esquecer qualquer música alta, loucura sóbria ou "diversão" atual. Eu prefiro mesmo é escrever com um chocolate quente por perto, e uma lareira pro frio.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Não sei um nome pra dar pra isso.
Mas é que cansei. Cansei de me perder em rabiscos enquanto não ouço algo que eu deveria prestar atenção. Cansei de olhar pra um reflexo meu num papel e ver como tudo está errado, e em como poderia estar certo.
Cansei dessa confusão de querer o certo mas fazer o errado.
Cansei de estar aqui quando minha mente deveria estar perdida naquelas coisas que me dizem que vão me levar a algum lugar.
Cansei de procurar dotes e magias em pessoas, quando isso não existe mais. Não existe mais em mim nem em ninguém.
Cansei de amar e odiar tanto as atitudes alheias, e cansei de me preocupar com o que é e o que não é. O que está e o que foi embora há exatamente onze meses e dezesseis dias.
E cansei daquilo que não existiu nunca, mas que foi de se tocar.
Cansei de procurar sentido no cansaço e nas palavras que eu derramo nesse refúgio que eu cansei de me refugiar.
Cansei de mim, de você, nós, vós, eles.
Cansei de estar cansada, e cansei de procurar maneiras pra fugir desse cansaço crônico.
Ah, e cansei de não conseguir por um fim nisso aqui.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
E agora?
O que é que se faz com a falta dos tempos em que eu era feliz só por ser? E que as coisas eram fáceis, e as preocupações eram outras?
O que é que eu faço com a saudade do meu amigo que fugiu de mim e dele mesmo? E de mim? Que fugi deles e de mim mesma?
E se todo mundo fugiu, o que é que resta aqui?
E agora se eu não sei o que está acontecendo, não sei onde eles estão e onde está tudo?
E agora? Onde está a mesa onde eu coloco o meu chá de todas as tardes?
Não, eu não pedi um banquinho. Pedi uma MESA.
Eu tinha uma! Onde é que está, pelo amor de Deus?
Não é chá
Essas coisas todas desmoronam tão rápido!
Uma hora você está tomando um chá doce, sorrindo e voando com alguma música linda, e pensando no quão sortudo você é, e como as coisas podem dar certo, e sabe? Você pensa que não é tão impossível assim ser feliz, e você sente o vento batendo no seu rosto, e levando os seus cabelos pra longe. Pra outro lugar e outro sabor.
E então, você pisca os olhos e se vê falando com a pessoa que mais ama no mundo sobre como ela vai sair com outro alguém. E nas suas mãos não tem chá nenhum, só um copo de água gelada, que você poderia jogar na sua cara.
Ao invés de vento, caem pingos irritantes de alguma árvore inquieta, e a sua felicidade parece que fugiu para a finlândia com o fim.
E então, como se ainda pudesse piorar, essa pessoa vai embora, e foge de você e de seus olhos. Foge da imagem que existe dentro de você, e te deixa sozinho, com cara de babaca, segurando um copo frio na mão, e com o rosto molhado.
Ah, as coisas desmoronam tão rápido.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
me dou conta
Nem sei mais se quero algo com isso aqui.
(...)
Até lá, meu amor, eu vou chorar com a lua e com as estrelas, e com esse você que eu guardo nessa minha memória turva.
domingo, 15 de agosto de 2010
Não, não acho que estou errada.
Não acho que eu mereça toda uma enxurrada de palavras só porque esqueci o copo na mesa, ou porque esqueci de ver se a roupa estava na chuva, ou porque não vi o sol ir embora.
Não acho que seja tarde demais pra mim, e se for, prefiro desistir de uma vez. Não me vejo vivendo sem o que sou agora, e não existe possibilidade de concerto sem oficina.
Então que seja, não quero saber se a hora já passou ou ainda está por vir. Feche a porta e me deixe ouvir essas músicas que você não conhece, e pensar sobre como as coisas veem e vão, e em como eu gostaria que a minha estrela estivesse viva.
Não, não acho que estou certa. Mas nunca disse que isso mudaria alguma coisa.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
fez-se noite
Fez-se dia e você percebeu. Viu que estava amanhecendo e se apressou em correr e cobrir tudo com o dia mais maravilhoso do mundo.
E então eu sorri. Sorri como se as estrelas não se encontrassem mais no céu, e sim dentro de mim, escorrendo pelos meus olhos e ouvidos, e fugindo com toda aquela luz. Sorri como se tudo o que existisse fosse lindo e maravilhoso, e a vida fizesse sentido e o dia e a noite tapassem o que quer que fosse além disso. Como se os milhões de problemas mundiais não fossem nada comparado aos seus lábios e aos seus beijos e à sua voz. Ah, como eu sorri.
E você me viu sorrindo. E você viu o meu dia. E então pensou: "ah, aqui está ótimo. Já está na hora da noite.", abraçou-me - daquele jeito frouxo que eu odeio - e saiu andando, correndo, sorrindo, atrás do seu ônibus.
E eu fiquei lá parada, vendo tudo sumir, e as estrelas correrem pro céu, e o dia e a noite fugirem de sentidos e razões, e o mundo todo escurecer, enquanto a luz ia pro outro lado; pro seu lado.
As sombras surgiram e o medo veio me afobar. Veio o frio, e a falta do seu calor. Veio toda a escuridão e eu me perdi. Me perdi nessa floresta escura, que eu nem sei mais se é floresta, ou se é alguma coisa.
As sombras surgiram e me taparam, e o meu sorriso correu pra junto do sol e pra longe de mim.
E eu estou aqui esperando amanhecer de novo, porque não pode ser o fim do mundo. Não pode ser o fim de eu e você. Não se pode nem ao menos chamar isso de fim, até que você e o seu sol não voltem a tempo.
É claro que eu to afim
Uma dose, por favor.
Da mais amarga que você tiver, moço. Porque eu já me cansei dessas doses doces que veem aos poucos, e acabam com esse gosto amargo preso na garganta.
Cansei, sabia? Cansei dessas doses que me deixam tonta de bêbada, pra depois vir essa ressaca mortal e me deixar inútil na cama. Quero uma dose amarga, que essa pelo menos já me avisa que o que vem não é bom.
Sem gelo, moço. Que tudo o que o gelo faz é diluir as coisas. E deixar aguado. E eu quero uma dose que seja ela mesma, por favor.
Quer dizer, querer mesmo eu não quero não, moço. Deixa pra próxima. Eu só me contento mesmo é com essas doses doces e amargas e com gelo.
Pena que acabou.
respire e engula
É difícil respirar enquanto se tenta engolir tudo isso.
Enquanto se tenta engolir tudo o que se pensou em tardes escuras no seu quarto solitário: o plural e as músicas de uma noite fria. Engolir as cores que se imaginou que combinavam e as poesias e melodias que se criavam para os momentos com alguém. Engolir os pensamentos que tanto iludem, um por um, e tragar os seus gostos e loucuras diferentes. Engolir os beijos e abraços e suspiros e contornos e palavras de outra pessoa. Engolir todo um sentimento de anos para uma proximidade de dias, e engolir qualquer proximidade. Engolir o amor e a dor, engolir o dia e a noite, engolir eu e você, e principalmente, engolir o nós.
É difícil respirar e é difícil engolir, porque dói fundo na garganta.
Mas mais difícil ainda é vomitar tudo isso em lágrimas e soluços em algum canto escuro e solitário do seu quarto, que não é o mesmo sem "ele".
Onde é que eu estava com a cabeça?
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Não é uma carta que se responda
Eu estou escutando aquela música. A música que pra mim, começou com isso tudo.
E é por ouvir ela, que eu acho que te devo alguma coisa, sim. Te devo muita coisa, velhinho.
É: velhinho. Dá pra ver por trás de seus óculos sem lente que é isso o que você é.
Eu te devo uma dedicação e um sentimento inexplicável, eu te devo meus pseudônimos, eu te devo dias e noites que me fizeram ir e voltar em concepções suas.
Te devo uma disposição surreal, te devo uma valorização (ou melhor, super valorização), te devo suspiros, te devo explicações e mistérios. Te devo lágrimas. Milhares. Todo um oceano que vazou pelas suas lentes correndo de sua dor. Dor que foi causada por algo em mim que até hoje eu não sei explicar.
Egoísmo? Ignorância? Não sei.
Sei que tudo o que eu fiz foi ser uma pessoa "ingrata" por muito tempo. E não digo que isso vá mudar, porque agora eu posso ser pior do que nunca, velhinho.
Mas, acredite, quando eu crescer e ficar assim que nem você, eu vou me tocar e pensar comigo mesma: "Ah,e o Rumpelstiltskin... ele me faria feliz!"
Mas eu não consigo agora, velhinho querido. Ou talvez consiga, mas isso não mudaria nada.
Tudo o que eu posso fazer, e mesmo você achando que é fingimento eu faço, é te guardar nesse pedacinho confortável que eu tenho aqui dentro do peito, junto com todo esse carinho que lhe guardo - que não é pouco.
E eu espero que você entenda que isso é tudo.
romance demais
E agora que eu sorrio sozinha, e deito e lembro? E agora que eu sinto esse perfume o tempo todo?
E agora que eu vejo filmes melosos e meu coração salta? E esse gosto de pipoca e coca-cola, e eu só pensando em algum cinema ou momento?
E agora que eu leio aquelas coisas de maçã do amor e me derreto, o que é que a gente faz?
Ah, meu querido, é melhor você sair desse castigo...
sábado, 7 de agosto de 2010
embaralhado
Todos esses conflitos e essas confusões e discussões de uma coisa que eu ainda nem assimilei direito me fizeram doente.
E eu passei dias na cama, com os olhos vermelhos e inchados, perdidos em alguma tela, lendo coisas sem sentido e me perguntando outras versões. Me perdi em definições e as amaldiçoei profundamente. Me perdi nos rótulos, nos espirros, nas lágrimas e no gosto de remédio.
E acabo que me encontro onde não estou. E acaba que onde estou não encontro mais seus abraços, seu perfume, e nem você. E nem eu e nem nada.
Ah, que confusão é estar doente!
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
O homem do sorriso
Todo dia de tarde, enquanto eu estou sentada naquele banco, esperando por um motivo para ir pra casa, e escutando alguma coisa que não me faz diferença aos ouvidos, ele vem vindo de longe, com suas blusas claras e seu sorriso enorme.
Um sorriso que ilumina o dia. E vem sempre perfumado, bem-vestido, os olhos brilhando por trás dos óculos de grau.
Não importa o que aconteça, ele sempre sustenta todos com aquele sorriso, que chega a ser maior do que seu corpo e seu guarda-chuva.
E vem falando rápido, com seus abraços aconchegantes, e trazendo novidades do mundo de lá. E eu aproveito e escuto tudo atenciosamente, como uma dessas aulas que ele dá, em seus cálculos e moléculas de felicidade.
E depois, ele vai embora, e eu leio o seu diário, para no outro dia vê-lo e comentar sobre suas palavras e sua poesia, e ele lê o meu diário e me conhece tão bem!
Ah, e todos esses dias eu fico lá no meu banco, esperando por ele e por seu sorriso, só pra poder voltar pra casa feliz e pronta pra o que essa casa venha a me dizer.
E eu sempre preciso tanto daquele sorriso!
E agora que você arruinou tudo
Se é que ainda lhe guardo algum pote, te digo: está vazio.
Não posso falar de cores com quem enxerga em sépia, não posso conversar sobre amores e acontecimentos quando tudo o que você vê é que eu deveria estar te falando aquilo.
Me entende? Quando você me diz que você DEVERIA saber daquilo, tudo o que eu posso dizer é que ninguém deve nada a ninguém, nem fica devendo nem tem o dever.
E se sentimentos são assim como café quente, então por que é que eu não posso queimar a mão? Ou deixar cair um pouco da chícara?
Sem mais correspondências, que eu já vi que o que você absorve disso não é saúde, nem cor, nem importância.
Só uma última mensagem: se você me pede desculpas, então está sendo completamente injusto. Ou eu aceito e engulo essa mágoa, ou eu nego e te enfio mágoa pela güela.
Sem desculpas, correspondências ou deverias. Eu sou assim, quer você queira ou não.
fez-se dia!
Se me sinto mais livre?
Ah, demoraria séculos para te responder. Quero dizer, ainda amo seu perfume, ainda adoro os seus abraços e ainda espero um pouco antes de sair da sala para ver se você me alcança.
Todas as suas palavras ainda são e vão ser ouvidas, e ainda bate dentro de mim essa vontade louca de você e de mais ninguém, por mais que eu tente evitar.
E lhe digo mais: ainda não entendo o porquê de sentir isso, e ainda procuro entender.
Mas é que - o que eu posso dizer? Fez-se dia, e eu amanheci junto com o sol! E toda essa luz que me dominou me afasta de tudo isso que não me deixava parar e pensar nas flores e nos cheiros e nas cores. E eu amo tanto todas essas magias e perfumes!
Então, meu querido, me desculpe. Mas chegue para o lado e abra espaço pras outras coisas entrarem nessa caxinha colorida.
O quê? Ah, a chave? Ainda está no seu bolso, meu amor.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
?
Ah, quem nunca perdeu os limites? Quem nunca se deixou levar por essa loucura que é a vontade? E quem nunca se arrependeu? Que atire a primeira pedra, por favor.
Alguém me diz qual é o problema de sair das estribeiras alguma vez? E se você fizer o que não queria, e jogar pra fora o que te faz mal, e se sentir bem no outro dia? Quem é que vai dizer que você está errado?
Afinal, não é cada um que sente o cada um de cada uma dessas dúvidas? E não é isso que torna tudo mais fantástico?
Então se eu passei vergonha, qual é a feiúra nisso tudo?
São os olhares, ah! esses malditos olhares que tanto me reprovam. E que eu nem retribuo.
Afinal, não é isso que torna tudo mais fantástico? Façam-me o favor...
Se é que sou clara...
Ah, vou lhe contar: acho que no meio das correspondências que tanto se arrastaram por essas coisas virtuais que nem sei se existem, perdeu-se a minha visão de sua primeira carta.
E então vou tentar lhe esclarecer: não existem meus coturnos, nem existe o que eu sou, o que você é, o que nós somos.
Eu sou essa indefinição ambulante que tanto tenta se manifestar por esses textos atrapalhados e redigitados mais de mil vezes. Sou essa coisa que nem coisa é, que nem é nada mesmo. Sou sem ser ou estar.
E você, querido, ah! você é o que você quer ser, já que não existem cascas ou perfumes ou coturnos que te envolvam dessa forma. E você é o que você diz e o que você pensa e o que você faz.
E nós... Nós somos uma face que se perdeu, e que, como sempre me acontece, ficou parada em uma canto da memória ou em um site qualquer, como esse meu e aquele seu.
E não há maneiras de desvendar essas loucuras por uma correspondência de fala, escrita, olhar ou escuta, quando esses coturnos tapam seus olhos.
domingo, 1 de agosto de 2010
Ontem a noite
Cansei.
Cansei de pensar cinquenta vezes antes de tomar uma atitude, ou de deixar as coisas acontecerem. Cansei de me perguntar se é certo ou errado, se eu vou me arrepender ou se eu aprovo. Cansei de ficar esperando em qualquer coisa laranja, desconfortável e dura.
Não se engane, eu não cansei de você.
Mas cansei de ficar esperando uma flor, quando eu já desabrochei a muito tempo nessa espera. Cansei de te ouvir suspirar por qualquer coisa, ou de te ouvir falar daquele jeito que tanto me dói, e não dizer nada. Cansei de ter que dar um passo pra frente e dois pra trás, quando você está a tantos quilometros de distância.
Cansei de disfarçar, já que você já sabe de tudo.
O tempo todo você sabia que me fazia chorar com aquelas palavras grossas, que me fazia delirar com seus abraços, e que me fazia escrever qualquer desabafo nesse esconderijo que eu nem sei mais se esconde alguma coisa.
Cansei. E vou lhe provar que você está errado.
Eu não estou mais atenta aos seus passos, não espero por você e nem desejo seus abraços com toda a intensidade de um ranger de dentes.
Eu vou sair pela porta no meu tempo, e vou esquecer de onde você está, e se você vem atrás de mim.
Mas eu não cansei de você, e nem esqueci. Te guardo nesse pote de tantas cores, e não há dúvidas que você vai ter a chave.
Só que as suas palavras não me dominam mais.
Cansei de pensar cinquenta vezes antes de tomar uma atitude, ou de deixar as coisas acontecerem. Cansei de me perguntar se é certo ou errado, se eu vou me arrepender ou se eu aprovo. Cansei de ficar esperando em qualquer coisa laranja, desconfortável e dura.
Não se engane, eu não cansei de você.
Mas cansei de ficar esperando uma flor, quando eu já desabrochei a muito tempo nessa espera. Cansei de te ouvir suspirar por qualquer coisa, ou de te ouvir falar daquele jeito que tanto me dói, e não dizer nada. Cansei de ter que dar um passo pra frente e dois pra trás, quando você está a tantos quilometros de distância.
Cansei de disfarçar, já que você já sabe de tudo.
O tempo todo você sabia que me fazia chorar com aquelas palavras grossas, que me fazia delirar com seus abraços, e que me fazia escrever qualquer desabafo nesse esconderijo que eu nem sei mais se esconde alguma coisa.
Cansei. E vou lhe provar que você está errado.
Eu não estou mais atenta aos seus passos, não espero por você e nem desejo seus abraços com toda a intensidade de um ranger de dentes.
Eu vou sair pela porta no meu tempo, e vou esquecer de onde você está, e se você vem atrás de mim.
Mas eu não cansei de você, e nem esqueci. Te guardo nesse pote de tantas cores, e não há dúvidas que você vai ter a chave.
Só que as suas palavras não me dominam mais.
correspondencia
Se é assim, então que seja.
Mas o que eu sou não existe, porque se perde no infinito do azul, do verde, do marrom.
Vou lhe dizer: eu posso não ser o que seja, mas você é um pássaro. E pássaro nenhum pode ficar preso nessa gaiola em que você se encontra. Gaiola que está aberta, mas que você se recusa a sair.
Então, concluo que sem casca, não há nada. Há um espaço, um cheiro ou um sabor, tudo bem indefinido.
É como o vento. Você pode sentí-lo, ouví-lo e puxá-lo para dentro de si. Mas perdem-se as horas quando se tenta falar sobre ele.
Porque é a indefinição que me domina. E eu acabo sempre tomando chá com a dúvida naquela cabana de inverno. Quer você queira ou não.
Mas o que eu sou não existe, porque se perde no infinito do azul, do verde, do marrom.
Vou lhe dizer: eu posso não ser o que seja, mas você é um pássaro. E pássaro nenhum pode ficar preso nessa gaiola em que você se encontra. Gaiola que está aberta, mas que você se recusa a sair.
Então, concluo que sem casca, não há nada. Há um espaço, um cheiro ou um sabor, tudo bem indefinido.
É como o vento. Você pode sentí-lo, ouví-lo e puxá-lo para dentro de si. Mas perdem-se as horas quando se tenta falar sobre ele.
Porque é a indefinição que me domina. E eu acabo sempre tomando chá com a dúvida naquela cabana de inverno. Quer você queira ou não.
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