E então eu sorri. Sorri como se as estrelas não se encontrassem mais no céu, e sim dentro de mim, escorrendo pelos meus olhos e ouvidos, e fugindo com toda aquela luz. Sorri como se tudo o que existisse fosse lindo e maravilhoso, e a vida fizesse sentido e o dia e a noite tapassem o que quer que fosse além disso. Como se os milhões de problemas mundiais não fossem nada comparado aos seus lábios e aos seus beijos e à sua voz. Ah, como eu sorri.
E você me viu sorrindo. E você viu o meu dia. E então pensou: "ah, aqui está ótimo. Já está na hora da noite.", abraçou-me - daquele jeito frouxo que eu odeio - e saiu andando, correndo, sorrindo, atrás do seu ônibus.
E eu fiquei lá parada, vendo tudo sumir, e as estrelas correrem pro céu, e o dia e a noite fugirem de sentidos e razões, e o mundo todo escurecer, enquanto a luz ia pro outro lado; pro seu lado.
As sombras surgiram e o medo veio me afobar. Veio o frio, e a falta do seu calor. Veio toda a escuridão e eu me perdi. Me perdi nessa floresta escura, que eu nem sei mais se é floresta, ou se é alguma coisa.
As sombras surgiram e me taparam, e o meu sorriso correu pra junto do sol e pra longe de mim.
E eu estou aqui esperando amanhecer de novo, porque não pode ser o fim do mundo. Não pode ser o fim de eu e você. Não se pode nem ao menos chamar isso de fim, até que você e o seu sol não voltem a tempo.
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