Enquanto se tenta engolir tudo o que se pensou em tardes escuras no seu quarto solitário: o plural e as músicas de uma noite fria. Engolir as cores que se imaginou que combinavam e as poesias e melodias que se criavam para os momentos com alguém. Engolir os pensamentos que tanto iludem, um por um, e tragar os seus gostos e loucuras diferentes. Engolir os beijos e abraços e suspiros e contornos e palavras de outra pessoa. Engolir todo um sentimento de anos para uma proximidade de dias, e engolir qualquer proximidade. Engolir o amor e a dor, engolir o dia e a noite, engolir eu e você, e principalmente, engolir o nós.
É difícil respirar e é difícil engolir, porque dói fundo na garganta.
Mas mais difícil ainda é vomitar tudo isso em lágrimas e soluços em algum canto escuro e solitário do seu quarto, que não é o mesmo sem "ele".
Onde é que eu estava com a cabeça?
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