sexta-feira, 30 de julho de 2010

Afinal, voe.
Finalmente, saia desse pedacinho do meu coração que está sempre apreensivo com relação a você e viva.
Esqueça dos textos que me deixam desconfigurada e veja: essa sou eu.
Nem Elise, nem Alice, nem azul nem verde nem marrom.
Eu sou só uma casca, eu sou só o fim.
Mesmo amando tanto ser tanto ao mesmo tempo pra alguém.

ainda choro

Se quer mesmo saber, me sinto culpada.
Culpada por ter deixado de ser quem eu era. Culpada por ter feito as pessoas sofrerem por mim, e por estar sendo tão egoísta sem nenhuma precisão.
Se lhe importa tal conhecimento, lhe digo: estou triste. Triste por ter me cobrido por essa maldita crosta, onde ninguém me atinge mais do que esse qualquer. Que não é ninguém que mereça ser lembrado, mas é o que não me sai da cabeça.
Se realmente faz diferença, vou dizer: me sinto suja. Suja por esses abraços de gente que não amo, gente que não se parece comigo. Gente que não me ama como os que me amam, e ah! gente que não chora por mim. Ou nem ao menos sorri.
Se lhe faz falta, também faz a mim.
Mas eu posso te dizer que por baixo de todos esses panos e enganos dessa pessoa perdida nas camadas que me tornei, ainda choro quando lembro das roupas masculinas no banho de piscina, dos surtos sem sentido e daquele dia ensolarado.
Nasci e morri naquele dia também, mas mesmo com essa nova chance, acabei me matando mais uma vez asfixiada com essa crosta nova e escura. Me matei pra não achar vida, e me tornei esse peso tão estranho e estranhado que não faz falta pra muita gente.
Sem cruzar olhares, sem sonhar com amigos, sem amigos que me fizeram a melhor coisa que eu já pude ser.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Cozinheiro

Eu estava ali, sentada, sentindo o vento e lembrando de você.
E você apareceu, rápido, e me puxou pela mão. Me levou ao infinito, me mostrou a melhor receita do mundo, compartilhou comigo o seu segredo para deixar o chá tão doce, me mostrou as receitas nas quais você tinha falhado, me mostrou o seu futuro, me cantou sua música preferida, correu comigo pelo campo das flores do teu perfume, me largou em todo o seu carinho e me deixou viajar.
E de repente, do nada, sem força ou magia, você me segurou e me levou de volta a aquele banco.
E eu nunca mais pude sentir o vento.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Nem vou tentar descrever a confusão que se estabeleceu em mim.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Já aceitei

Não tem jeito.
O meu bichinho interior, aquele que zela por mim e sempre me diz o que eu devo fazer pra me privar e ficar bem, aquele que sempre acaba sendo um pouco pessimista, mas sempre me dá o melhor caminho a seguir, esse bichinho que tanto me deseja o bem, ele pode ficar repetindo por horas a mesma coisa:
"Não tenha esperanças! Você sabe como ele é... Ele não sente o mesmo que você! Afinal, desista de uma vez!"
E eu tenho total certeza de que ele está certo, e eu tenho total certeza de que esse era o melhor caminho a seguir, e eu tenho quase total certeza que amanhã eu vou ver como você vai mudar sua atitude e eu vou ficar sozinha na minha cadeira mais uma vez.
Mas de que adianta? Se eu não posso deixar de sentir esse frio na barriga e esse nó na garganta? Não posso evitar que a Esperança venha com a luz dos seus olhos quando olham nos meus! Não posso simplesmente dizer pra mim mesma o que eu já sei, se não tenho como evitar a tontura que me dá o seu perfume! Não posso deixar de querer tanto estar perto de você, e aproveitar cada segundo que você me dispõe! Não posso, simplesmente não há maneiras de deixar a minha consciência se intrometer nesse sentimento, por mais que eu e meu bichinho queiramos tanto isso.
E eu grito pra mim mesma que não é a hora de sonhar com você, mas já é tarde demais.

domingo, 25 de julho de 2010

Isso me machuca tanto... O fato das pessoas passarem tão depressa, e tudo o que eu vivi ficar num canto da minha memória e em algum site qualquer. Ah, e eu me lembro tão bem...
Eu passo muito rápido, e vou mudando e abrindo e expandindo, e tudo o que eu mais amei foi substituído. Ah, e eu ouvindo novos passos, tons e batidas. Eu percebo que eu melhorei, mas não sei se faz a menor diferença.
E o tempo continua rodando, e eu deveria ter estudado, mas agora já é tarde demais.
Os universos ao meu redor vão mudando, e eu fico aqui, sem saber o que fazer.
Ah, como essa loucura toda acaba comigo! Quando eu paro pra pensar profundamente sobre o assunto, vou tão longe que acho até desnecessário refletir tanto sobre isso.
E acabo desabafando qualquer coisa sem magia nenhuma. Ah, e o tempo passando, e eu deveria estar estudando agora...

Lendo um texto qualquer

É engraçado como nas entrelinhas de algumas palavras eu me perco e me encontro. E meu coração pulsa quase que dançando, e dói em mim. Dói uma coisa tão linda! Quase que a dor de um masoquista, mas nada disso me machuca. Sabe?
É. Acho que você sabe. E tudo o que eu queria era tomar um cházinho com a sua pessoa encantadora. Ah, e ouvir uma música qualquer. Pra ver se seu mistério some de uma vez e se você me deixa enxergar mais do que você já me deixou. E reparar mais no seu encanto e me deixar levar por seu sorriso. Que nada disso é amor de se amar, mas amor de querer compartilhar segredos e textos.
Textos seus, que eu conheci antes mesmo de te ver ou saber quem você é. As vezes eu acho que o que falta mesmo é a sua amizade.

Já te disseram que você é linda?

Eu estava pronta pra deixar você ir. Depois de ter te mostrado o meu vestido mais lindo, e a minha melhor face, eu iria te dar um abraço frouxo, muito diferente dos outros, e iria sair e enlouquecer. Iria me desprender de minhas versões e visões e ouvir uma música ensurdecedora. Fechar os olhos e bater a cabeça, sentindo o álcool me transformar em outro alguém.
Estava pronta pra sair e fazer o que quisesse e o que não quisesse, e esquecer que meu coração estava contigo. Ia me privar desse órgão errante e soltar todas as rédeas dos meus pensamentos. Iria enxotar meus princípios e fazer qualquer coisa. Você aprovando ou não. Eu iria passar uma noite longe de seu rosto que tanto insiste em me perseguir.
E então, enquanto eu te dava um abraço frouxo e sem graça e te agradecia como se você fosse só mais um, você me apunhalou.
Eu não sei se você sabia das minhas expectativas noturnas, nem se você temeu me perder de vez. Talvez você só queria continuar tendo o seu brinquedo, ou talvez você só disse aquilo porque lhe saiu no momento.
Mas você disse. E eu quase desmaiei. Podem ser palavrinhas estúpidas, fracas ou inúteis, mas parecia que você tinha me notado. E todo o meu cérebro se embaralhou.
"Já te disseram que você é linda? Muito linda..."
E me abraçou. Do jeito que era antes, como eu tanto amava. E eu senti seu perfume.
E todas as minhas idéias desceram pelo ralo.
No final da noite, eu estava sentada no sofá, com meu vestido mais lindo e minha melhor face, sonhando acordada com você, enquanto todos os meus amigos batiam cabeça com aquela música irritante.
Tudo o que eu queria é que alguma vez, pelo menos uma vez, suas palavras não surtissem tanto efeito em mim. Ah, como eu queria...

Beats for only you

É seu. Você não percebe? Eu estou gritando!
Aceite isso, por favor. Eu não posso fazer nada com ele, está totalmente nas suas mãos. Por favor, não vá embora nem se assuste. Não tenha medo de mim, não se afaste. Não sou eu que me coloquei nessa posição. E acredite, eu nunca quis estar assim.
Eu estou totalmente vulnerável a você. E qualquer arranhãozinho corta meu coração. E ele é seu. Cuide, por favor. Eu ainda sinto. Ah, você não vê? Seria tão feliz...
Não posso fazer nada. Eu estou implorando mais um abraço a você. Ah, por favor. Venha cá. Me olhe nos olhos. Será que nem assim você enxerga?
E se você enxerga, por favor, não me torture mais.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

E

Eu vou olhando, chegando perto, e vendo tracinhos e tentando reconhecer quem é. E parece que eu te conheço e parece que eu já te vi. E parece que você já foi pra mim alguém.
E aí eu acho que você não é ninguém, mais um dos que eu não noto, e parece que o seu cachorro já morou comigo numa cabaninha de inverno.
E eu vou chegando, pé ante pé, e você mostrando pedacinhos do seu rosto, e os óculos, e o cabelo molhado. E eu sem ter certeza de nada.
E acaba que eu fico lá na dúvida, tomando um cházinho com ela, que eu adoro é esquecer o que eu tenho certeza que lembro.
E uns dias depois, a dúvida vai embora, e eu fico lá, sozinha na minha cabaninha de inverno, até que alguém venha me puxar pra minhas obrigações, e eu vou e volto e você lá, num álbum de fotos.

de novo e de novo

Posso sentir. Cheiro cítrico, cor de mel, folhas secas.
E você ali comigo.
Eu sentada em algum puf! laranja. E esperando uma flor. Eis que você traz um sorriso. E um abraço. E um livro. Um livro que fica na fila, esperando pra ser lido.
E quando eu paro pra pensar, tudo faz sentido. Metafóricamente.
E é aí que não entendo nada.
Fecho os olhos, sorrio e vou pra qualquer lugar onde eu possa sentir sua presença, só pra acalmar meu coração.

(...)

- Se você parar pra pensar, não faz sentido nenhum. E é aí que você entende tudo.

domingo, 18 de julho de 2010

Não dá

Se eu fosse definir isso, passaria dias calada e concentrada, buscando no meu dicionário interno uma definição exata. Como quando não lembro de uma música, ou quando me dá branco na prova. E eu passo o tempo necessário parada, pensando e tentando lembrar aquilo que eu repeti pra mim mesma tanta vezes.
E se me perguntassem como é que se sente, então eu despejaria um milhão de palavras, e contaria cada segundo que caracteriza essa coisa que eu sinto. Cada segundo é diferente, tem um porquê diferente, uma forma, um tom, um sabor derivado. Derivado de uma bala de hortelã, ou um chiclete.
E eu me tornaria uma falante compulsiva, narrando minunciosamente cada momento que eu passo ao seu lado, cada vez que eu sinto o seu perfume, ou cada vez que nossos olhares se cruzam.
Provavelmente o resultado não seria o esperado. Provavelmente quem me perguntasse ficaria entediado ou assustado, pensando no quão louca ou doentia eu sou. Provavelmente essa pessoa se perguntaria se fez a pergunta errada, ou se eu só não ouvi bem.
Justamente porque não tem nenhuma maneira de definir algo relacionado ao amor. Porque, por mais que se tente, sempre falta tempero nas definições dadas a ele. Porque não cabe algo tão enormemente complexo em uma palavra de quatro letras. Não cabe a dança que os seus olhos fazem pra mim em uma definição. Não cabe o som que as palavras produzem em algum tipo de explicação. Não se pode caracterizar o efeito que suas atitudes têm sobre mim. Não dá. Simplesmente não dá.

Viche!

É de repente. Assim, do nada. Me dá uma vontade de esquecer tudo o que eu marquei como correto e errado, e simplesmente fazer uma coisa aleatória.
Não é uma questão de rebeldia, muito menos de tédio. Acontece assim, por nada, sem nada. Não sei como explicar.
No entanto, não é questão de se crer que eu realmente faço tudo o que me dá vontade, por mais tentador que possa ser. E é por isso que ontem eu parei no ultimo momento e abaixei a cabeça. E simplesmente falei que ia embora.
É exatamente por isso que agora eu estou arrependida. Arrependida por não ter me arrependido mais.
Vai entender.

sábado, 17 de julho de 2010

Obrigação nenhuma. Não tenho que ter uma razão pra tudo.
O cabelo é meu.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Embaixo do paraíso

Fecho os olhos e conto até dez, mesmo embaixo do paraíso.
Acontece que eu tenho um problema. Eu simplesmente não consigo deixar de ver por trás das máscaras das pessoas.
E quanto mais eu me aproximo, mais eu vejo como elas vestem suas máscaras, mesmo sedo tão difícil sustentá-las. Posso ver seus traços azuis, distorcidos. As vezes lindos.
Posso ver o quanto elas se esforçam pra ser o que elas não são, e isso me irrita. Eu me lembro do tempo em que elas não usavam essas mentiras pra se esconder. Quando se mostravam ser assim, bonitas como são. Me lembro que era assim que eu as amava.
Não estou falando de todas as pessoas, imagino que isso esteja claro.
Acontece que as pessoas que amo se tornam transparentes, e eu odeio o fato de que só apareçam desse modo a mim.

Circunspectancia minha

Sinto que é eterno. Por mais que eu tente, você está aqui. Nos meus passos, compassos, abraços. Sinto que é incurável, como um câncer. Você é o meu tumor. Não vai me levar a morte, mas eu não vou levantar até que você me dê a mão.
Vem pra cá. Vem pra perto. Não fui eu que plantei a árvore que nos separa. Não é culpa minha. Eu só estou esperando que você me ame. E então, como a chuva que você é, eu vou estar finalmente limpa desse mal.
Esse mal que você chama de amor, e que disse que lhe é importante.
Esse mal que você guarda pra outra pessoa, enquanto eu estou aqui, sentada, esperando você vir até mim com um sorriso nos olhos.
Vem pra cá. Nós poderíamos nos livrar de nossos tumores juntos.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A carta

Caro amigo.
Peço perdão pela insistência, mas mando-lhe essa segunda carta por receio de incompetência dos correios. Rezo, amigo, para que a falta de resposta não seja porque, por algum motivo, o amigo esteja envocado comigo.
No caso de que tenha lido a minha primeira carta e sua resposta não tenha chegado, lhe mando novidades: minha mão melhora a cada dia.
O médico, que por mim tem carinho especial, me disse que não ficaria bem por completo, mas que poderia voltar a cortar cebolas, queijo ou conversas.
Uso uma atadura apertada, tomo remédios e faço movimentos para voltar a cozinhar. Sinto falta dos temperos, amigo.
Faz alguns dias que me sinto solitário, sem sal. Meu sal, minha família, se foi quase que de vez. E eu passo as horas com a mulher de branco, esperando que a nuvem destape o sol e tape a lua.
Como as verduras que me indicaram, e durmo nos horários necessários. O hábito de fumar me deixou há anos, e minha vida é quase saudável. No entanto, temo por minha sanidade mental, amigo.
Peço permissão pra lhe contar um segredo, posso? Espero que sim, amigo. Você é um dos únicos que me inspira confiança necessária para segredar os fatos que me assustam. Os únicos que ainda me parecem secretos.
Sem mais nem menos, vou direto ao ponto: estava eu na minha varanda, tomando um vinho do porto, assistindo o entardecer, como em uma tarde monótona. E eis que eu vi aquilo.
Não posso te dizer a quantidade de coisas que pensei que poderia ser aquilo. Uma luz forte. Tão forte, amigo, que ela era todas as cores ao mesmo tempo. E, com os olhos molhados, eu podia ver o desenho de algo parecido a um animal. Foi se aproximando de mim - e eu, amigo, jurava que era morte que decidiu me puxar pela minha mão doente de uma vez - como um relâmpago do chão para o céu.
Até que fechei os olhos pela luz, e quando os abri novamente, não havia mais nada. As folhas caiam no chão como em qualquer atardecer de outono, e a moça de branco veio puchar a minha cadeira para dentro. Estava frio.
Receio estar enlouquecendo, amigo, mas tinha que lhe contar. Que mal lhe pergunte, algo assim já lhe ocorreu? É coisa de idade, de NOSSA idade?
Noventa e dois, amigo. E pensar que saimos do mesmo ventre doente que era a nossa cidade. Que conhecemos os mesmos vermes e brigamos com as mesmas lesmas. Que nos apaixonamos pelas mesmas flores, e que nos perdemos nos mesmos tempos.
Perdoe-me os devaneios, mas não se concentra em mim o mesmo poder de escrever do que antes. Espero que essa carta te alcance, amigo. Espero que possamos nos falar novamente, e que os dias passem rápido, para que suas cartas me alcancem o quanto antes.
Espero não ficar louco antes de ler os SEUS devaneios, amigo. Espero que possamos nos ver algum dia, antes que a Morte venha trazer a Lua para as nossas vidas.

Do seu saudoso amigo, Corral.

Eu me enganei

Eu estava errada.
Tudo o que eu fiz foi ver você como você realmente é. Consegui perceber que você é tão inseguro quanto eu, e que seu cérebro não tem o controle do seu corpo, nem um terço dele.
No entanto, o meu coração não tem olhos. E por mais que eu procure me mostrar o quão idiota e sem escrúpulos você pode ser, eu ainda sinto.
Não adianta me enganar. Não adianta abrir os olhos, quando o que eu vejo não muda o que eu sinto.
Tudo o que eu quero é esquecer que eu te amo quando você está do meu lado. Tudo o que eu quero é poder te tratar como eu trato os meninos como você. Tudo o que eu quero é entender o que é que você tem de diferente dos outros, tudo o que eu quero é enxergar o que é que me faz te amar tanto assim.
E eu espero sentada no laranja até o próximo abraço.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Em construção

Meu interior está em reforma. Depois de demolir quase tudo que eu achava que estava bem fixado ao chão, tudo o que eu faço é tomar o meu café quente enquanto sinto todas as minhas colunas se erguerem novamente.
E tudo o que eu tinha certeza de que era certo se foi. Eu me perdi no sentido das coisas. Me perdi nos meus princípios e nas minhas noções. Me perdi nos prefixos que me guiavam. Nos paradoxos. Nas palavras. Nas águas escuras, profundas. Na queda de oitenta e cinco metros. Na dor nas costas. Na saúde e na tristeza.
E eu estou procurando tijolos em quem nunca me inspirou confiança. Estou traçando um caminho pelo qual nunca me ocorreu passar.
Tudo pra ver se dessa vez dá certo, e essa maldita vontade de voltar no tempo some de uma vez.

domingo, 4 de julho de 2010

Saiu dos meus olhos

Eu estava sentada naquela pedra, e o sol batia forte nos meus olhos. Tudo o que eu podia ver era aquele rio descendo, batendo na água, e formando um arco-íris. Podia ver as pedras contornando tudo, e a água negra como o carvão.
E eu finalmente me dei conta de que você se foi. Fechei os olhos e pensei em todos os seus defeitos, todos as suas questões de status e em todos os seus deverias. Pensei no tipo de pessoa que você é, e no quanto nós não combinávamos. Parei e vi. Vi que nós nunca daríamos certo.
Que você e eu não somos feitos um pro outro, e que eu estava delirando.
Vi que seus olhos brilham de um jeito diferente. Eles não refletem o sol. Não. Não refletem nada do que eu via naquele momento. Vi que eles só refletiam uma luz fraca, uma luz sem graça. Sem formas.
Eu percebi que seus lábios não se encaixariam em ninguém mais do que uma atriz de cinema, e você nem mulher é. Eu finalmente notei que o seu nariz é muito grande, dilatado. Sabe?
E seus cabelos. Eu agora vejo que os seus cabelos são tão estúpidos quanto você. Eles simplesmente não aceitam nada diferente do cortesinho da moda. Não importa o que você faça, eles sempre voltam pro maldito pentadinho da mamãe.
Eu me dei conta de que você se esconde atrás de seus tênis bonitos, pra fugir de você mesmo. Porque o que você realmente vê é um menino amarelo, usando roupinhas legais e tentando provar sua masculinidade a qualquer custo. O que você vê é um garotinho movido por hormônios, que esqueceu seu cérebro em alguma esquina da vida.
E eu consigo ver o que você vê no espelho. E eu consigo ver que você não faz mais parte da minha dor.
Eu olhei para aquelas pedras apanhando da água, e eu finalmente vi que você não está mais nos meus olhos.