Culpada por ter deixado de ser quem eu era. Culpada por ter feito as pessoas sofrerem por mim, e por estar sendo tão egoísta sem nenhuma precisão.
Se lhe importa tal conhecimento, lhe digo: estou triste. Triste por ter me cobrido por essa maldita crosta, onde ninguém me atinge mais do que esse qualquer. Que não é ninguém que mereça ser lembrado, mas é o que não me sai da cabeça.
Se realmente faz diferença, vou dizer: me sinto suja. Suja por esses abraços de gente que não amo, gente que não se parece comigo. Gente que não me ama como os que me amam, e ah! gente que não chora por mim. Ou nem ao menos sorri.
Se lhe faz falta, também faz a mim.
Mas eu posso te dizer que por baixo de todos esses panos e enganos dessa pessoa perdida nas camadas que me tornei, ainda choro quando lembro das roupas masculinas no banho de piscina, dos surtos sem sentido e daquele dia ensolarado.
Nasci e morri naquele dia também, mas mesmo com essa nova chance, acabei me matando mais uma vez asfixiada com essa crosta nova e escura. Me matei pra não achar vida, e me tornei esse peso tão estranho e estranhado que não faz falta pra muita gente.
Sem cruzar olhares, sem sonhar com amigos, sem amigos que me fizeram a melhor coisa que eu já pude ser.
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