segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

a cor dos seus olhos é a cor que eu vejo quando fecho os meus. é a cor da minha dor de cabeça.

sábado, 22 de dezembro de 2012

pra meu azar

é chato e repetitivo essa coisa minha de sempre perceber coisas chatas e repetitivas e clichês. mas, infelizmente, são algumas dessas coisas que me tiram o ar e me fazem querer escrever... e tentar me esclarecer pra mim mesma mais uma vez. eu nem sei mais porque escrevo, acho que é pra não perder essa conexão que eu tenho comigo, uma das poucas que ainda me resta. essa coisa que me faz gostar de mim e ao mesmo tempo me achar medíocre por não conseguir dizer as coisas do jeito que eu queria dizer ou tinha planejado... e já que eu passo tanto tempo comigo, me serve demais.
provavelmente esse vai ser um daqueles textos gigantescos que só eu leio (afinal, esse era o propósito inicial) e releio afim de entender o que acontece comigo e como eu estou me sentindo... porque dizer nunca é o suficiente. dizer é muito mais um desabafo urgente que sai mais rápido do que eu queria e mais lento do que eu esperava.
tudo isso foi um prólogo extremamente necessário para que eu peça desculpas a mim mesma por tocar nesse assunto outra vez: como o tempo passa rápido. como eu ainda não consigo me acostumar com isso, como as músicas me fazem lembrar o quanto passou e o quanto ainda está por vir... como as mudanças acontecem comigo e eu só me dou conta depois, por causa desse processo retardado da minha mente em entender o que está acontecendo.
365 dias passam muito rápido, e eu sempre tenho essa mania de fingir que não. as minhas escolhas provisórias me fazem mudar muito mais do que eu imaginava, porque eu finjo que elas são permanentes... até que tudo chega a um ponto em que eu não reconheço mais o que eu quero e pretendo fazer, como agora. o que é que eu quero agora, meu deus!? e eu sei que eu já escrevi antes que essa não é a pergunta certa, mas digo no sentido de estar certa de alguma coisa. até o pequeno "clac" tá ausente e eu não sei o que está fazendo com que eu me mova, além das correntes das minhas pseudo escolhas: feitas rápido demais, superficiais demais, bobas demais... minha pressa é uma amiga falsa que eu mesma adotei, só por preguiça.
é um mundo novo vindo, e eu não sei se estou acompanhada das pessoas certas pra que isso comece, se eu estou pronta, se quero que ele venha desse jeito... mesmo tendo escolhido cada pedaço dele. é como ter que fazer as malas pra uma viagem que eu quis fazer, mas não entendo nada direito e não conheço bem quem vai comigo... porque não conheço bem a mim, o tempo todo.
sinto falta de respirar fundo e me sentir certa e bem, feliz. odeio descer as escadas da insegurança de novo, quando eu estive tão perto de chegar ao topo. odeio essa sensação de que meu coração não bate como batia, e meus olhos não te reconhecem mais, e toda aquela coisa que me fazia chorar na letra do The Killers quando eu era só uma menina boba e assustada. me faz pensar que  vou ser boba e assustada o tempo todo, e isso me deixa sufocada, asfixiada de mim.
as vezes começo a pensar que entrei demais em um universo que não é meu, não é onde devia estar, mas a areia já chegou até o pescoço e não sei como sair. uma necessidade enorme de sumir e não ser encontrada, de estar completamente só, eu e o nada, sem nem mesmo você.... as vezes eu acho que você é bobo demais.
essas coisas são difíceis de confessar e esse é outro ponto que me enerva. quando é que ficou assim? quando a gente deixou de poder dizer coisas um pro outro? eu não tenho medo da rotina, mas dos vícios dela. desses tratos que ninguém faz mas de repente estão lá: não faça isso ou não diga aquilo, sem mais nem menos. quando é que começou a magoar?
acho que tudo foi longe demais, alem do que eu queria e esperava pra mim. e, pra meu azar, o mundo não vai acabar.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

"Assovia o vento dentro de mim.
Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha cara."
- Eduardo Galeano

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

estrela, estrela

A verdade é que não importa quanto tempo passe, isso nunca vai sair... Já foram três anos, e serão treze, trinta, sem que eu consiga aceitar. Sem que eu consiga entender por que as coisas tiveram que ser assim, apesar de já ter me torturado muito pensando em uma resposta.
Às vezes, quando eu sonho, você vem e me diz que está tudo bem e que você está feliz, mas isso é só meio consolo (por mais egoísta que pareça, assim de primeira.) É claro que as coisas chegaram a um ponto onde essa foi a melhor solução, mas por que tiveram que chegar lá?
Há dezessete anos e alguns meses que eu vivo nesse planeta e conheci todo tipo de gente, mas você foi a melhor pessoa com quem eu já estive. Não é um exagero e você sabe disso. Minha família sabe disso, quem te conhece, quem te viveu... E às vezes, nas noites perturbadas, eu penso nisso e chego à algumas soluções cruéis. Coisas como pensar que você era boa demais pra esse planeta e pra quem habita ele... Tanto que teve que ir queimar por anos no céu, só nos transmitindo luz.
Uma parte de mim acredita nisso, assim como acredita que é tudo um jogo em que todo mundo está tentando ganhar sabendo que vai perder no final. Um jogo triste, que você não precisava mais jogar. Que você nunca esperou ganhar nem perder, só se divertir e tirar algumas lições disso.
Talvez quem leia isso veja uma super idealização de uma figura celestial, mas você sabe que não é. Os defeitos são uma coisa ridícula depois da morte, eles chegam a virar piada. Minúsculas picuinhas estupidas que as pessoas acabam buscando insaciavelmente nas outras... E que eu nunca notei em você, até que eles viessem encher meus ouvidos.
Mas se fosse pra idealizar, eu pediria agora, olhando pro céu e ouvindo essa musica que você lesse tudo isso. Que voltasse, uma tarde. Ou por 15 minutos. Só queria que desse pra você me ouvir agora, porque é sufocante saber que não dá. Quanto mais eu cresço mais eu quero que você esteja aqui, porque menos me conheço. Eu só queria um pouco daqueles momentos deitadas na cama, brincando da língua do T, de dar massagem nos pés e de dar tapa... Você sabe que eu não pediria se eu realmente não precisasse.
Por favor, eu só queria que um desses dias que eu to andando na rua imaginando como seria se você simplesmente passasse andando, isso acontecesse. Só uma última vez. Eu juro que não iria dizer nada, iria deixar você passar e sorrir de volta. Mas é que eu preciso saber que você ainda tá aqui. Não no mundo, mas dentro de mim e das manhãs, e dessa casa, e do meu sorriso... Só isso....