quarta-feira, 30 de março de 2011

Não, eu não quero mais. Não ia ser muito bom, e eu não iria me divertir tanto assim.
Ah, sonhos! Eu poderia colocar toda a culpa neles, mas eu sei que sou eu. No final das contas, sou sempre eu, e não há quem diga que isso é ruim.
Eu esperei, todo esse tempo, encontrar algo de que eu me orgulhe e que me faça sorrir. E as lágrimas que vem não fazem parte disso. Quem é que eu queria enganar, além de mim mesma?
Tem uma hora que você acha que se tocou, que o que está fazendo não é o que quer. Que é tarde demais pra voltar atrás, mas você pode mudar e tentar deixar o que passou por lá mesmo.
Mas aí você sonha de novo, e percebe que errou. Que não era isso, que o que você precisa mesmo é outra coisa, e que é melhor deixar tudo pra trás mais uma vez.
O problema é que agora eu não sei se é isso mesmo, ou se eu tenho procurar mais no meu sub consciente. Ou que não é nada.
Não é nada, não existe nada fixo. E eu sempre achei que precisava me fixar, sempre achei que precisava acordar sorrindo e me sentindo bem.
Quem pode dizer que não? Nem eu, nem você, nem Deus.


E isso me deixa pior.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Lírios

Tanto. Esse tanto não foi tanto quanto o que eu senti.
Tenho as mãos trêmulas, não sei como começar. E você que já começou por tanto canto!
Se você acha covarde escrever, se acha que não é o suficiente ou o melhor, está enganado. Ah, meu querido. Palavra falada nenhuma ia me envolver tanto quanto aquela caixa. Eu não poderia sentir mais, porque tanto sentimento não caberia.
Quando você me deu a caixa, não imaginei nada. Não supus, não pensei, preferi me surpreender com o que eu - Pandora - deixaria sair de lá. E foi o melhor que pude ter feito na vida.
Caminhos tortuosos me levaram à minha casa (com chão de madeira e tudo), e ao meu quarto, e à minha cama. E eu me assegurei, querido, de fechar a porta e a janela. Olhei pros lados e tive certeza de que ninguém olhava. Eu queria aquele presente só pra mim, porque eu sabia que aquele seria o melhor. E então eu abri.
Deixo aqui uma pausa para tentar mostrar o quanto tudo parou.








Ah, querido. Como me dói. Cada parte do meu corpo treme, minha cabeça explode.
Você com a sua morte e me enchendo de vida.
Eu sempre quis filmes franceses, mas não existe nada melhor.

Eu entendo. Entendo cada pedaço de palavra. E cada desenho. E cada morte, e cada vida. E só entendo porque o seu nome é com C. Só porque é você, só porque o dia ensolarado quem fez foi você.
Só porque é a sua ideia mais genial.


E eu não consigo dizer.

quarta-feira, 16 de março de 2011

trata-se de madeira

Se você algum dia resolve pegar uma tábua e pregar alguns pregos nela, é melhor pensar bem. Porque depois, não importa se você machucar todos os dedos com as lascas de madeira, tirando um por um: ela não vai ser mais a mesma. Você vai acabar deixando alguns buracos, e isso é impossível de ignorar. Talvez isso ajude em algum encaixe, talvez ela esteja melhor assim, ou talvez ela se torne inútil pra sempre, quem sabe?
O que você não pode negar é que uma vez que você escolhe pregar em uma tábua, tem que ir sabendo que desde a primeira martelada, ela já mudará. O resultado, querendo ou não, é culpa sua.
Eu não lembro quando li isso, mas agora faz o maior sentido. Eu sou uma nova tábua, e alguns buracos foram formados por você. Cabe a você se acostumar com isso ou deixar-me aos cuidados de outros. Cabe a você se decepcionar com o que se formou, e cabe a você assistir - infelizmente ou não - aquela antiga tábua se modificar mais uma vez.
Mas não cabe a você querer que eu exploda ou morra, de jeito nenhum. Nunca mais.


E esse prego foi você que pregou.