terça-feira, 30 de agosto de 2011

É justamente por essa malemolência diária, por esse roçar na garganta, por essa vitamina-c que de repente ficou com gosto ruim, que eu me sinto bem. É mais do que ouvir um "eu te amo" de quem você ama, é mais do que sentir o café quentinho quando está frio e sua garganta dói.
É olhar pra dentro da veneziana azul e perceber como tudo está limpo, como a satisfação se apresenta bonita em seu vestido vermelho, cantando Frenéticas com um copo com gelos na mão. Sentir o roçar do papel no dedo, deixando ele sujo de tinta, e ver que tudo aquilo não é um terço do que você disse. Todo o suor, o stress, a labuta diária de repetir tudo pra conseguir se expressar nos milímetros certos, não foi nada perto do que eu deixei sair quando disse que foi ela quem me criou.
Nunca senti nada tão intensamente puro, nunca suspirei tão aliviada quando ouvi palmas, nunca me senti completamente feliz com algo que saiu tão de dentro de mim, se é que já saiu algo assim antes.
E não é porque as pessoas gostaram do que eu disse, não é porque eu consegui articular bem e projetar a voz, não é porque eu atuei bem ou mal (eu não atuei). É porque eu desci as escadas e senti um abraço de verdade, com cheiro de loção pós-barba e fiquei nele por mais de dois minutos. É porque ele foi compreensivo e me deixou mostrar. Porque ele me olhou com os olhos azuis molhados, e falou comigo em português, e me reconheceu pelo que eu mostro ser.
É porque eu SOU uma ruivinha baixo astral, e porque pessoas lindas me fizeram ver que isso é maravilhoso.

domingo, 21 de agosto de 2011

Sinceramente? Talvez, ou melhor, com certeza a vida é uma merda. As pessoas são escrotas e egoístas, e você que se acha especialmente único vai morrer sozinho assim como o mendigo que não sabe o que é o holocausto.
Você vai perder algumas pessoas que ama, e as coisas quase nunca vão ser como você imagina. O tempo todo as pessoas vão te iludir com imagens lindas e você vai acabar se decepcionando diariamente.
Mas existe algo maravilhosamente curioso nisso tudo. Mesmo com toda essa merda, e com os dias se passando na mesma rotina velha e gasta, e os seus problemas aumentando como uma bola de neve, mesmo com o o,3 que você tirou na nota e no seu desempenho nas coisas insuportáveis que te obrigam a suportar... Mesmo com toda essa grande "escrotidão", quando uma arma toca a sua cabeça e você chega quase lá, naquela curiosidade iminente e no fim de tudo o que te torna tão tristemente patético, você treme. Você treme e oferece tudo o que tem de melhor pra continuar aqui. Continuar se decepcionando e decepcionando a vida, sem nenhuma razão aparente.
E é claro que isso tudo é uma coisa que colocaram na sua cabeça, mas e se for? O ponto é esse: é tudo uma coisa que colocaram na sua cabeça. Disseram que você é maravilhoso e depois te disseram que você é patético, e que sua existência é insignificante comparada a um milhão de coisas. As coisas não são tão boas, nem tão ruins. As coisas são tipicamente padronizadas, tipicamente enroladas e embrulhadas por ninguém menos que você.
Quando você quer focar a vista em algum lugar para tentar se livrar do enjoo que não poderia estar ali, e acaba sentindo que não dá mais, você abre a janela e empurra toda a sua barriga pra cima, pra cuspir algo que não deveria sair, pra sentir o vento batendo no seu rosto e ouvir a sua voz falando "puta merda". Quando o almoço que a sua sogra fez "com todo o carinho" pra você sai no vômito que você tanto evitou, você entra embaixo da água e se odeia.
E quando você sente as coisas turvas, você fecha os olhos e espera que alguem exploda os seus miolos, porque é isso o que você mais quer e menos quer no mundo: viver.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Eu me sinto repetindo as cópias já gastas de tanto uso. Quando vai chegar a novidade?

":)"

Sabe, quando está escuro e parece que as paredes se tornaram de papel, você fecha os olhos bem apertados e reza pra que elas te engulam pra não ter que conviver com si mesmo mais um dia? Você sente que os seus olhos estão te implorando pra não abri-los? E quando a água bate na sua cabeça, você não espera que ela afogue o seu cérebro em inconsciência? Você não olha pro espelho e sente que ele quer te destruir?
É impossível imaginar que alguém não se sinta assim nunca. Eu poderia listar o meu inferno e luta interna, mas isso só me faz espirrar. Como eu torno as coisas menos complicadas?
Eu queria, por um segundo, "deixar rolar". Queria que as coisas fossem tão fáceis para mim como são pra você, queria me despreocupar. Queria que nenhum sorriso doesse.