quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

I want a lover I dont have to love

Ela está sentada na cadeira fumando o último cigarro da carteira amassada. Ela não sabe se jogou no lixo, na verdade isso não faz muita diferença. Olha ao redor. Antigamente isso tudo era patético, mas agora é só um tédio. Ela sente falta de ter uma ideia sobre algo, de se sentir melhor do que aquilo que já foi ruim. Ela sente falta de não gostar de algo, de se sentir ferida e magoada. Sente falta de algum sentimento que ainda valha alguma coisa, algo que ainda a faça levantar da cama e correr, correr, correr... até perder o fôlego. Perder o fôlego já foi a melhor coisa do mundo e hoje em dia é só sufocante.
A festa tá acabando e é preciso que alguém diga alguma coisa. Ela não está sozinha, mas isso é só uma questão de ponto de vista. Ela está cansada de saber o que vai acontecer. Cansada de estar no controle e não estar ao mesmo tempo. Por que é que a gente só consegue controlar a nossa versão da história? Ela sente falta de se importar com algo, e de rir do que não tem graça. Por que é que a gente sempre procura o elemento surpresa na piada? Por que é mais engraçado pra gente do que pra quem ouve? Não é como se eu quisesse as respostas, só quero ter perguntas. Alguma que seja.
Eu queria não ter que ler pra poder escrever.

"I got a hunger and I can't seem to get full
I need some meaning I can memorize
The king I have always seems to slip my mind
But you, but you
You write such pretty words
But life's no story book
Love's an excuse to get hurt
And to hurt
"Do you like to hurt?"
"I do, I do!"
"Then hurt me.""

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Só penso em quanto queria poder estar no controle. Sinto que a explosão vem, sei como vai vir e sei que nao tenho nem um capacete. Vai doer, rasgar, machucar. De novo.
Quando tento me perguntar o porquê, quase instantaneamente me paro. Só é vítima quem quer. Não existe razão. Mesmo se existisse, não serviria de consolo.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Big Fish me fode

Eu gostaria de abrir um livro de possibilidades e não encontrar sua foto, eu gostaria que alguma coisa acabasse bem. O fim por si só nunca é bonito, pelo menos não pra mim. A gente vai se acostumando e tornando disso algo melhor do que realmente é. Algo mais do que só o fim. Acabar. Isso nunca vai soar tão bem, né?
Imagine: por um segundo, só um segundo mesmo, um piscar de olhos... esse maldito tempo abre pra o que quer que isso signifique. Por um segundo poder tornar o irreal possível, ou mais válido do que o que se vive. Gostaria de poder escolher o que eu quero que aconteça, mesmo que nunca se torne real. Não quero trocar a realidade por nada, só poderia ter um controle do que eu quero enxergar e criar. Eu quero poder acabar como um peixe grande em um rio, mesmo estando a sete palmos abaixo da terra.