sexta-feira, 11 de novembro de 2011


É incrível como não consigo explicar o quanto isso mexe comigo.
A "saída" dele de minha vida não é só o fato de perder o melhor professor que já tive na vida. É também o marco de uma nova etapa: uma etapa em que pouquíssimas pessoas vão se esforçar por mim, acreditar, se importar de verdade. Uma etapa onde eu começo a ser mais responsável por um bilhão de coisas.
O mais fabuloso de tudo isso é que eu acho que ele realmente tinha a intenção de deixar isso marcado, só como mais uma prova do "pai" que ele é. Acho que isso é só mais uma amostra do quanto ele me preparou para a vida, pra conviver com o fato de que algumas coisas não são pra sempre, e você tem que aproveitar enquanto tem. É sempre assim, né?
Eu fico imaginando como vai ser, e eu sinto uma frieza muito grande nesse meu ano futuro. Algo como "vocês são adultos agora". Mas eu não estou pronta, não quero que isso apareça.
Não consigo imaginar como vai ser, quem é que vai me dizer pra não desistir, quem é que vai esperar o tempo todo por uma melhora. Eu não consigo acreditar que alguém assim vai aparecer de novo, e acho incrível como está indo embora bem na minha frente.
Talvez seja dramático demais, talvez eu ainda o veja algumas vezes. Mas o jeito que eu sinto, é como se o que eu estivesse deixando pra trás não fosse só ele, mas também o carinho, o amor e a dedicação que já existiu por aquelas paredes... Como se nada disso fosse existir ano que vem.
O quão importante é uma prova, ao ponto de tirarem tudo isso de você?
E eu simplesmente não estou pronta.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O sol nasceu rosa no horizonte, grande e redondo, como um prato de sopa fumegante. O vento assoviava frio e confortável, típico da altitude do lugar. Ela fechou os olhos e respirou fundo, como se pudesse absorver todas as energias boas e revigorantes que aquele lugar lhe dava. Queria deitar, relaxar, mas sabia que não era o momento.
Teria que caminhar por mais horas e horas daquela forma: sem um destino exato, tateando algo que possa chamar de pista, tentando tomar tempo para beber um copo d'água e ler o final do seu livro. Mas simplesmente não conseguia: mil coisas lhe apareciam no caminho e dificultavam sua chegada ao fim, ao descanso. Os últimos esforços, os piores esforços.
Tem um ponto onde isso se torna desumano. Onde se perdem as noções. Afinal, é claro que é um grande ciclo e nós temos que nos encaixar nele, dá forma que dá. Não é?
Se pararmos pra pensar, é desleal demais... Porque existem mil coisas me impedindo de chegar aonde - não posso negar - eu QUERO chegar. Eu quero "passar de ano". Eu quero orgulhar o meu professor e o meu pai. Eu quero me tornar alguém, conseguir viver a vida de uma maneira tranquila e que me satisfaça. Mas até lá, busco no ilógico coisas pra me distrair do que realmente está acontecendo.
Eu não sei o que realmente está acontecendo. Não sei porque não consigo dormir uma noite inteira. Não sei porque não consigo estudar uma tarde inteira. Não sei porque não tenho tempo para ler o meu livro. Mas ainda assim, as horas insistem em continuar passando, me torturando aos poucos, até que eu me encontre em uma sala branca e gelada com todos aqueles cálculos pela frente.
E o ponto não é só esse: e se o mundo acabasse amanhã... eu estaria satisfeita? Não é uma questão de viver cada dia como se fosse o último, mas sim cada ANO. Não é uma questão de sair loucamente, bebendo numa terça-feira, mas de olhar pra trás e sentir que está tudo bem.
O tempo todo, continuo esperando, enquanto as coisas passam. Mas esperar não é o suficiente. E se eu nunca alcanço o suficiente, por que tenho que continuar tentando? Eu não quero ser suficiente. Eu não quero continuar pulando os obstáculos, sem respirar fundo, sem beber água. Eu não quero chegar lá.
Mas não existe essa possibilidade, certo?

(inspirações de léo)

Ela respirou fundo. Os olhos embaçados não a impediram de ler seu apelido naquele papel dobrado, escrito com uma letra tremida. No final, ele tinha lhe deixado algo. Não esquecera dela, e isso só tornava tudo pior.
Ficou olhando para aquelas três letras por alguns minutos, lembrando de como ele fazia piadinhas com o fato de seu apelido parecer "montanha" em inglês. Lembrou de sua típica jaqueta preta de couro, de seu cinto estúpido e da maneira como o vento embaraçava seus cabelos quando andavam na famosa Harley vermelha. Não saberia se teria coragem de ler.
Aquilo era um adeus. Era um ponto final naquela agonia incessantes dos primeiros dias. Era algo que iria revirar seu estômago, aliviar sua dor. Esclarecer sua morte. Mas - diferente do que esperava - só iria aumentar sua culpa.
Com os dedos tremendo e o esmalte já quase completamente roído, abriu. Enxugou os olhos para poder enxergar melhor e começou:
"Me desculpe. Eu nunca fiz isso por ninguém, por favor, entenda! Você mudou a minha vida, você é a primeira pessoa que eu realmente amo. Por favor, não me deixe. Eu vou fazer o meu melhor, vou fugir com você, minha moto e meu Whisky. Eu juro que nós seremos feliz de novo. Eu vou largar a heroína. Vou largar a banda. Vou largar tudo, porque você é a única coisa que importa agora. Por favor, entenda. Eu nunca mais vou fazer nada pra te machucar. Eu vou ser o melhor com você, eu vou ser o que você quiser que eu seja. Só não pare de me amar. Não pare, porque é tudo o que eu tenho. É tudo o que eu quero.

Com tudo o que eu posso ter,

Johnny."

Seus pés falharam e ela sentou no chão. Ela nunca se perdoaria. Nunca conseguiria voltar a viver sabendo o que poderia ter feito pra ajudá-lo. Nunca mais conseguiria largar a heroína.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Mommy's Living Room

Yes, I should wait
'Till the things get on their place
But I can't help the feeling
I can't help we're fading

Oh darling, Isn't life too precious when the world could end tomorrow?
Isn't all of this just a sea of sorrow?

And It's not like we're wasting our time
But all your family agree we already walked the line
Someday I'll wake up and go away
I'm sorry mommy will make you stay

Cause baby, Isn't life too precious when the world could end tomorrow?
Isn't the idea of sadness full of joy?

Join me, but let me free
'Cause death may be coming soon
Wouldn't it be ironic to die in a living room?