quarta-feira, 9 de novembro de 2011

(inspirações de léo)

Ela respirou fundo. Os olhos embaçados não a impediram de ler seu apelido naquele papel dobrado, escrito com uma letra tremida. No final, ele tinha lhe deixado algo. Não esquecera dela, e isso só tornava tudo pior.
Ficou olhando para aquelas três letras por alguns minutos, lembrando de como ele fazia piadinhas com o fato de seu apelido parecer "montanha" em inglês. Lembrou de sua típica jaqueta preta de couro, de seu cinto estúpido e da maneira como o vento embaraçava seus cabelos quando andavam na famosa Harley vermelha. Não saberia se teria coragem de ler.
Aquilo era um adeus. Era um ponto final naquela agonia incessantes dos primeiros dias. Era algo que iria revirar seu estômago, aliviar sua dor. Esclarecer sua morte. Mas - diferente do que esperava - só iria aumentar sua culpa.
Com os dedos tremendo e o esmalte já quase completamente roído, abriu. Enxugou os olhos para poder enxergar melhor e começou:
"Me desculpe. Eu nunca fiz isso por ninguém, por favor, entenda! Você mudou a minha vida, você é a primeira pessoa que eu realmente amo. Por favor, não me deixe. Eu vou fazer o meu melhor, vou fugir com você, minha moto e meu Whisky. Eu juro que nós seremos feliz de novo. Eu vou largar a heroína. Vou largar a banda. Vou largar tudo, porque você é a única coisa que importa agora. Por favor, entenda. Eu nunca mais vou fazer nada pra te machucar. Eu vou ser o melhor com você, eu vou ser o que você quiser que eu seja. Só não pare de me amar. Não pare, porque é tudo o que eu tenho. É tudo o que eu quero.

Com tudo o que eu posso ter,

Johnny."

Seus pés falharam e ela sentou no chão. Ela nunca se perdoaria. Nunca conseguiria voltar a viver sabendo o que poderia ter feito pra ajudá-lo. Nunca mais conseguiria largar a heroína.

Um comentário:

Lana Scott disse...

Eu lembro dessa ideia. Tá ficando bom.