terça-feira, 30 de agosto de 2011

É justamente por essa malemolência diária, por esse roçar na garganta, por essa vitamina-c que de repente ficou com gosto ruim, que eu me sinto bem. É mais do que ouvir um "eu te amo" de quem você ama, é mais do que sentir o café quentinho quando está frio e sua garganta dói.
É olhar pra dentro da veneziana azul e perceber como tudo está limpo, como a satisfação se apresenta bonita em seu vestido vermelho, cantando Frenéticas com um copo com gelos na mão. Sentir o roçar do papel no dedo, deixando ele sujo de tinta, e ver que tudo aquilo não é um terço do que você disse. Todo o suor, o stress, a labuta diária de repetir tudo pra conseguir se expressar nos milímetros certos, não foi nada perto do que eu deixei sair quando disse que foi ela quem me criou.
Nunca senti nada tão intensamente puro, nunca suspirei tão aliviada quando ouvi palmas, nunca me senti completamente feliz com algo que saiu tão de dentro de mim, se é que já saiu algo assim antes.
E não é porque as pessoas gostaram do que eu disse, não é porque eu consegui articular bem e projetar a voz, não é porque eu atuei bem ou mal (eu não atuei). É porque eu desci as escadas e senti um abraço de verdade, com cheiro de loção pós-barba e fiquei nele por mais de dois minutos. É porque ele foi compreensivo e me deixou mostrar. Porque ele me olhou com os olhos azuis molhados, e falou comigo em português, e me reconheceu pelo que eu mostro ser.
É porque eu SOU uma ruivinha baixo astral, e porque pessoas lindas me fizeram ver que isso é maravilhoso.

Um comentário:

Camila disse...

Muito bom! posta no beatriz também