domingo, 18 de julho de 2010

Não dá

Se eu fosse definir isso, passaria dias calada e concentrada, buscando no meu dicionário interno uma definição exata. Como quando não lembro de uma música, ou quando me dá branco na prova. E eu passo o tempo necessário parada, pensando e tentando lembrar aquilo que eu repeti pra mim mesma tanta vezes.
E se me perguntassem como é que se sente, então eu despejaria um milhão de palavras, e contaria cada segundo que caracteriza essa coisa que eu sinto. Cada segundo é diferente, tem um porquê diferente, uma forma, um tom, um sabor derivado. Derivado de uma bala de hortelã, ou um chiclete.
E eu me tornaria uma falante compulsiva, narrando minunciosamente cada momento que eu passo ao seu lado, cada vez que eu sinto o seu perfume, ou cada vez que nossos olhares se cruzam.
Provavelmente o resultado não seria o esperado. Provavelmente quem me perguntasse ficaria entediado ou assustado, pensando no quão louca ou doentia eu sou. Provavelmente essa pessoa se perguntaria se fez a pergunta errada, ou se eu só não ouvi bem.
Justamente porque não tem nenhuma maneira de definir algo relacionado ao amor. Porque, por mais que se tente, sempre falta tempero nas definições dadas a ele. Porque não cabe algo tão enormemente complexo em uma palavra de quatro letras. Não cabe a dança que os seus olhos fazem pra mim em uma definição. Não cabe o som que as palavras produzem em algum tipo de explicação. Não se pode caracterizar o efeito que suas atitudes têm sobre mim. Não dá. Simplesmente não dá.

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