Eu estava sentada naquela pedra, e o sol batia forte nos meus olhos. Tudo o que eu podia ver era aquele rio descendo, batendo na água, e formando um arco-íris. Podia ver as pedras contornando tudo, e a água negra como o carvão.
E eu finalmente me dei conta de que você se foi. Fechei os olhos e pensei em todos os seus defeitos, todos as suas questões de status e em todos os seus deverias. Pensei no tipo de pessoa que você é, e no quanto nós não combinávamos. Parei e vi. Vi que nós nunca daríamos certo.
Que você e eu não somos feitos um pro outro, e que eu estava delirando.
Vi que seus olhos brilham de um jeito diferente. Eles não refletem o sol. Não. Não refletem nada do que eu via naquele momento. Vi que eles só refletiam uma luz fraca, uma luz sem graça. Sem formas.
Eu percebi que seus lábios não se encaixariam em ninguém mais do que uma atriz de cinema, e você nem mulher é. Eu finalmente notei que o seu nariz é muito grande, dilatado. Sabe?
E seus cabelos. Eu agora vejo que os seus cabelos são tão estúpidos quanto você. Eles simplesmente não aceitam nada diferente do cortesinho da moda. Não importa o que você faça, eles sempre voltam pro maldito pentadinho da mamãe.
Eu me dei conta de que você se esconde atrás de seus tênis bonitos, pra fugir de você mesmo. Porque o que você realmente vê é um menino amarelo, usando roupinhas legais e tentando provar sua masculinidade a qualquer custo. O que você vê é um garotinho movido por hormônios, que esqueceu seu cérebro em alguma esquina da vida.
E eu consigo ver o que você vê no espelho. E eu consigo ver que você não faz mais parte da minha dor.
Eu olhei para aquelas pedras apanhando da água, e eu finalmente vi que você não está mais nos meus olhos.
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