segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Se é que sou clara...

Ah, vou lhe contar: acho que no meio das correspondências que tanto se arrastaram por essas coisas virtuais que nem sei se existem, perdeu-se a minha visão de sua primeira carta.
E então vou tentar lhe esclarecer: não existem meus coturnos, nem existe o que eu sou, o que você é, o que nós somos.
Eu sou essa indefinição ambulante que tanto tenta se manifestar por esses textos atrapalhados e redigitados mais de mil vezes. Sou essa coisa que nem coisa é, que nem é nada mesmo. Sou sem ser ou estar.
E você, querido, ah! você é o que você quer ser, já que não existem cascas ou perfumes ou coturnos que te envolvam dessa forma. E você é o que você diz e o que você pensa e o que você faz.
E nós... Nós somos uma face que se perdeu, e que, como sempre me acontece, ficou parada em uma canto da memória ou em um site qualquer, como esse meu e aquele seu.
E não há maneiras de desvendar essas loucuras por uma correspondência de fala, escrita, olhar ou escuta, quando esses coturnos tapam seus olhos.

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