quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O homem do sorriso

Todo dia de tarde, enquanto eu estou sentada naquele banco, esperando por um motivo para ir pra casa, e escutando alguma coisa que não me faz diferença aos ouvidos, ele vem vindo de longe, com suas blusas claras e seu sorriso enorme.
Um sorriso que ilumina o dia. E vem sempre perfumado, bem-vestido, os olhos brilhando por trás dos óculos de grau.
Não importa o que aconteça, ele sempre sustenta todos com aquele sorriso, que chega a ser maior do que seu corpo e seu guarda-chuva.
E vem falando rápido, com seus abraços aconchegantes, e trazendo novidades do mundo de lá. E eu aproveito e escuto tudo atenciosamente, como uma dessas aulas que ele dá, em seus cálculos e moléculas de felicidade.
E depois, ele vai embora, e eu leio o seu diário, para no outro dia vê-lo e comentar sobre suas palavras e sua poesia, e ele lê o meu diário e me conhece tão bem!
Ah, e todos esses dias eu fico lá no meu banco, esperando por ele e por seu sorriso, só pra poder voltar pra casa feliz e pronta pra o que essa casa venha a me dizer.
E eu sempre preciso tanto daquele sorriso!

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