segunda-feira, 30 de maio de 2016

finalmente embebida de mim!
posto que o sofrimento rasga a alma,
tenho a minha dilacerada:
dilatando em expansão, absorvendo os aprendizados que se incorporam a mim.
sofrer é nutritivo e eu estou gorda ao passo que estou seca
tanto de mim por todos os lados
tanto amor gratuitamente espalhado
e tão pouco direcionamento...
porque direcionamento é atenção e eu sou dona da minha.
subi numa montanha de barro,
lambuzei todo o meu corpo
e me camuflei no penhasco.
gritei os monstros da garganta,
expulsei os demônios do oco,
assisti o pôr do sol.
não abro mais mão de quem sou
mas estou em constante movimento.
estapeiem minha cara.
me neguem.
me reneguem.
eu resisto.
porque não tenho pra onde ir
o meu cuidado é genuíno e meu amor é demais
não tente fugir, não é necessário fugir do amor
o medo é necessário, a preocupação também
mas há que se medir as coisas, meu bem
abre o peito e vê que eu tô aí,
abre o olho e vê que não tem nem pra onde ir,
e abraça o nosso cheiro, que já existe
((e é de sol e sal)).
não precisa enganar a ninguém
eu não to fazendo nada, nem você também
faz mal chegar tão perto assim de alguém?

"E a manivela do mundo
Girando
E as oficinas de vento mexendo comigo
Mas já não ligo
Um sentimento aqui
Parece maior
Parece melhor nem pensar."

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