segunda-feira, 23 de maio de 2016

Desnutrir a ansiedade. Compreender que estou só. Quando o suor brota na testa, E ele brota mais vezes do que eu gostaria, eu enxugo.. Quando o chão está limpo, fui eu. Quando a mente está cansada, fui eu. Sou eu que faço a cama em que me deito, que troco a fronha do travesseiro que abraço. Estar só é como estar sempre com fome. E se comem os diversos pratos, saudáveis ou não, e é delicioso sempre, existe pouca comida que eu não goste... E a que não gosto, não como. Mas depois de um tempo, quando não se cozinha a comida, quando não se ri no processo, quando não se põe o sal, o gosto de tudo vai se tornando o mesmo. Estar só é assistir os belos momentos se tornarem insossos. Estar só é o mesmo tempero, sempre. O seu, salgado, suado, são e louco. É enjoar do tom da voz do seu pensamento. Eu mesma me calo com um dessonoro "shhhh" dentro de mim. Existem alguns que se satisfazem com isso, eu passei do ponto de satisfação para tédio. Apatia, desatenção, borrão. O tempo passa e eu passo por ele, atravesso-o e ele me atravessa, ele deixa marcas e eu deixo os pedaços de mim.
A convivencia também caminha pelo mesmo caminho. Quando não se há amor, a solidão e a companhia se tornam uma mesma coisa. Quando não se há amor, o que se há? Eu nasci pra amar.

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