Abaixe-se. Capte o som terreno, o toque suave da vitalidade. O ar está cheio, o mundo está vivo e em sincronia com a sua existência. Tamanha sorte temos por estar vivos: testemunhar a harmonia da Terra com Deus. O sol poente é de potência mobilizadora, capaz de desembaçar a visão que olha pra dentro. O mar lava as feridas as quais você se apega sem querer manter. O sofrimento é um passageiro, o motorista é presente independente da sua fé. O tempo é rei, a lua é mãe, o sol é luz.
Desconheço o motivo
Por qual eu me privo
Do que eu preciso
Num giro reflito
Vomito um grito
Respiro meus ritos
Repito os vereditos
Escapes são mitos
E pra mal ouvintes
Verdades omito
Me sinto
Viva e bem
Quem quiser vir vem
Amar é além
Sem olhar a quem
Né papo de Zen
A ideia advém
daqueles que inibem
os laços d'outrem
Contando vintem
Pra crescer, mantem
A peneira fina
A doutrina é uma sina
Palavra cabida
O intuito é a vida
Manter a saída
O plano perfeito
Olhar os efeitos
Não é força, é jeito
Natural exposto
Reencontrar o gosto
Por coisas da Terra
Se sabe, não erra
Não sabe, espera
A chave vai vir
O momento certo
É o encontro exato
Entre estar perto
E estar atento aos fatos
A hora é sempre
De agora ao ventre
Mas calma presente
É o primeiro passo
Sem tropeço eu faço
Carapuça eu calço
Sei que não é fácil
Mas guia eu tenho
O que te serve, leve
O peso é pro outro
Quem quer ficar, fica
Só quem quer, precisa
Encontrar a saída
E dar graças à vida
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