sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

oh star

Eu lembro da casa cheia, das velas, do mantel azul da minha bisavó, da comilança, de você, de seus sorrisos, sua alegria, suas palmas, os fogos de artifício, e dormir do seu lado, todos os anos...
Todos os anos, aquilo se mantinha. Aconteciam milhões de coisas, mas aquilo se mantinha.
Talvez seja isso que me falte. A minha base que - sem motivo aparente - me foi arrancada dos pés. Sinto que mais um ano passa, e é como se fosse cada vez mais difícil. Como se o tempo, ao contrário do que dizem todos, estivesse insistindo em passar e me mostrar como, não importa o que eu faça, eu não vou conseguir sem você.
E quando eu volto pra aquela noite, eu continuo achando que fiz a escolha errada. Que só continuo querendo arrastar um jogo que não se arrasta. Que escolhi me furar com uma agulha diariamente, só pra não complicar as coisas. Eu repito pra mim mesma que daqui há algum tempo eu vou compreender, aceitar, e seguir com a vida que eu tenho que ter. Mas é que as vezes eu não consigo achar um sentido... Não consigo entender o que é que pode vir de tão bom, se você já foi embora... E tão rápido... E sem motivo.
Achava que em um dia como hoje eu estaria escrevendo algo bem resolvido e compreensivo, maduro. Mas não dá. Existe um buraco, um vácuo, dentro de mim. E vai sugando toda a vida ao seu redor, a cada dia, sugando, sugando, e eu me asfixio em tristeza pra poder sorrir, enquanto ouço a mesma música um milhão de vezes, gritando alto, pra ver se você me escuta, em qualquer lugar, qualquer lugar, eu só queria que você me escutasse, que você sentisse aquele último beijo que eu te dei, que me reconhecesse, não queria ter aquela imagem na cabeça, mas o filme repete, repete dentro da minha cabeça, e a pipoca já acabou, e o cinema está vazio, e daqui a pouco o lanterninha vai pedir pra eu me retirar e eu não consigo me levantar, eu não consigo enxugar as lágrimas... ah, volta pra mim, que tudo tá tão sem luz, e logo você, a minha estrela, logo você teve que apagar, tem tanta coisa no mundo tão cheia de holofotes e tão podre, e logo você, uma estrela, um pedaço de luz tão forte, logo você...

How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls, swimming in a fish bowl
Year after year
Running over the same old grounds,
What have we found?
The same old fears...
Wish you were here

Um comentário:

Rumpelstiltskin disse...

Se servir pra alguma coisa, essa foi uma das coisas mais maduras que eu li em muito tempo. Obrigado. De verdade.