Como se contentar em ser só mais um? Como se contentar com cálculos sobre a velocidade final de um objeto ao cair no chão? Como aceitar o fato de que a vida é o que nós vemos, de que as coisas são calculadas e previstas, de saber porque a chuva cai?
Me sinto vazia, inútil. Me sinto mal por ser medíocre, por ser igual, por fazer parte de tudo o que todos nós já sabemos. Uma engrenagem fria e monótona, que se mexe como todas as outras, sem nem perceber... Sem diferencial, sem gosto, sem aquilo que sempre me ensinaram a querer.
Não se trata de ser "a princesa", ou a protagonista em geral. Se trata de SER algo, de fazer alguma diferença real, de querer do meu mais profundo eu, ser especial. Não que todo o mundo não queira, mas queria pelo menos sentir que sou. Ser enganada. E daí?
Queria estar convicta de que não é tudo uma grande piada, de que a magia existe, de que eu posso fazer parte dela, diferente de todos os outros manés que assistem o jornal sensacionalista na hora do almoço. Entrar num ônibus e pensar: sou diferente de tudo isso.
Não quero morrer com cinquenta anos como mais uma, porque afinal, pra quê? Pra que existir e estudar, e viver, se no final é só isso? É só o que estamos vendo, é só o que aprendemos na escola, é só. Não vai se tornar nada do que eu estou esperando, então pra quê?
Afinal, o mundo não é mágico, e muito menos eu. E isso tira todo sentido da coisa!
Será que não é suficiente ser eu? A menina ruiva que tira notas ruins e odeia o sistema, que faz teatro e acha que canta, e que chora mais do que deveria? Que tem amigos que ama, que confia e desconfia em segundos, que tem os sentimentos tão na beira? Nada disso me faz algo realmente especial?
Seja bem-vindo a máquina, não é? Você é só mais um. Os seus problemas são típicos e sua mente te faz crer que tudo que lhe acontece é importante, que existe destino, que o amor é eterno e ifinito, e que você é uma boa pessoa. Mas no final, o que é que realmente vale?
Sinto como se fosse um desses figurantes de filme que morre no ônibus que o vilão explodiu. Um daqueles milhões que são usados como reféns e depois acabam afogados. Mera figurante cuja vida não vale nada, que vai ser lembrada por algum tempo por umas poucas pessoas, e vai acabar ficando em um papel. Uma dessas mil pessoas que morreram na guerra que a gente ouve no noticiário.
Como se existisse uma coisa realmente superior, como super-heróis, magia e monstros submarinos, mas que eu não fizesse parte de nada disso. Como se tudo o que eu estou vivendo agora fosse só uma ilusão da minha mente, e na verdade não tivesse nenhum grande valor. Como se eu não soubesse o que realmente está acontecendo. Afinal, quem pode dizer o que é real ou não? E se for, realmente, tudo uma grande piada?
Não quero ser a pessoa do fundo, ignorante e sem graça, quero um pouco de magia.
Um comentário:
Se eu encontrar o portão de Narnia algum dia, pode ter certeza que te mostro o caminho.Por enquanto, continuo procurando... '-'
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