Demorei muito pra conseguir escrever sobre isso, e na verdade é porque ainda não sei como me sinto. Nunca vou saber se foi a escolha certa, nunca vou saber como isso chegou a esse ponto e como chegariam os outros pontos e vírgulas de uma história que - não posso negar - seria linda, e agora é triste.
Não sei até que ponto isso vai perseguir meus sonhos, mesmo sabendo que foi a escolha certa. Acordo sempre sem saber como consegui passar por tudo isso, mas sei que deveria ter passado... Se é que já passei.
O sentimento certo não é arrependimento, mas como se uma flor murcha dentro de mim ainda espetasse com seus espinhos mortos... E como dói, dói de uma maneira que não consigo explicar. Tentei preparar um discurso pra mim mesma inúmeras vezes, mas desisti porque não são as palavras que se mostram necessárias. São as certezas, essas que a gente não consegue explicar. E a cada vez que isso volta, me preencho de uma tristeza que, diferente de todas as outras, não é bonita.
Como dizer isso? Como jogar pra fora uma coisa que nunca senti antes, nem vi alguém sentir? Uma coisa que não entendo, não sei como contornar e ajudar a mim mesma, e não consigo ver como alguém pode...
Tudo o que se tem pra dizer já foi dito e ouvido, não é um texto - falado ou lido - que conseguiria curar algo assim. Dentro de mim, sei que apenas um sentimento poderia me fazer bem, e eu o cortei da maneira mais fria e bruta possível, diretamente da raiz... o que me resta é esse solo furado e machucado, que não pode ser preenchido por mais nada, além de outra chance.
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