"Sente-se, e me responda" - disse a mulher de preto - "o que achou do jantar?"
"Horrível, senhora."
"O que faltou?"
"Faltou vontade. Faltou o cheiro de significado. Faltou tempero, anseio por ser bom... É a mesma mesmice, o tempo todo. Tá faltando nem que seja ganância. Tá faltando pessoalidade, e algo original. Estamos cozinhando o mesmo prato há anos, a única coisa que mudou foi o jeito como é servido. E cá entre nós, é cada vez pior."
"Da próxima vez, você cozinha."
Eu não me acho melhor do que isso tudo. Eu sei que ninguém tem culpa de nada. Mas é uma angustia muito forte o que toma conta de mim. Uma vontade de abrir os olhos das pessoas, sacudi-las e tentar explicar o quão ridículo é.Não é exagero: me deprime. Me deprime ver tantas coisas compartilhadas sobre o Big Brother e um suposto estupro, me deprime ver um cantor com uma suposta pedrada na cabeça e me deprimem as opiniões dos meus "amigos" sobre isso.
De verdade, é uma agonia. Uma vontade de mandar isso tudo a merda e ir embora o mais rápido possível. De excluir todo o mundo da minha frente, ou então ME excluir. Mas minha lua em aquário não deixa.
Até as coisas que são mais importantes do que toda essa porcaria já estão banalizadas. Você tenta discutir, mas acaba se sentindo uma miss burra na passarela, repetindo o mesmo discurso de quando você tinha quatro anos pra no final perceber que não existe nenhum sentido em continuar falando.
Só me resta fechar os olhos e rolar na grama, mesmo que machuque a minha perna.
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