terça-feira, 22 de maio de 2012

As vezes eu tenho vontade de acordar cedo. Colocar as minhas botas de frio, o meu sobretudo e andar na chuva gelada. Dissecar um coelho, e encontrar sua jaqueta preta lá dentro, mastigada e digerida. Eu tenho vontade de gravar em uma super-8 todas as vezes que o meu celular pisca com uma nova mensagem que eu sei que é sua, e todas as vezes que você sorri espontaneamente quando eu digo algo que ninguém mais diz. Tenho vontade de rever mil vezes nosso beijo na chuva, e captar o quanto nós não ligamos pra mais nada quando estamos juntos.
Eu estou imersa em um universo que não é o meu, não é a realidade, mas não consigo acreditar em nada além disso. Cada vez que eu aperto o número 3 no elevador de um apartamento do Canela, eu sinto como se estivesse ligando uma aeronave para ir pra uma outra dimensão, onde tudo se encaixa perfeitamente e as coisas são felizes.
Eu não quero nada além disso, e eu sei que é preocupante, mas o que eu posso fazer? Existe uma magia no extraordinário que te vicia, te prende, e nada mais é suficiente. Acho que isso faz parte da minha natureza, ou da natureza humana em geral, eu não sei.

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