"Insetos não me agradam", Alice explicou, "porque tenho bastante medo deles... pelo menos dos grandes. Mas posso lhe dizer o nome de alguns."
"Claro que eles atendem pelo nome, não é?" o Mosquito comentou irrefletidamente.
"Nunca soube que o fizessem."
"De que serve terem nomes", disse o Mosquito, "se não atendem por eles?"
"Não serve de nada pra eles", disse Alice, "mas é útil para as pessoas que lhe dão nomes, suponho. Senão, para que afinal as coisas têm nome?"
(...)
"Tenho certeza de que a minha memória só funciona em um sentido", Alice observou. "Não posso lembrar das coisas antes que elas aconteçam."
"É uma mísera memória, essa sua, que só funciona pra trás.", a Rainha observou.
(...)
"Oh, não fique assim!" exclamou a pobre Rainha, torcendo as mãos em desespero. "Considere a menina grande que você é. Considere a longa distância que percorreu hoje. Considere que horas são. Considere qualquer coisa, mas não chore!"
Alice não pode deixar de rir disso, mesmo em meio às suas lágrimas. "Você consegue parar de chorar fazendo considerações?" perguntou.
"É assim que se faz", disse a Rainha com muita decisão; "ninguém pode fazer duas coisas ao mesmo tempo, não é? Para começar, vamos considerar a sua idade... quantos anos tem?"
"Exatamente sete anos e meio."
"Não precisa dizer 'exatualmente'", a Rainha observou. "Posso acreditar sem isso. Agora vou lhe dar uma coisa em que acreditar. Tenho precisamente cento e um anos, cinco meses e um dia."
"Não posso acreditar nisso!" disse Alice.
"Não?" disse a Rainha, com muita pena. "Tente de novo: respire fundo e feche os olhos."
Alice riu. "Não adianta tentar", disse, "não se pode acreditar em coisas impossíveis."
"Com certeza não tem muita prática", disse a Rainha. "Quando eu era da sua idade, sempre praticava meia hora por dia. Ora, algumas vezes cheguei a acreditar em até seis coisas impossíveis antes do café da manhã."
(...)
"Espero que o barco não vire!" disse para si mesma. "Oh, que lindo é aquele. Só que não consegui alcançá-lo." E certamente parecia um pouco enervante ("quase como se fosse de propósito", ela pensou) que, embora conseguisse colher quantidade de lindos juncos à medida que o bote deslizava, houvesse sempre um mais lindo que não podia alcançar.
ATRAVÉS DO ESPELHO E O QUE ALICE ENCONTROU POR LÁ - Lewis Carrol
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