Olhou ao redor: não tinha a menor idéia de onde estava. Pensou em fazer um feitiço e iluminar a sala, mas tinha medo de chamar a atenção de algo ruim.
Mais uma vez, ouviu um ruído atrás de si. Dessa vez, o sonoro "Nhééééc" de uma porta se abrindo.
- Elisabeth?
Theodora paralisou. Não sabia o que fazer. Não sabia quem era Elisabeth, apesar de achar já ter ouvido aquele nome antes.
- Elisabeth, está acordada?
Olhou pros lados, mas não havia nenhuma outra garota ali. Aquilo só podia ser com ela.
- Ah, meu anjo... Pode falar. Eu já resolvi tudo, pequena.
Ainda sentada, Theodora deparou-se com calças pretas e um sapato social, bem na sua frente. Procurou pronunciar-se:
- Quem é você?
- Ah, Elisabeth. Bateu a cabeça muito forte? Papai foi muito bruto?
- Me desculpe, senhor. Mas eu não sou Elisabeth. Houve um mal entendido... Eu preciso ir, O Segundo está esperando por mim. Preciso contar-lhe sobre as três maças...
- Ora, ora...
Lentamente, o homem agachou-se, ficando frente a frente com a menina. A lanterna que trazia nas mãos possibilitou que seu rosto fosse visto, e Elisabeth teve que se segurar pra não demonstrar medo ou surpresa.
O homem tinha uma imagem deplorável. De camisa preta, seu rosto parecia muito, muito mais branco do que poderia ser, e tinha cicatrizes por todo o rosto. Na cabeça, um fio de sangue manchava o cabelo branco, que caía sujo por toda a testa. Seus olhos verdes encontravam-se arregalados, e um dos dois piscava freneticamente. Completamente sujo de lama, ele continuou:
- É claro que você é Elisabeth. Está querendo mentir pra mim, mocinha?
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