sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Olhos fechados, o cabelo mais uma vez empurrado pra trás da orelha; eles sempre voltavam.
Respire fundo e abra os olhos: nada mudou.
Era a quinta vez no mês que aquilo acontecia. De repente, as pontas de seus dedos começavam a soltar purpurina vermelha, e ardiam intensamente.
Chamava-se P. Veio tudo de uma palavra e um jogo estranho, mas ela sabia a história de trás pra frente.
Começou a correr. Tocava em tudo o que podia: pássaros, corpos, paredes, chão, céu. Nuvens? Não se sabe. Parecia meio molhado, mas podia ser só um tubo de ar condicionado.
"Eu te amo!" - alguém gritou.
Então seus olhos começaram a escorrer daquele mesmo pó brilhante e rubro, enquanto ela soluçava repetidamente. Falta de ar, mas quem pensaria em parar de correr? Era impossível.
"Eu te amo" - não era uma voz ao fundo, um sussurro ou um fim de grito de quem está longe. Eram pessoas, bem no seu ouvido. Mais especificamente seis. Seis pessoas.
Estavam em seus ombros, e ela precisava? dizer o quanto os amava também. Todos em seus ombros, tijolos.
Pensou que chega. Tinha que abrir a boca e deixar de confusão: vou gritar! Vou gritar e que vá tudo pras cucuias.
Abriu a boca, mas quando forçou a garganta mais purpurina jorrou por entre os dentes. O que é isso? Não se sabe. Não era terminal, nem benigno.

Poucas pessoas sabem que purpurina solta forma desenhos no ar, junto com o vento. Ela desenhou todo um caminho errado, mas alguns pássaros estão protegidos pelo seu manto vermelho.

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