domingo, 26 de dezembro de 2010


Acho que eu deveria dizer o quão mal eu me sinto por saber que estou entrando em uma estrada que não tem um final feliz, e que vai ser difícil de sair bem dessa. Deveria estar me lamentando por estar sendo idiota e por sempre escolher errado e tudo isso. Acho que mergulhar deveria fazer com que meus ouvidos doessem, mas não faz.E digo mais: há três semanas inteiras que estou embaixo da água, e ainda não senti falta de ar. Há três semanas que não sinto incômodo nenhum por estar nesse azul imenso, e não me dói nada.
Acontece que às vezes, quando o sol bate forte lá em cima, posso me ver em um reflexo ou outro. E então, eu me lembro de tudo aquilo que eu devia ter deixado pra trás ao entrar na água: me lembro da minha camisa cinza, de um cheiro forte e doce, das marcas nas suas mãos e dos seus olhos claros.
Diferente de antes, não há nada que me diga que isso é errado. E é justamente isso que me faz subir à superfície.

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