Não posso, de maneira nenhuma, revelar os motivos das minhas angústias, simplesmente porque as conseqüências seriam desastrosas e desoladoras para mim. Mas posso, por outro lado, amaldiçoar cada segundo errado que se passou, e cada dor - física ou não - que estes segundos me provocaram e estão me provocando.
Gostaria de ter controle sobre esse tipo de ruido, mas tudo o que resta são as certezas do quão incerta eu posso me tornar. E agora, peço permissão de cada um dos meus castelos internos, para o meu ódio a mim mesma.
Tenho, agora com todo o direito, a vontade de dormir e esquecer de como se acorda, assim como esqueci de como respeitar e ponderar os sentimentos alheios. Tenho a permissão de mais uma vez deixar escorrer de meus pulsos qualquer sujeira que se estabelece em mim, e "ai" de quem disser que não.
Não tenha pena. Não sinta por mim. Se você sente, é porque me ama, e me amar é muito perigoso.
Quando o sol se esconder, e você estiver com a cabeça encostada no travesseiro, a lua me verá destruindo seus sonhos e textos, sem nem ao menos me dar conta do que está acontecendo.
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