Sentia-se fraca, mas resolveu levantar. Não sabia que lugar era aquele, nem onde estavam os seus pais. Hoje, Elisabeth faria 15 anos.
Virou-se. Ao seu redor, todas as paredes verdes-escuras também estavam sujas com a lama nas suas mãos. O quarto estava vazio, exceto por uma sombra que só depois de limpar bem os olhos, ela pôde reconhecer.
Era uma garota. Suas roupas eram listradas, também verdes e pretas. Seu cabelo era em um tom loiro sujo e curto, e seu vestido tinha babados antigos e diferentes. Encontrava-se amarrada, com a boca tapada e ajoelhada. Seus sapatos pareciam ter-lhe sido arrancados, as meias estavam sujas e rasgadas. Um olho estava tapado pela franja, e o outro, brilhante, parecia pedir socorro.
Na sua cabeça, um chapéu também listrado, no formato que ela representava na situação: ?
- Quem é você?
- Hmmmm
A primeira reação foi tentar desamarra-la, mas ao levantar sua franja, viu uma seta apontando para a esquerda. Olhou: na parede da esquerda, escrito em letras negras, encontrava-se a frase:
"O bem e o mal vem sempre com um sinal, apontando a direção. Tenha cuidado, dessa menina não vem nada de bom."
Elisabeth congelou. Precisava pensar. Quem teria escrito aquilo? Por que ela estava ali? Milhares de perguntas vinham a sua mente, e ela esperava encontrar a resposta nas palavras da garotinha. Tentava imaginar o que a levara para aquele lugar, e se aquilo podia ser alguma brincadeira dos seus amigos, ou dos seus pais.
- Eles vão pagar por isso.
Tentou abrir a porta do outro lado do quarto, mas - como imaginava - estava trancado. Pensou em ignorar as palavras de um ou uma louca que a prendera ali, e simplesmente desamarrar a menina. Achou arriscado. Pensou em destapar a sua boca e ouvir suas próprias explicações, mas tinha medo de acabar sendo enganada ou enfeitiçada.
Elisabeth estava trancada em um quarto sujo, em seu aniversário de 15 anos, com uma menina implorando por murmúrios para ser solta, e uma frase muito misteriosa na parede, e não tinha a mínima idéia do que fazer.
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