terça-feira, 9 de novembro de 2010

É incrível como o tempo é relativo. Por exemplo, você pode passar só meia hora lendo sobre "Peroxissomos", que são organelas membranosas muito pequenas, presentes no citoplasma de células animais e vegetais, que são muito importantes por uma série de motivos que você não quer saber, e ainda assim, vai sentir como se duas horas tivessem passado. Por outro lado, você pode ler 311 páginas sobre o Penúltimo Perigo, e sentir como se houvessem passado minutos. Você pode sentar e ouvir pessoas falando sobre algo entediante como um livro que você não leu ou não gosta, e sentir como se anos se passassem, ou você pode cometer alguns erros e nem perceber que um segundo se passou.
No dia seguinte, você pode dormir por horas e sentir que apenas piscou os olhos, ou você pode olhar para os olhos de uma pessoa que você ama, e com quem você cometeu um erro muito estúpido, e sentir como se esse olhar de relance durasse uma eternidade.
Naquele momento, com a cabeça entre os braços, ouvindo resoluções de problemas matemáticos, e pensando em como eu estava arrependida, eu achei que minutos durariam pra sempre.
Agora, com sono e com necessidade de ler sobre "Peroxissomos" para uma avaliação na Segunda-Feira, mas escrevendo sobre a minha culpa, os minutos parecem voar com a máquina que me faz traduzir meus pensamentos.
Você pode dizer coisas como "eu ainda te amo" ou "está tudo bem", mas nada pode mudar o fato de mesmo que eu saiba a necessidade de ler sobre as tais organelas membranosas que me agurdam na Segunda-Feira, eu li o Penúltimo Perigo, e é assim que eu costumo agir, na maioria das vezes. Foi assim que eu me comportei ontem, anteontem, e todos os dias anteriores.
Não posso imaginar outros frutos para colher ao invés dos que eu colho agora, e isso é desolador. Desolador porque eu sei que deveria ter optado pelos Peroxissomos, desolador porque eu sei que deveria ter optado por ficar quieta, desolador porque, com toda a certeza, esse não é o meu Penúltimo Perigo, nem Penúltimo Desafio e - pior! - essa não é a minha última decepção.
E nem a de vocês.

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