Lhe digo mais: não é que eu nunca tenha me apaixonado por você, não mesmo. Não é que você não me provoque ciúmes às vezes, não é que eu queira que você seja meu em algumas partes dos dias.
Não é nada disso.
Mas não acho que exista uma chance de a gente dar certo. Acontece que eu amo ele. Amo como se meu coração só pulsasse por isso. Como se tudo o que eu precisasse na vida, - mais que água ou comida - fosse que ele me amasse. Como se eu dependesse dele pra viver.
E eu sei que você sente isso por mim. E eu não quero ser como ele.
Porque eu odeio ele. Odeio como se ele fosse a parte negra que me consome, odeio como se ele fosse o pior tipo de pessoa do mundo, como se ele fosse todo o mal que existe pra mim e em mim.
E eu não quero ser como ele.
Ultimamente, você bem sabe, eu venho desabafando mais do que escrevendo. Minhas palavras perderam seu contorno aconchegante, e perderam sua melodia.
Mas, entenda, tudo nasceu desse desejo inconcebível de que ele me ame. Tudo começou quando eu resolvi desistir e ceder, e entregar meu coração por completo a quem não imaginaria sentir algo como o amor.
Imagino que você saiba que se eu tivesse a opção, escolheria me apaixonar por você, e entregar-te meu coração, pra que você o guarde no melhor lugar que dispõe. Juro, seria muito melhor. Mas é que eu não posso. Não tenho esse poder, por mais que eu queira.
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