sexta-feira, 4 de junho de 2010

Só eu mesmo

Com a cabeça cheia, eu procurava um motivo pra estar ali. E um motivo pra continuar mentindo pra pessoa pra quem eu não minto. E pra ouvir aquilo que me irritava, quando eu já estava tão cansada, tão triste.
Eu procurava motivos pra ela ter dito aquilo, e traído minha confiança, e ter sido tão cretina quando eu só tinha sido amiga.
O arrependimento já me possuía, da ponta dos dedos do pé até o último fio de cabelo. E eu tentava não mostrar isso. Vamos lá, é por isso que você é atriz. Você mente tão bem!
Já era a terceira vez que eu tentava ser completamente sincera comigo mesma, e como sempre, eu estava com raiva.
Ainda assim, eu tentava sorrir, brincar, e forçar ele até chegar ao fim. Sim, é importante, não, não é importante. Sim, é muito. Não, não é nada demais.
E eu estava pensando em tantas coisas! Eu estava me dando conta do quanto eu estava enganada. Eu não tinha esquecido aquela mochila colorida, não mesmo. Eu não gostava de mais ninguém, eu não amava mais ninguém, eu não, mais ninguém.
E eu tentava ler naquele rosto se eu tinha feito uma cagada tão grande assim. Eu tentava, mas a sua cabeça estava entre as pernas, envergonhada de ter que seguir com aquilo. Por que ela foi tão cretina?
Enfim, eu escutei. Eu já sabia, mas saiu daqueles lábios a traição dela. Eu disse que não, que é mentira. Que nada. Não. Não é verdade.
Porque não era mais verdade mesmo. Tinha sido coisa momentânea, coisa de casaco, coisa de nada. Não tinha sido nada, mesmo.
Eu disse que não. Eu levantei, eu abracei, eu fingi. E continuo fingindo. Porque a verdade parece muito mais mentira que a mentira. Entende? E eu não quero mentir de novo.
É mais complexo do que tudo o que eu tento dizer, é mais difícil do que parece, é mais intenso do que é.
Acontece que eu fechei meu coração pro mundinho deles, por mais que eu os ame tanto.

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