Se pudesse, entraria na onda daquela dança e pularia, soaria e balançaria a cabeça com mais força. Os cabelos mal pintados vindo de todas as direções e batendo no meu rosto.
Mas é que eu não quero. Não quero mais sessões com psicólogo nenhum, e passei a acreditar que conhecimento próprio é tão inútil quanto conhecimento alheio. Estou farta, farta de nada e de tudo ao mesmo tempo.
Agora, justo agora, tudo o que eu tinha pensado está indo e vindo, entrando e saindo das bocas das pessoas, piscando junto com as luzes vermelhas, e eu não posso nem prestar atenção.
Eu me perdi. Perdi o que procurava e perdi o que encontrei. Perdi a mim e a qualquer outra coisa que eu nem tenha mesmo. Perdi a concepção e, novamente, perdi o dom de traduzir e escrever mágica.
Digito, penso e tento passar histórias para uma página que não entra nem sai das bocas das pessoas, mas não consigo nada. Não consigo.
Porque é tudo fumaça.
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