- Não posso te dizer agora. O que você quer?
- Quero saber como você está.
- Mas você nem me conhece!
- Eu já disse: isso é o que você acha!
- Eu só posso achar o que sei, o que eu vejo e o que eu sinto.
- O problema todo é esse. Você não sente.
- Porque você não me deixa ver. To cansado desses telefonemas sem sentido. Eu sinto como se você já fizesse parte do meu mundo, mas eu nem sei o seu nome! Você precisa terminar com esse mistério. As coisas estão complicadas demais, por agora.
- Talvez... Um dia. Posso pensar no caso.
- Não era eu que deveria dar as ordens aqui? É você que me ama, não é?
- Vai me dizer que não me ama?
- Santo Deus! Eu nem sei quem é você!
- Eu já te disse que sabe. Mas você não quer saber...
- Eu não entendo seus códigos!
- O problema todo é esse. Você não entende.
- Me ajude a entender!
- Me diz onde você está.
- Eu não posso. As coisas andam perigosas, por aqui.
- Eu preciso saber!
- Por que?
- Olha... Eu tenho que desligar agora. Não sei se algum dia a gente vai se ver. Ou se ouvir. Só quero dizer mais uma vez que eu te amo. Você pode não me conhecer de verdade, e pode achar que as coisas mudaram... Mas parece que não. Eu posso me interessar por quem for, posso suspirar a noite por outro alguém e me remoer de remorso por um outro rosto... Mas você está aqui, o tempo todo. E eu quero que você suma, mas é tarde demais. Me desculpe, mesmo, de verdade, por ter te atrapalhado todo esse tempo. Eu sei que você não me conhece. Mas um dia, quando você abrir os olhos... Ver e entender... Eu vou estar aqui. E talvez eu esteja pronta, mais uma vez. Agora eu preciso mesmo desligar.
- Eu não sou uma má pessoa.
- Eu sei que não é. Você só é muito novo, por enquanto. Alguém me disse que você é muito pouco pra mim. E eu acho que você ainda tem que encher um pouco. Mas tudo bem, eu vou ser sua amiga. Você nem vai notar, eu prometo. Eu só queria estar aqui. Você me disse uma vez que onde quer que eu estivesse, você iria estar lá pra me carregar. Por favor, tudo o que eu quero é que você seja assim sempre. Dizendo as coisas que você sabe que são certas. Eu sei que isso parece um desabafo, mas é que eu preciso me livrar desse peso pra poder correr pros braços dele. Me desculpe, mas por enquanto, eu vou tentar ser carregada por outro alguém.
- Eu amo você, sabe. Mas você é minha amiga...
- Eu sei. Eu sei de tudo, galinha. Sei de tudo que se passa dentro de você. Só não posso ficar esperando você saber de tudo de mim. Mais tarde, mais lento, melhor... A gente se vê. Eu preciso mesmo desligar agora. Eu já me arrastei demais até aqui. Eu não quero uma despedida. Alguém me falou sobre um até logo, e eu preciso de um. Parei de beber. Por sua causa. Era só isso mesmo. Eu precisava dizer, antes que você acorde. O seu despertador vai tocar agora, eu preciso ir. Até logo, mochila. Até logo, tênis. Até logo, boné. Até logo, garoto-galinha. Até logo, pseudônimos. Eu preciso de uns olhos de piscina, agora.
Um comentário:
Garoto-Galinha, Olhos de Piscina.
Ah, eu amo seus textos, sophie.
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