(...)
Punição. Só uma forma bruta de enfiar pela güela algum tipo de bondades, dessas que vêem aos montes. O menino, coitado, plantava semente de ódio, pra nascer fruto de vingança. Acaba que quando se tenta engolir valores à força, regurgita-se os que se mantinham. O menino criava mais coisa ruim do que boa, dentro de si.
O erro se esconde em querer botar o bem e o mal por um todo. Ora veja, se o pai, que tanto nega a maldade do menino, fosse de todo bom, então não batia com tanta crueldade na criança. E o moleque, arruaceiro que só, se fosse de todo mal, não choraria de arrependimento depois. Nem criança seria.
Não dizem que eu, odiado por todos os que se dizem bons, o Faca Fria, o Hermógenes, o Treciziano, se fosse de todo ruim, não seria criado por Deus, e Deus, tão adorado como o Senhor, se fosse de todo bom não tinha me criado?
Deus e o diabo têm espaço em cada pedacinho de coisa, em cada canto da natureza, em cada Sertão. Cabe bem e mal em cada pedaço de folha, bicho, gente e rio.
domingo, 12 de setembro de 2010
Um eu de muitos sinônimos
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