quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A máquina

(...)
- Eu te prometi, lembra? Tá tudo aqui: a televisão, as câmeras, o dinheiro, o sucesso, a comida... Eu trouxe, Karina! Trouxe o mundo pra você.
- As coisas não são assim, Antônio.
Será possível? Será que ele estava realmente tão perdido em seus sonhos? Por que é que ele não abria os olhos? Por que eu não fechava os meus?
- Assim como, Karina? Não foi isso que eu lhe prometi? O mar, Karina. Até o mar eu trouxe pra você. Pro's seus olhos verem a cor deles refletida na água.
- Antônio, você nunca mais voltou! Eu tinha que fazer alguma coisa da minha vida!
- Vida? Vida, Karina? Eu deixei a minha vida com você pra poder trazer pra Nordestina tudo o que você sempre quis!
Fechei os olhos, pra chorar mais ainda. Chorava porque sabia que era tudo culpa minha. Porque ainda o amava. Porque sabia que minha vida também havia ficado com ele. Porque eu só me encontrava quando ele estava por perto.
- Chora não, Karina. Chora não que ainda dá tempo. Esquece essa coisa de marido e vamo embora! Nem trouxa precisa arrumar, que eu comprei os vestidos mais lindos do mundo todo pra você. Trouxe o mundo! Viaja comigo e com o mundo, Karina!
- Eu não posso, Antônio.
- Mas não poder é coisa inventada, meu amor. E não foi isso que você sempre quis? Sair de Nordestina? Vamos, Karina! Eu vou com o mundo pro mundo com você.
- Mas Antônio... É pior do que parece.
- É o quê?
- Eu tenho um fruto, Antônio. Fruto de uma árvore que foi regada a lágrimas. Árvore que plantaram sem minha permissão. E esse fruto, e essa árvore... Eles não teem culpa de ter uma raiz seca como eu.
(...)

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