segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Pintei-os.

Pintei-os porque não eram meus. Pintei-os numa tentativa - falha? - de tirá-los de suas mãos. Porque precisava senti-los como meus, ao menos uma vez.
Pintei-os. Se a minha cabeça queima tanto com todas idéias de desidéias internas, então que o mundo veja tudo de uma vez. Pintei-os pra transparentizá-los, seja lá o que isso signifique para cada um.
Não se foram. Continuam aqui, me atormentando. As raízes me gritam que não mudaram, que só lhes vesti com alguma coisa mais viva, ou menos eu. Estou discutindo com elas há anos. Cores não me definem, afinal! Não mais.
Pintei-os porque você os tomou, e lhes disse o jeito que você gostava, e impregnou o seu perfume em cada fio de cor. E eu precisava me livrar desse seu feitiço.
Pintei-os, e apesar de ter gostado de tudo o que me surgiu, não consegui o que queria. Surgiu exatamente o oposto.
Você os viu. E gostou da novidade? Veio, passou seus dedos por ele e lhe pareceu uma nova aventura. Aqui estão eles, já sem o mesmo brilho de antes, com o seu cheiro, e obedecendo suas ordens.
Sei que você não pode sair da minha cabeça, depois de todos esses testes... Mas é pedir demais, senhor Comedor de Pensamentos, que saia ao menos de meus cabelos?
Grata, Ariel-Mary-Jane-Jeam-Hayley-Williams-cantora-de-não-sei-daonde-ou-qualquer-coisa-que-se-afaste-da-sua-concepção-de-mim.

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